BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

segunda-feira, 25 de março de 2013

Liberdade a qualquer custo - Patricia Iasz





Liberdade a qualquer custo
Patricia Iasz

Era manhã quando o jornal fora pego sobre o tapete na porta de entrada da casa. A notícia em letras garrafais chamava atenção Envolvia a foto da página num caso de conflito.

Ela artista famosa. Ele advogado renomado. Casados há anos e com uma família de três filhos, já crescidos. O drama revelara-se pelas diferenças no estilo de vida pessoal de cada um. Ela, por ser conhecida num universo de extrema exposição. Ele, discreto, num universo que caminha pelos bastidores das condutas.

Num dia de estresse, desabafando com uma amiga jornalista, a atriz começou a falar sobre as dificuldades que sua vida impunha. O marido vivia lhe cobrando modos de falar, agir, se comportar em público por causa de sua profissão. Isso a fazia se sentir submissa, inferior, controlada... Incompleta nas ações do dia a dia. Era comum esta situação levá-la a pensar que algum dia pudesse se deparar com o pior....

Enfim este dia chegou!

Sem permissão, a amiga jornalista publicara o desabafo num jornal renomado.
Um escândalo!

A jornalista talvez quisesse ajudar, mas também poderia ter agido movida por interesses escusos. Nada importa agora. A família fora exposta numa situação de comentários e fofocas. Insinuações injustas para quem sempre buscou viver a descrição.

O marido, frustrado, decepcionado e com raiva do acontecimento, saiu de casa. Disse não querer mais a convivência por se sentir traído.

Foi aí que ela se deu conta que tudo se tornara pesado, da noite para o dia. A fama parecia ter multiplicado por 3 sua força, só que de maneira nociva. 
         
A atriz, que desejara ser tão livre, começou a se deparar com os fardos desta tal “liberdade”. Talvez tenha conseguido atingir este objetivo no espaço que envolvia sua casa, mas enfrentou o peso que esta sociedade causava com seus anseios de reavaliações e  retaliações. Percebeu que a sociedade também era capaz de submeter, impedir o expressar, oprimir, de lhe impor o pior... . Descobriu que há outras formas de deixar de ser livre. Notou o quanto fora submissa e desrespeitada pela amiga que publicara seu desabafo no jornal. A sensação que a levou a se queixar do marido apenas mudara de endereço. Se arrependeu ... .

Semanas mais tarde, após  terem aquietado um pouco os rumores sociais, ela reencontrara o marido num cafeteria  à tarde. Se olharam em silencio num  gesto comum dos que são cúmplices e íntimos. Desta aproximação o sinal de perdão e retomada da situação. Voltaram abraçados pro lar.


Em foco - Patricia Iasz de Miranda




Em foco
Patricia Iasz de Miranda

Era um modelo vistoso, charmoso e ao mesmo tempo sereno, amante do simples. Vivia ativamente nas passarelas da moda e propagandas comerciais. O descanso pouco lhe restava como atributo de vida, apesar de estar constantemente envolto de prazer. Sempre que podia, visitava a família no interior de Minas Gerais, onde recompunha valores e essências importantes para o desgaste que a profissão ofertava.

Certo dia, numa destas visitas à casa dos pais, conheceu Pâmela, com quem  teve um encontro curto, porém,  arrebatador. Passou a se sentir dividido entre as agitadas vidas fashions e as tranquilas recordações românticas. Conflito que desgastava o cotidiano e que não mais o fazia completo. Algo faltava. 

Era um vazio no existencial ou a necessidade de preenchimento? Nada se enquadrava bem como definição ideal. 

Numa manhã recebera um e-mail com a notícia que lhe arrancara o chão sob os pés. Descobrira que Pâmela esteve grávida e nada revelara durante os 9 meses gestacionais e que no dia do parto, devido a complicações, a donzela viera a falecer.  Em um súbito instante descobrira que seu filho viera ao mundo órfão de mãe e pai desconhecido.  Certo desconforto invadiu a alma do moçoilo, deixando-o um tanto quanto inquieto.  É que se deu conta que, perdera um grande amor e fora introduzido no universo paternal. Neste mesmo instante, em meio aos preparativos no camarim, fora chamado ao desfile.  Em via de passarela percebeu que nada se movia como antes. Aplausos, glamour, status ... Tudo por instantes se tornara supérfluo.

Foi assim que após este último desfile, nunca mais fora visto pelas colunas sociais.
Nem tudo que parece, é!


domingo, 24 de março de 2013

Nossa turma na Oficina de Textos do ICAL

Temos um prazer enorme em oferecer esta Oficina gratuitamente para quem realmente se interessa pela escrita. E este grupo é empenhadíssimo, o que nos incentiva a fazer mais e mais pela Oficina.

E por falar no grupo, ele aumentou. Veja abaixo nossas escritoras e escritor:























sexta-feira, 22 de março de 2013

A mudança - Dinah Ribeiro de Amorim




A MUDANÇA
Dinah Ribeiro de Amorim

  Samara crescera num local hostil, sempre em guerras e brigas com outros povos, os quais considerava,  e era também considerada inimiga.

  Devido a isso, sua aparência era desleixada, quase suja, parecendo mais um rapaz adolescente do que uma mulher. De gênio forte e raivoso, pronta para brigar ou fugir a qualquer hora, não era nada hospitaleira e queria levar vantagem em tudo que fazia.

  Tinha sido criada por um avô que vivia bêbado e agressivo, aprendendo com ele a ser hostil, detestando tudo e todos.

  Seu olhar traduzia sua personalidade: era má, invejosa, ingrata, ambiciosa, aproveitando para enganar o próximo sempre que podia. Até ladra já fora algumas vezes, sofrendo a má influência da educação que não tivera. Descuidada na aparência, rápida como um raio nas fugas, difícil de ser encontrada quando se escondia, verdadeiro rapazinho malandro, nunca poderia ser uma donzela.

  Apesar da pouca idade, já havia tido alguns casos ou ficado com alguns homens, mas sempre sem nenhum tipo de envolvimento sério. Por curiosidade, dinheiro, sempre interesse de ambas as partes.

  Um dia, a pedido do avô, vai até a fonte da cidade, buscar um pote d’água. Aproveita a hora do almoço, quando ninguém a via, nenhum inimigo à vista. Certos povos moravam na mesma cidade, mas se odiavam.

  Espantou-se quando viu um homem de uns trinta anos , mais ou menos, de raça oposta à sua, pedindo-lhe um pouco daquela água. Perguntou-lhe como ele tinha coragem de falar com ela, uma inimiga sua. Respondeu-lhe, simplesmente, que tinha sede e queria um pouco daquela água. Ela atendeu-o e, quando chegou perto dele, sentiu um calor estranho, uma vontade de chorar, fixando seus olhos profundos que a olhavam por dentro, como se a conhecesse de muito tempo. Perguntou-lhe quem era e ele não respondeu. Adivinhou quem era ela, a vida que levava, tudo que fazia. Aconselhou-a voltar para casa, desfazer seus erros, abandonar falsos maridos e começar tudo de novo. Tentar uma vida diferente.

  Samara, assustada, largou o pote e correu à cidade alertando a todos que havia um profeta no local; adivinhara toda sua vida.

  O povo correu para ver o tal profeta,  mas não o encontrou. Acharam que era mais uma loucura de Samara, igual a tantas outras já cometidas.

  Profeta ou não, um anjo talvez, ele não saiu mais da cabeça da moça que reformulou sua vida, procurando-o em todo lugar que ouvia falar dele.

  Como ela, muitos de nós vivemos procurando por Ele, até hoje, alguns realmente o encontrando e melhorando suas vidas!

Um garoto esperto! - Dinah Ribeiro de Amorim




UM GAROTO ESPERTO!
Dinah Ribeiro de Amorim

  Mário era um garoto muito esperto, malandro, educado no morro da Rocinha, perto dos maiores bandidos e também dos melhores e ricos hotéis.

  Não tinha pais e vivia com uma tia velha que o educara como pode, dó em deixá-lo sozinho.

  Não teve escola nem nenhum tipo de educação, fazendo alguns bicos nas praias, vendedor de picolés, ajudando e levando alguns trocados.

  Era bonitinho, saudável, crescido para a idade, passando muitas vezes por maior.

  Sempre que podia, auxiliava alguma madame rica nos supermercados ou orientava alguma gringa em como chegar a determinados lugares no Rio de Janeiro.

  Para isso, treinava algumas palavras em língua estrangeira como: “Good morning”, “How do you do?” “Where you going to day?”, etc...”How much to pay?” era o que mais sabia.

  Certo dia, ao ajudar uma estrangeira, sua carteira cheia de dólares caiu no chão e ela não viu. Sentiu-se tentado pela primeira vez e a roubou.

  Saiu logo após e correu para o barraco em que morava, escondendo a carteira num buraco entre os tijolos.

  Não apareceu mais no lugar e soube que a madame dera queixa na polícia, mas não soube como descrevê-lo direito.

  A polícia, diante de tantos roubos feitos por meninos no Rio e sem nenhuma pista de como achá-lo, não ligou muito ao caso.

  Passado uns dias de sumiço das praias, Mário reapareceu, tomando cuidado em não mexer no dinheiro roubado nem ficar no mesmo local.

  Quando achou que estava tudo esquecido, voltou à casa para contar o dinheiro e começar a usá-lo.

  Qual não foi sua surpresa! A carteira não estava mais lá! Espantado, procurou em tudo, vasculhou todos os buracos e nada! Nem sombra do dinheiro!

  Olhou sua tia e percebeu um leve sorriso. Perguntou-lhe se havia visto alguma coisa diferente no barraco?

  Ela disse que sim. Uma carteira vazia, jogada no chão, que acabara no lixo.

Mário, louco da vida, querendo bater na tia, disse que lá havia um monte de dinheiro. O lixeiro deveria ter ficado rico ou quem a encontrara.

  Sua tia deu de ombros, avisou-lhe que não deveria ter ficado com o dinheiro dos outros, que eram pobres, seriam sempre pobres, mas honestos. Nada que ele fizesse errado daria certo porque ela vivia orando pela vida dos dois e se tivesse que haver alguma melhora, seria de maneira honesta, de trabalho honrado.

  Sentia que morreria logo. Não pudera lhe dar nenhuma instrução, mas deixaria com ele essa sabedoria de vida: “O crime não compensa” “Todo trabalho honesto merece ser pago!” “Nada como descansar a cabeça no travesseiro e dormir” “É a maior bênção que podemos ter!” “Não há dinheiro no mundo que pague isto!”

  A Tia de Mário faleceu logo, e ele, influenciado por amigos e pela lembrança dela, sumiu de lá, nunca mais voltando. Logo que pode, arrumou trabalho numa construção e não esqueceu o único ensinamento que recebeu, transmitindo, mais tarde, aos filhos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nossa turma está à mil!


Esta é nossa nova escritora ICAL - JANY PATRICIO
Estamos amando conviver com você  e com seus textos.

E este é nosso grupo que  inventa histórias e histórias.


SIMPLICIDADE NÃO É O SÍMBOLO DE POBREZA - Carmen Lucia raso






SIMPLICIDADE NÃO É O SÍMBOLO DE POBREZA

Carmen Lucia raso

Estava eu em Miammar ou Birmânia  como hoje é conhecida. Estava precisamente em Yagon, antiga capital que é a entrada para este país que já foi um dos reinos mais poderosos do mundo, mas até hoje é considerado um dos lugares mais lindos do planeta.

Com a dominação da Inglaterra até 1948, ficaram como herança escolas e encontros literários em torno dos templos budistas.

Hoje, com o regime militar depois de vários golpes de estado, a partir de 1962 o país foi se tornando um dos mais pobres do sudeste da Ásia.

Produz o ópio, produtos agrícolas e têxteis, mas a maior fonte  é a produção do arroz que detém 92% da fonte de renda do país.

Ao chegar pelo mar fiquei encantada com a beleza daquele lugar, quase não vi ruas asfaltadas.
Nosso grupo de turistas se acomodou em uma “Vila” como é chamado o hotel.

No final de tarde vislumbrei um pôr de sol maravilhoso!

Dia seguinte, após um café à base de arroz e legumes saímos para um passeio de barco pelo rio Inle, passando por algumas comunidades locais, onde viviam as “mulheres girafas”.

Desembarcamos para ver como viviam estas pessoas. Conversamos com alguns habitantes através do guia local e soubemos que estas mulheres, na sua maioria, se refugiaram na Tailandia, um dos países de fronteira.

Havia algumas crianças brincando naquela terra quente sob um sol escaldante e foram se aproximando do nosso grupo dançando e sorrindo para nós, quando uma delas pegou em minha mão e foi me arrastando até chegarmos a uma tenda feita de tecido colorido e grosso que se tornava o teto e paredes daquela casa.

Sorria e me dizia com o olhar e com gestos para eu entrar. Sentia-me feliz e meio amedrontada em estar afastada do grupo quando apareceu a minha frente uma mulher magra, de dentes grandes e brancos com um colar que lhe circundava o pescoço abrindo um sorriso me fez sentar no chão batido sobre um tapete colorido tecido em algum rústico tear.

Serviu-me numa tigelinha um currie com arroz de coco, comida típica, e com um gesto me fez comer com as pontas dos dedos aquela iguaria saborosa junto com um chá quente mas muito refrescante.

Eu olhava aquela tenda enfeitada e limpa e com um gesto agradeci a acolhida e enquanto ia me levantando o nosso guia apareceu e na língua local agradeceu sorrindo,  e como despedida ganhei uma sombrinha de papel fabricado por aquela mulher e um artefato budista feito por seu irmão monge feito em um daqueles templos esplendidos.

Quando estávamos voltando ao nosso barco o guia me perguntou se tinha provado um chá, e feliz como há tempos não me sentia respondi que sim.

Ele me contou que era de ópio e por este motivo estas pessoas e eu sorríamos sem parar e sem saber por quê.

Eu estava lá, eu vi a mulher girafa, tomei chá de ópio e senti a beleza e a pobreza de um pedacinho daquele país.

Pobreza não, simplicidade que emana a grandeza de um povo.

A MULHER QUE INVENTAVA RIMAS - Carmen Lucia raso






A MULHER QUE INVENTAVA RIMAS
Carmen Lucia raso

Ela tinha cabelos brancos
E com os netos sentava-se no banco
Contava fatos da infância
Com rimas e elegância
Falava em forma de poesia
Ao final, sempre sorria.
Era a nossa avó
Feliz como ela só!

terça-feira, 19 de março de 2013

Sorrir para a vida - Jany Patricio




Sorrir para a vida
Jany Patricio

            Todas as manhãs Alfredo  recebia em sua mercearia o pão quentinho, deixado pelo entregador da padaria e em seguida abria suas portas para atender os seus fregueses.

            Pedrinho, nos seus passos rápidos, sorriso franco e olhar esperto aparecia sempre para comprar o pão e o leite.  Passava pela prateleira de doces, olhava, mas nunca levava nenhum.

            Um pouco mais tarde ele sempre era visto passando com sua maleta escolar pela calçada da mercearia e seguia feliz.    Voltava da escola por volta do meio-dia.     

            Um dia, Alfredo, percebendo que o garoto sempre passava com um olhar fixo nas prateleiras, o chamou e ofereceu-lhe um dos seus doces, mas, para sua surpresa o garoto recusou o presente.

            Naquela mesma tarde Pedrinho passou contente levando uma caixa de engraxar sapatos nas costas e sentou-se na praça, onde começou a atender os seus primeiros clientes.

Conversava muito com todos e tornou-se conhecido e querido na região.

            Passaram-se alguns anos  naquela rotina, sendo que algumas vezes Pedrinho, além do pão e leite, também comprava doces na mercearia.

            Até que um dia Pedrinho veio se despedir do seu Alfredo, dizendo que ia mudar de bairro. Seu pai tinha conseguido um emprego melhor e ele iria trabalhar como aprendiz na mesma fábrica que o seu pai. Ele estava radiante!

            Depois de muito tempo, tendo a mercearia se transformado num minimercado,  apareceu um homem, vestido de terno e gravata, com uma pasta na mão, procurando pelo senhor Alfredo.

            - Bom dia, senhor, disse com um sorriso largo conquistando logo a simpatia do Senhor. Alfredo.

            - Bom dia, em que posso ajudá-lo? Respondeu.

            - Vim mostrar-lhe estes doces, são muito gostosos e da maior qualidade, disse sorrindo.

            - Meu amigo, eu já conheço estes doces, e sei que eles têm  muita saída aqui no mercado. Mas, por um acaso, eu já não o conheço de algum lugar?

            - Sim, disse com ar maroto - eu sou o Pedrinho, já morei neste bairro.

            - Meu Deus! O filho do senhor Francisco, que satisfação em vê-lo. Sente-se aqui, vamos tomar um café.

            E conversaram alegremente, recordando os velhos tempos.

            - Então o amigo agora é vendedor desta empresa! Disse o senhor Alfredo.

            - Eu era, até um mês atrás. Agora sou o novo sócio, mas às vezes faço questão de visitar pessoalmente os clientes.

            Que maravilha! E continua com o mesmo sorriso de quando era menino Isto confirma que o grande homem é aquele que não perde a candura de sua infância.

           
            

domingo, 17 de março de 2013

O menino patativa que nunca comeu manteiga - Jorge Paixão



O menino patativa que nunca comeu manteiga
autor: Jorge Paixão

O nome dele é Vadinho, mas todos o conhecem por Patativa. Filho único de D. Chica, nunca conheceu o pai, pois sua mãe mesmo também não sabe  quem é.  Moram em um barraco de madeira próximo a rua da feira. Dona Chica trabalha catando latinhas pela rua para vender a kg.

Todo dia cheia de esperança levanta cedo levando Vadinho na garupa da  bicicleta a vai enfrentando o labor do dia, catando latinhas para sobreviver, cata uma ali, cata outra lá, cata uma lá, cata outra aqui... E assim leva o seu dia.  Enquanto ela cata latinhas,  Vadinho fica pulando parecendo uma traíra e cantando parecendo uma cigarra... Já colocaram nele o  apelido de patativa! Ele canta bonito mesmo, fica todo mundo amontoado lá na praça para vê-lo cantar. Ele canta, canta e canta e não cansa de cantar, sua mãe feliz avança catando latinhas sem parar.

O maior desejo de Vadinho é comer pão com manteiga, mas D chica não compra porque fica muito caro. Ele então prefere só comer pão doido.  Ele tira o miolo do pão,  então o pão é pão doido porque não tem miolo.

Outro dia D. Chica levou um tremendo susto ao mandar Vadinho ir à padaria  comprar açúcar:

Vadinho vá na padaria comprar açúcar para eu fazer refresco de limão.

     Vadinho foi,  e quando voltou disse:

Mas, Mamãe pão com manteiga é muito gostoso!

    Ai dona chica gritou para ele:

Está falando bobagem menino, você  nunca comeu pão com manteiga em sua vida...

    Ele então respondeu logo:

É que quando eu entrei na padaria eu vi uma moça no balcão comendo!


Puro coração - Patricia Iasz



Puro coração Jovem


                Puro coração jovem, em cada gesto, uma harmonia. Tudo que fazia era belo e sempre resultava em acertos. Despertava a inveja de muitos,  mas que no escondido ficava. Até que certo dia, a ousadia da vizinha, rompera com o silêncio. Resolveu falar ao amigo mais íntimo, tudo aquilo que a jovem não tinha. Uma mazela de tamanho estrago. Inverdades de causar confusões.

                Sereno amigo, confiável comparsa. Dispôs-se a defraudar a inveja em fragmentos e frangalhos. Amava o puro coração jovem e quiz preservá-la em realidade constante.
                Contou a outros vizinhos a maldade de tal vizinha. E adivinha! Esta se pôs a chorar arrependida, pois no fundo de sua alma, amava o amigo que amava o puro coração jovem.



(Lição em sala de aula. Texto à partir do exercício: Personalidade do personagem. Situação: Frágeis donzelas em ares angelicais. Dados Escolhidos: pura, harmônica, vizinha, Inveja, amigo)

Do sono ao sonho - Patricia Iasz



Do sono ao sonho
Patricia Iasz


                Era noite. O sono chegara. Com ele o sonho que acontecia como um filme de invenções.

                No inicio era uma trilha simples, coberta por pequenas pedras brancas. O caminho seguia e logo adiante mudara para um solo de terra batida entre barrancos com matas virgens. Este caminho desembocava num misterioso mar aberto. Explorado apenas por um distante barco à velas. Ao longe, o barco parecia enganador. Não revelava se aproximava-se da areia ou se estava em fuga ao amplo oceano. No tecido hasteado havia um escrito grande e vistoso: TROVÕES.

                Com a força dos ventos, o barco era empurrado e conforme tornava-se maior sua evidência, notava-se que se aproximava da praia. Quanto mais perto, mais grandioso se tornava o lutar com as ondas.

                O pequeno barco articulava manobras para vencê-las e parecia implorar o direito de chegada à solo firme. Porém, a resistência voraz das fortes ondas pareciam dizer-lhe: NUNCA.

                As ondas gananciosas, cheias de amargor, desejavam vingança de algo  que nem elas mesmas sabiam interpretar.

                O barco, ao solavanco e resistência, seguia firme seu objetivo. Jamais dera as costas aos sussurros de ameaças de morte das águas  inquietas, pois sabia dos bens que em sí existiam .

                De repente notou-se o formar de um imenso buraco, macabra imagem em silhueta de fogo refletida por um sol de medo ... quando o telefone da casa tocou. 

                Os olhos miraram com susto a cortina do quarto. Esta balançava com o vento que passava pela fresta da janela aberta.

                Neste instante, apertou entre os dedos o anel de casada e avistou que ao lado o marido tranquilo dormia.


(Texto sugerido: Texto feito à partir do exercício: história de palavras soltas - barco, misteriosa, pedras, trilha, noite, sono, trovões, articulação, empurrado, fuga, costas, morte, cortinas, telefone, buraco, bens, solavanco, enganador, amargor, ganancioso, silhueta, macabra, escrito, nunca, casado, implorar)


sexta-feira, 15 de março de 2013

A moça lá da esquina - Jorge da Paixão



A moça lá da esquina
Jorge da Paixão

Na quinta feira passada ao eu sair de casa para ir participar da reunião no Instituto Cultural Artístico Literário do Brasil, lá na esquina da rua observei uma linda moça toda tristonha extasiada olhando para o céu, parecia estar contando estrelas,  mas estrelas não, porque as estrelas não aparecem durante o dia.

Curioso, me aproximei dela e lhe perguntei por que ela olhava com muita insistência para o céu?

Foi então que ela me Respondeu  que tinha medo que um pedaço de céu velho desabasse sobre sua cabeça e ela não fosse mais ver  o seu  querido namorado que é o psiquiatra  lá do sanatório aonde ela mora !

A notícia - Jorge da Paixão



(Texto criado com base em notícias de jornal, onde o texto do aluno alteraria a informação original)

A notícia
Jorge da Paixão

A imprensa brasileira noticia, que o Papa renunciou e que um  Cardeal será escolhido para seu substituto. A notícia verdadeira  não é essa e sim a que vou informar: S.S. o Papa não renunciou, ele continua sendo o administrador da Igreja Católica aqui no planeta Terra, porém  vai haver um Seminário Universal lá no planeta Marte, aonde vão se reunir os Papas de todos planetas existentes no Universo.

O Papa vai ter que se afastar por três anos, nove meses e cinco dias, portanto é uma viagem muito longa e cansativa em um  foguete espacial. Portanto ele nomeou um preposto para que em sua ausência para substitui-lo  e lhe informado diariamente através de satélite todo o corrido na Igreja Católica.

Haverá uma festa de despedida lá no Vaticano com a presença de todos os Cardeais do mundo e em seguida uma churrascada Gaúcha levada a chope e chula com a presença de Milionário e Zé Rico com suas musicas caipira até altas horas da noite no salão nobre Gaúcha Lá Santa Sé.

Sobre a preocupação das pessoas a respeito da fumaça que vão sair pela chaminé é o seguinte: Fumaça negra está avisando que o churrasco foi bem passado e fumaça branca que foi mal passado.

Desejo de coração uma boa viagem de ida e volta á Sua Santidade!

quinta-feira, 14 de março de 2013

O braço decepado - Suzana da Cunha Lima




(Texto criado com base em uma notícia de jornal. O texto  contesta  o que se diz na matéria, mostra  detalhes que podem mudar a história. A ideia é de uma notícia qualquer, e a história é ficção)


O braço decepado
Suzana da Cunha Lima

Encontrei a turma no bar Veloso, no final da tarde. Era nossa hora de relax e de fofoca, pois homem também adora uma.  Ouvi que estavam conversando sobre o atropelamento do ciclista. Resolvi intervir, porque tinha minha própria teoria, baseada em fatos reais e não em especulação. Sentei-me, pedi minha Cerva e interrompi a prosa.

- Gente, eu estava na Av. Paulista bem na hora daquele lamentável acidente com o ciclista. A mídia é muito sensacionalista.  Estes repórteres não observam direito o que olham ou escutam, querem mais é ver o circo pegar fogo e o tal braço decepado é um prato cheio. Já crucificaram o motorista e o amigo carona que estava com ele, ainda põe mais lenha na fogueira, dizendo que tinham bebido 3 ou 4 cervejas. Está certo, é muito álcool, tem a Lei Seca, ninguém discorda disso. Mas calma, vamos examinar os fatos direitinho.

- Examinar o quê mais, cabeça de bagre? Está tudo aí nos jornais. O próprio motorista admitiu que atropelou o ciclista.  E ele estava na ciclovia. Era só o motorista ter observado isso.

- Calma aí, ainda não eram 7 horas, a hora que a ciclovia abre. O acidente ocorreu às 6 horas, uma hora antes. Ainda estavam pondo os cones.

- E daí, meu chapa? Com cone ou sem cone, havia um ciclista trafegando, tem mais é que dirigir com cuidado, sair da faixa dele.   E testemunhas contaram à polícia que o carro estava fazendo ziguezague, prova que o motorista estava bêbado ou com seus sentidos alterados.

- Pois saiba que não saiu nenhum laudo médico que atestasse isso.  E olhe que ele se entregou, se fosse outro, deixava passar 48 horas para se apresentar, não pegava flagrante e não era preso. E os policiais disseram que ele não parecia bêbado, mas alterado, chocado com o fato.

- Tinha mais que estar, não é? Arrancou o braço do ciclista e ainda jogou fora, como é que pode? E ainda fugiu, meu chapa!

- Pois vou contar  uma coisinha que vocês ignoram. No meu entender, este motorista estava chocado com outra coisa. Acho que a mídia nem sabe ainda.  Só vai descobrir depois do exame de corpo delito. Vai ser uma surpresa e tanto, como foi para mim -  o pessoal no bar começou a ficar alvoroçado.

- E que coisa é essa? Vai mudar o julgamento, a sentença? Lá vem você com suas teorias...

- Com certeza que vai.  Eu estava ali na calçada e posso lhe dizer, que o braço do rapaz ciclista era artificial.  Uma prótese, entenderam? Sou médico, vocês sabem, e ortopedista.  Se examinarem melhor o toco, o que ficou, vão ver cicatrizes antigas de amputação e talvez alguns restos do que prendia o braço artificial ao corpo.  Mesmo em instantes, como eu estava perto, eu vi.  Se é o braço mesmo, os ligamentos, nervos, músculos e ossos  iam oferecer muita resistência, é duro separar um braço do corpo. Vejam aquele caso da mulher que esquartejou o marido para colocar em mala e dar sumiço. Precisou de serra elétrica e muito tempo para terminar o serviço. Não havia de ser uma batida de carro num ciclista que ia realizar esta proeza. Lembram daquele suplício na Inquisição que colocavam a vítima numa roda... – aí me interromperam entre incrédulos e nauseados com a história, cada qual querendo demolir minha teoria do braço artificial.

- Chega deste assunto macabro, cara.  Estamos aqui para desestressar - falou um. - Vão examinar o ciclista que está no hospital e aí vai aparecer a verdade - objetou outro. - Mas se esta tua hipótese louca é comprovada como verdade, em que mudaria o julgamento do motorista? Ele atropelou o ciclista, ponto - retrucou um deles.

- Atropelou, claro, mas tem atenuantes. Lembre-se que ele parou um pouco, deve ter olhado para seu banco e visto aquele braço atrás.  Ficou atordoado, claro. Depois é que fugiu. E resolveu jogar o braço fora, já que não ia servir para nada mesmo. E qual a razão dele não ter se livrado do flagrante? Com 48 horas ele não seria preso.  Mas ele se entregou antes. Um cara bêbado não ia raciocinar deste jeito.  Garanto que ele deve ter ficado muito impressionado com aquele braço...Aí resolveu voltar para ver como o rapaz ficou, quem sabe pedir socorro médico.

 - Nossa, você devia dizer isso tudo para a polícia, caro.

- Já disse, inclusive para o advogado do motorista.  Se ele souber usar bem esta informação não poderão indiciá-lo por tentativa de homicídio, como estão querendo. Afinal, ele não morreu, não é? No máximo por lesão corporal. -  enchi meu copo outra vez e resolvi fazer o assunto render mais, de uma maneira mais leve, antes que eu perdesse os amigos:

- Mas este incidente veio demonstrar cabalmente para a turma da vida saudável que bicicleta, numa cidade como São Paulo, não serve, de maneira alguma, como meio de transporte. E logo na Avenida Paulista! Podem colocar um monte de ciclovias, não dá certo! Já existem muitos loucos no volante e motoqueiros que não respeitam nada. Um mundo de gente com uma pressa insana num trânsito caótico. Imagine se vão se preocupar com alguém indo de bicicleta para o trabalho, arrumadinho, de pastinha de executivo.  Bicicleta é para parques, bairros tranquilos  - eles se acalmaram um pouco e em segundos, começaram a discutir as possibilidades de uso da bicicleta.  Neste ponto, acho que fui maioria, mas no caso do ciclista atropelado, quase que me atropelam também...

E continuei a bebericar,  observando filosoficamente, como as pessoas defendem seus pontos de vida tão aguerridamente, sem sequer escutar uma ideia diferente ou um outro ângulo da mesma questão. Nesta hora, a verdade foge de nós como um coelhinho assustado.