BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL


sábado, 8 de junho de 2013

O RETORNO - Paulo Rogério Pires de Miranda


O RETORNO
Paulo Rogério Pires de Miranda

Eram exatamente 10 horas daquela manhã ensolarada quando a nau foi avistada no horizonte. O coração dela disparou de emoção, suas mãos ficaram frias, seus pensamentos descoordenados. Fazia dois anos que ele partira daquele mesmo porto rumo ao desconhecido, buscava longe dali um trabalho onde auferisse melhor remuneração, pois como mineiro jamais ganharia o suficiente para comprar uma casa, montar um negócio e ser feliz.

A única coisa que ele deixara para ela foi uma carta, confiando a mesmo a um amigo para que a entregasse logo após sua partida, onde dizia que somente voltaria quando alcançasse sucesso. Caso ela encontrasse outra pessoa mais promissora, que usasse de toda a liberdade que tinha direito para casar-se, constituir uma família, tentar ser feliz, porque ele mesmo não lhe deixava garantias quanto a voltar, nem quando voltaria.

Mesmo assim ela o esperou durante estes últimos dois anos.

Uma vez ao mês chegava àquele porto um navio para descarregar produtos e embarcar outros ali produzidos e também passageiros que seguiriam para a América a tentarem uma boa sorte. E todo mês ela ali se punha a esperar que o navio atracasse e ele aparecesse. Sempre era enorme a expectativa e grande a prévia emoção, seguida por decepção.


Desta vez, a espera não fora em vão. De repente, descendo as escadas da nau, entre outros passageiros lá estava ele, com uma boina escarlate, um paletó de veludo negro, calças também negras e como destaque aqueles eternos olhos azuis. Ela sentiu faltar-lhe as pernas, quase desfalecia, porém, reunindo forças provindas da eterna esperança, corre para junto da escada da nau e acena para ele. Ele ao vê-la abre um enorme sorriso, toma a boina em sua mão e acena freneticamente para ela. Neste momento soube que sempre foi esperado.  

Saudade - Jorge da Paixão



Saudade
Jorge da Paixão


O amor é uma poesia
Autor: Jorge da Paixão

Sinto saudade de São Paulo
curtindo aqui Salvador,
porque foi em São Paulo
que eu deixei meu amor !

O amor é uma poesia,
poema lírico no embalo.
Estou feliz na Bahia
sem esquecer meu São Paulo.

Antes mais do que tudo
o coração é capaz.
O amor é um forte escudo
que a felicidade trás.....

Dia oito vai chegar
para eu embarcar num avião,
e para São Paulo voltar
sentindo paz no coração.

Dignidade, respeito,
consideração e amor.
Meu sentimento é perfeito,

como o desabrochar de uma flor.

VISÃO SURREAL - Paulo Rogério Pires de Miranda


VISÃO SURREAL 
Paulo Rogério Pires de Miranda

Havia algo de surrealista naquela figura humana que costumeiramente punha-se à porta da estação para declarar a sua mensagem. 

Sobre os ombros uma capa multicolorida que massageava a visão como um caleidoscópio. Sobre a cabeça um chapéu de três pontas. Seu dorso coberto com uma camisa vermelha ostentava na altura do bolso esquerdo uma estrela de cinco pontas, um pentagrama místico. 

Todo esse conjunto morfológico, até um tanto fantasmagórico, dava-me a impressão de estar diante de um alienígena saído de um filme de Spielberg. 

 Seus movimentos eram frenéticos, sua fala uma onda vibratória amarga e ácida era ameaçadora e anunciava o fim do mundo pigmentado de sangue. Pressentia-se nela o cheiro da morte anunciada como um corretivo a uma humanidade desumana e desalmada, que insistia em não dar ouvidos à mensagem gritante do além. 

Era ele então o arauto escolhido para conclamar e proclamar o “arrependei-vos” aos cegos e surdos deste lamacento mundo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

ICAL ESTÁ COMPLETANDO 4 ANOS !

Em junho o ICAL completa 4 anos de vida! Para comemorar essa data, nos reuniremos - associados e convidados - para um divertido chá. Neste mês também sairá uma nova edição da revista Eixo Cultural. Aguardem! ICAL é cultura através de criação de textos, leitura, visitações culturais, eventos, publicação de livros, de revistas, e muita música. Agradecimentos especiais aos voluntários que sempre se postam disponíveis para nossos eventos. Agradecimento aos associados, participantes das Oficinas, amigos e parceiros.

DICAS PARA PUBLICAR UM LIVRO

A editora Márcia Lígia Guidin, da Miró Editorial, orienta autores a respeito da publicação de suas obras.

10 MAIORES ERROS DOS ESCRITORES INICIANTES

DICAS IMPORTANTES PARA NOVOS ESCRITORES

sábado, 1 de junho de 2013

O segredo da rapariga - Ana Maria Maruggi

O segredo da rapariga
Ana Maria Maruggi – março 2013

Disseram que se chamava Margarida, nome de flor e cheiro de flor. Assim diziam os homens. Mas, as mulheres diziam que era uma quenga sem vergonha, uma rapariga sem escrúpulos que ganhava dinheiro dos homens fracos.  Eu mesma não a conheci bem, só a vi uma vez, mas fiquei sabendo de muitas coisas intrigantes sobre essazinha ai.  A tal Margarida passava o dia debruçada na janela fazendo caras e bocas, chamando atenção dos homens enfadados pelo trabalho árduo, que rastejavam para suas casas no final do dia. Chegando ali deparavam com Margarida, cheirosa e fresca a espera-los com um sorriso devastador. De mansinho com sua voz sexy lhes desejava boa tarde, e fazia-lhes um leve e indiscreto sinal convidando-os para entrar em sua casa. De cara não entravam não, mas voltavam  outro dia, em outra hora menos comprometedora.

Estava eu de férias na cidade de Ituana, a cidade da talzinha, quando ouvi um zumzumzum pelas ruas e casas. Na delegacia, enquanto eu matava  saudade do escrivão, meu primo de sangue, quis saber do que se tratava aquele alvoroço que, cujo assunto era a tal mulherzinha sirigaita da janela. Pois não é que ela, ela mesma em carne e osso, foi ate a Delegacia, vestida num escandaloso baby-doll rosa shock, pedir para irem ligeiro até sua casa, pois que um amigo dela tinha passado mal, e estava lá estrebuchado no chão do quarto nuzinho como veio ao mundo? Foi um corre corre danado dentro do batalhão. Uns tentavam abafar o caso, outros queriam descobrir mais. Na verdade todo mundo queria saber quem era o sujeito que teve tanto azar de cair duro justo na casa do mal...ou do bem, sei lá. Quem seria a esposa traída, eita que esse seria um assunto para o mês inteiro. E o que teria feito bater as botas, o talzinho. Muita coisa a ser esclarecida, muitas mesmo. 

Foi um zas-tráz, e Regi me abandonou por lá com o porta retrato de Tia Severina na mão. Saiu na maior correria que mais parecia um atendimento à mãe parindo, agarrou pelo braço o medico Dr Felisberto, que vinha ter com ele sobre o acontecido,  e seguiram para a tal casa da janela indiscreta. À porta já havia uma multidão que só se movia às cotoveladas dos dois profissionais. Cochichavam, sussurravam e gritavam palavras de ordem. Já era uma manifestação pública. Mas não exigiam nada além de que se divulgasse o nome do diabo que morreu lá dentro. Dona Martinha a vizinha da coisinha, já estava a postos com sua câmera fotográfica, afinal não queria passar por fofoqueira ou mentirosa. À janela da casa da frente empilhavam-se mulher, marido e filhos para tentar enxergar dentro do quarto da mulherzinha, mesmo com a cortina cerrada. Fiquei sabendo que até a radio local, a única AM da região, já tinha montando um plantão à saída da casa. A repórter queria pegar o Regi (meu primo) para saber quem morrera naquele quarto nojento da Margaridinha.

A mulher traída não aparecia, não havia ninguém reclamando a falta do marido. Pelas cabeças mil nomes iam passando. Pensaram até no delegado Tavares, mas este estava de férias com a família,  em São Paulo. O farmacêutico foi cogitado, mas eis que de repente ele e a mulher Dona Helia, aparecem entre a multidão. Talvez o dono da padaria, o Joaquim, aquele chifrudo resolvera finalmente trair aquela vagabunda da mulher dele. Mas, não, alguém veio da padaria dizendo que o Joaquim queria saber quem era o morto.

Ninguém entrava mais na casa, e de lá ninguém saia, há horas. O farmacêutico bateu à porta para oferecer seus préstimos,  mas ninguém respondeu. Horas e horas depois, o povo começou a dissipar, aos poucos foram indo embora, um grupinho aqui, outra ali. Mas, o pessoal da radio fincou pé, e  Dona Martinha também arranjou um banquinho dizendo que de lá não sairia sem registrar os fatos. A casa da frente cobrou um valor fixo para quem quisesse ficar no plantão sentado em uma berger, mas a cortina da rapariga não se abria. Tudo lá estava quieto e lacrado.  Dona Martinha disse que sentia cheiro de café fresco vindo do bordel da Margarida. E depois cheiro de pão de queijo assando... Essa filha duma égua está cozinhando, e nós aqui fora esperando!  Até que chegou a noite, e uma garoa fria caiu molhando as ruas e telhados. A baixa temperatura foi afastando o povo e os levando de volta aos seus lares. A fotografia teria que esperar a dona da câmera jantar e se agasalhar. A rádio estava fora do horário para reportagem externa e teve que desmontar o cerco. Na casa da frente, o dono precisava dormir para pegar muito cedo no batente. Esvaziou-se a rua. Tornou-se um breu úmido a cidadezinha de Itauana.

Pela madrugada saíram de lá, sorrateiramente, pela porta dos fundos, Dr Felisberto e Regi. Tinham cara de dever cumprido. Ambos.

O medico foi para sua casa e disse à esposa que não estava morto não, era um desconhecido qualquer. Já tinha tomado todas as providências.

Regi foi para a delegacia fazer relatório, e nele escreveu que não havia defunto, apenas um coitado, desconhecido com batedeira no coração. Já estava atendido e fora de risco.

Na manhã seguinte o zumzumzum queria saber o que houve na casinha da tal rapariga desavergonhada. Eu mesma, curiosa que só vendo,  fui ter com meu primo que me confidenciou o que houve. Mas,  sob juramento, jurei de pé juntinho, não contar nada à ninguém. Minha boa é um túmulo!



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Noite da Gala - Jorge da Paixão


 


Noite da Gala
Jorge da Paixão

Noite cálida na escuridão,
vejo o universo estrelado.
Sinto paz no coração,
na Natureza inspirado !

Deslumbrante é o horizonte,
com o céu azul embalado,
nas águas verde errante, 
do oceano endiabrado !

Contemplo as Três Marias
e o Caminho de Santiago.
As estrelas são magias
e a constelação um mago...

Com seu brilho de saudade
desfilando a estrela D'alva
na eterna mocidade
a paz transmite em sua alva...

Brilha o Cruzeiro do Sul, 
vagando todo contente,
guarnecendo o céu azul,
do Brasil eternamente !


Inesquecível viagem - Jany Patricio



Inesquecível viagem
Jany Patricio

Chegamos em La Paz. O pouso foi tranquilo, se comparado às turbulências nas alturas.

Havia um chá de coca para tomar, para melhorar do mal estar. Mas ele me fez enjoar.

Afinal, são mais de 3000 metros de altitude.

Afinal, nos acomodamos, apesar da dificuldade de respirar e andar, e por segurança guardamos nossas passagens de volta e alguns valores no cofre do hotel.

Visitamos o Valle de La Luna, formação encantadora, uma paisagem lunar, que dá  passagem aos mais lindos sonhos românticos dos apaixonados que visitam a paragem. Mas, tropecei nas nuvens e cai nos braços do guia da viagem.

Fomos para Tiahunaco, ruinas da civilização inca. Um grande pátio formado por enigmáticas esculturas de pedra. A minha curiosidade foi tamanha, que numa distração  derrubei a máquina fotográfica, que se espatifou no chão.
Mas, continuando a viagem, seguimos para o Peru.

Lago Titicaca, Ilhas Urus, feitas de totora, flutuam sobre a imensidão das águas. Mas a palha tem seus caprichos e às vezes deixa vãos que turistas desavisados, como eu, atolam os pés e ficam com as botas e roupas molhadas.

No trem para Cusco, paisagem deslumbrantes, picos nevados e céu azul, os Andes.
No trem para Cusco, refeição e conversa. O dia passou rápido e chegamos.

Em Cusco, dei por falta da minha passagem. Ah! meu Deus! Acho que a esqueci no Hotel da Bolívia. Avisei o guia.

Passeamos pela cidade construída sobre as pedras das ruínas incas. Fomos ao mercado para comprar suvenires. Foi lá que perdi dinheiro, acho que deixei cair na hora de pagar as compras. Fiquei com pouco na bolsa.

Finalmente, o mais esperado. Conhecer Machu Picchu, a misteriosa cidade construída pelos incas no alto de uma montanha. Naquele dia ela estava envolvida por uma neblina e garoava. As pessoas vestiam capas de chuva amarelas.

Finalmente! Sentia uma inexplicável plenitude naquele lugar. Fiquei tão enlevada que me distanciei do grupo,  me aproximando de um bando de lhamas que num declive pastava. Uma delas, irritada, espirrou seu muco sobre minha capa amarela. Que susto! Voltei carimbada.

Felizmente, minha passagem foi encontrada.

Felizmente, não esqueci de voltar da inesquecível viagem.



Festa no ceu - Hirtis Lazarin





Festa no ceu
Hirtis Lazarin


A tecnologia e toda sua parafernália invadiu o espaço celestial.  Computador, Ipad, Ipod, câmeras estão espalhados por toda parte.

 Os anjos responsáveis por uma pequena comunidade brasileira estão inquietos, apreensivos, com "as asinhas entre as pernas".  Acabam de receber e-mail curto e grosso do "Supremo Soberano".  Uma reunião de emergência fora marcada para o dia seguinte.

A pauta discutida fora:

1- a partir dos registros das câmeras espalhadas, verificou-se que a grande maioria de celebridades,  artistas famosos, e políticos das últimas gerações não se mostravam ambientados no "paraíso".   Apresentavam sintomas de prepotência, vaidade, insatisfação, depressão, confusão mental;
2- missão dos anjos: organizar uma festa de arromba para estes brasileiros, sem a preocupação com gastos de decoração e serviço de "buffet";
3- recomendações:  Todos deverão ser tratado da mesma forma.

 O combinado fora cumprido.

O salão esta deslumbrante.  Flores as mais exóticas enchem vasos de cristal.  Luzes de todos os tons se misturam num vai-e-vem alucinante, desenhando no espaço, ora uma cascata cristalina, descendo do alto do penhasco, serpenteando entre pedras do caminho até chegar espumante e vitoriosa no ribeiro que a acolhe e a leva pro além; ora as luzes se misturam fazendo aparecer um bando de borboletas beliscando flores que suspiram de prazer; ora tudo fica negro e surge  uma revoada de pirilampos como se fossem lanterninhas voadoras e saltitantes.

 Os convidados vão chegando, e uma orquestra os recebe ao som da quinta sinfonia de Beethoven.
 Todos acomodados, as portas se fecham.  Do alto uma voz rouca e dominadora: __  "O espetáculo vai começar".

 Assim que um anjo assume o microfone para comandar a festa, outro chega e cochicha ao seu ouvido.
 __Senhores e senhoras, temos um retardatário.

 Todos os olhares se voltam para a porta que range ao ser aberta.  Respiração descompassada, suor escorrendo pelo rosto, roupa desalinhada, entra Tim Maia.  Riso geral.  Desinibido como sempre foi, solta o vozeirão.  Canta à capela e arrasa.

 O anjo apresentador assume o posto e informa:

  __Teremos um momento importante.  Fechem os olhos e reflitam... Reflitam sobe a vida que viveram.  Será dada oportunidade àqueles que tiverem algo a comentar.

 A primeira a se manifestar foi Hebe Camargo, brilhando mais que sol em verão de 40 graus.  Levanta-se e caminha com dificuldade ante o peso das joias que ostenta; mais parece vitrine de exposição em joalheria.  Torce o pé e o salto que era um "Luis XV" quebra e fica entalado nas nuvens.   Mantém a pose e caminha mancando.

 A espontaneidade, sua marca registrada, evaporou.  Séria, sorriso amarelo, voz embargada, desata a falar:
                                         A menina simples que eu era
                                         Conquistou fama, prestígio, riqueza.
                                         Achava-me uma princesa
                                         Que nada!  Só quimeras.
          Faço hoje um desabafo
          Tanta jóis, dinheiro acumulado
          Pensei só em mim... Vaidade.
          E o que deixei plantado?
          Ouro, brilhante, esmeralda, rubi
          E um palácio no Morumbi.
                                                 Crianças abandonadas
                                                 Velhinhos indefesos
                                                  E o meu dinheiro?
                                                  "Ta" lá no banco aumentado.
              O tempo vai passar
              O meu nome vai apagar.
              Talvez na mente de algum velhinho 
               Serei lembrada: a mulher do selinho.

          Lá no fundão surge um coral nota mil.
                   Tom Jobim, Vinícius, Nara Leão,
                    Noel Rosa, Ataulfo, Cartola,
                    Adoniran, Elis e Gonzagão.
                              Pegamos nossa viola
                              Música fizemos com inspiração
                              O povo canta, aplaude, não esquece
                               Cumprimos nossa missão.

          O apresentador convoca o político Celso Pita a dar depoimento.  
          O negro vira vermelho
          Lacrimeja, gagueja
          E humilde, cai de joelho.
                             Eu era homem honesto
                             Tinha família feliz.
                              Levaram-me pra política
                              Nem acredito no que fiz.
                                             Apadrinhado por Maluf
                                              Raposa esperta, voraz
                                              Ensinou-me tantas gafes
                                              E a roubar como ninguém faz.  
                                                  Minha maior tristeza
                                                   É servir de gozação
                                                   Ter meu nome lembrado
                                                    Como sinônimo de ladrão. 

O anjo apaga as luzes e tudo fica branco.  Portinari, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, jogam pro alto potes de tinta; dedos ágeis como se pincéis fossem manipulam as cores e no ar nasce obra de arte.
          Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas gritam:
                             Ultrapassamos todos os limites
                             Do corpo, da alma desenfreada, colorida
                              Fomos tolos, inconsequentes
                             Pagamos caro.  Foi com a vida.

          Como não podia deixar de ser, o Sr. Jânio da Silva Quadros tinha o que falar:
                                             Assumi a presidência
                                             Renunciei.
                                             Fi-lo não porque qui-lo
                                             Não havia jeito
                                             Desanimei.
                                     Cortem-me a língua
                                     Ceguem-me os olhos
                                     Ainda assim escreverei.
                                     Trair a nação?  Jamais.
                                     O exército armado e forte decretou:
                                     Presidentes, nunca mais!
Se o discurso colou, nunca saberemos.

Lá na frente um pessoal esfuziante chama a atenção.  Os olhares se voltam e encontram Golias, Nair Belo, Mussum, Grande Otelo, Dercy Gonçalves e a "Perereca da Vizinha" transforma a festa num grande carnaval.

Para o encerramento, aquela voz rouca e dominadora se fez ouvir outra vez:
 __Reflitam:
                               " O que é que fazia você feliz?
                                          O que é que você fez pra ser feliz?
                                             Frutos contaminados ou saudáveis?
                                É agora... Eu os colherei..."


                                    

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Odisseia no Espaço - Jorge da Paixão



Odisseia no Espaço
Jorge da Paixão

Brilha lá no céu azul
uma lua maravilha.
Ela vai do norte para o sul
numa marcha positiva.

As estrelas  uma colmeia
cravejada de brilhantes,
desvendando a odisseia
em aventuras interessantes.

Me inspiro no Universo
que enriquece a minha ideia.
Vou compondo mais um verso
feliz daqui da plateia !

A arte da constelação
é o divino esplendor,
com a Natureza em ação
regendo paz e amor...

O amor é o horizonte,
aurora da felicidade,
com o brilho radiante
da Perfeita Liberdade !

O Y A S H I K I R I ...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Poema para meu amor - Jorge da Paixão




Poema para meu amor
Jorge da Paixão

É tão sublime aquela luz
iluminando o meu caminho.
É o amor que lhe conduz,
conduzindo-a com carinho.

O amar é uma emoção
de prazer pela existência.
Ofertando o coração
para alguém com paciência !

Sempre a vida tem razão
ao obedecer o destino.
Às vezes na contra mão,
mas, com esperança vai seguindo...

O alvo da minha vida,
é teu nobre coração.
Nele peço acolhida
para sair da solidão.

Quando existe aliança,
são perfeitas as emoções,
para que o amor em liderança,
possa unir dois corações !
 
O Y A S H I K I R I ...

Dinah Ribeiro Amorim - Comenta nosso blog.




Parabéns pelas histórias escritas e lidas em nosso blog. 
Estão realmente muito boas! 
Prendem cada vez mais a nossa atenção! 
Imagino quem nos visita deve ficar bem satisfeito. 
Não cansam! 
Devemos isso  às nossas criadoras! 
Obrigada por mim,  e por todos! 

Dinah Ribeiro Amorim

terça-feira, 7 de maio de 2013

Festa de aniversário da Rosa Vermelha - Jorge da Paixão



Festa de aniversário da Rosa Vermelha
 Jorge da Paixão

O jardim estava todo enfeitado e perfumado para comemorar no dia da primavera o aniversário da Rosa Vermelha.

Os come e bebe estavam sendo agilizados sendo a Abelha responsável pelos doces e salgados , o Besouro pelas bebidas, o Lagarto pela decoração e o Camaleão pela segurança. A orquestra formada de músicos profissionais, tais com : O sabiá, o Canário Amarelo, o Rouxinol, o Bem-ti-vi, o Cardeal e o Grilo no contra-baixo. todos na expectativa aguardando a presença dos cantores Uirapuru e a Cigarra para animação da festa.

O Anfitrião todo animado recepcionando a todos com um beijinho cortês era o Beija-flor.

Na noite badalada no jardim começaram a chegar os convidados elegantemente trajados : A rosa Amarela, a Rosa Branca, a Rosa cor de Rosa, a Dalia, a Violeta, o Cravo todo metido a conquistador, o jasmim meio afobado porque ele é apaixonado pela Rosa Vermelha e ela ainda não sabe ! Chegou também o Vaga-lume com uma tatuagem nas costas de braço dado com a Formiga cumprimentando todo mundo com o seu pisca-pisca. Até o poeta foi convidado mas, quando chegou a festa já
tinha acabado !

Meia noite em ponto começou a festa, todos dançavam animados ao ritmo da orquestra Laviolense com a harmonia da dupla dos cantores que cantavam assim:

Minha saracura, minha zabelê, toda de manhã estou sonhando com você, se você duvida vou sonhar prá você ver, se você duvida vou sonhar pra você ver...

A noite estava muito linda com o brilho das estrelas enfeitando o luar de esperanças e uma brisa suave envolvendo o ambiente com o aroma romântico do perfume das flores foi quando o Jasmim se aproximou da Rosa Vermelha e sussurrou no seu ouvido: Eu te amo !

O melhor presente de aniversário que ela recebeu foi essa declaração de amor !


quarta-feira, 1 de maio de 2013

ALITERAÇÃO E ASSONÂNCIA NA VIDA DE ANA! - Dinah Ribeiro de Amorim




ALITERAÇÃO E ASSONÂNCIA NA VIDA DE ANA!
 Dinah Ribeiro de Amorim

  Ana, mulher bacana, tão cheia de grana, acaba morando em cabana, rodeada de grama.  

  Perdeu a fortuna no jogo e aí começou o seu drama.

  Joguinho fácil a princípio, rodinha pequena de amigos, levando-a a um grande vício, sem percepção no início.

  Cada noitada, esperançosa, entrava numa rodada, cada noitada, chorosa, levava uma lavada.

  Vai empenhando suas coisas, esperando que a sorte mude, transforme o destino da coisa, jogando mais à miúde!

  Mas a sorte não muda não, sorrindo para o João, que deixa de ser pobretão para ser o rico Dr. João!

  Coitadinha de Ana! Mulher tão bacana! Esvaziou os seus bolsos, passando para João os seus soldos!

  Acontece que João, agora rico e solteirão, amava secretamente, nutria por ela paixão!

  Compadecido, pede sua mão em casamento, emocionando a todos com esse gesto de encantamento.

  Ana aceita logo o pedido, renasce para nova vida, transformando em sorriso, toda tristeza sentida!



segunda-feira, 29 de abril de 2013

OLHA O FEIRANTE AÍ, GENTE! - Carmen Lucia Raso



OLHA O FEIRANTE AÍ, GENTE!
Carmen Lucia Raso

-Ovo e uva boas! Gritava o garoto da banca da feira.

-Olha o caqui, o mais barato e bonito é aqui!

Todos gostavam dele e a banca dos pais era sempre repleta de gente comprando.

O tempo foi passando e o garoto cresceu, era maior de idade e ficava mais astuto ao lidar com o freguês:

-Leva a banana, casal japonês!

-Lindo menino, fala pra mãe levar pepino. O seu nome é Nino?

-Melancia, quem leva fica com a pele macia e os tomates são de bacia! Podem levar!

Todos que passavam riam, paravam e compravam só pra escutar aquele jovem tão brincalhão e feliz. Ajudava os pais durante o dia e estudava á noite, mal tinha tempo de se alimentar e dormir, mas era feliz.

Seu maior desejo era terminar a faculdade e ter um estabelecimento mais lucrativo, tanto pra ele como para seus pais.

Era uma luta, a sua labuta. Havia dias que dormia sentado de tão cansado e o tempo tinha passado. Estudava, trabalhava pra um dia ser vitorioso, virar empresário, dono do próprio negócio e sem ócio.

Este menino venceu, conhecido e amado por muitos virou um homem de respeito, sem orgulho no peito, não perdeu a marotice em seu jeito.

Marina, da orla marítima - Carmen Lucia Raso




MARINA, DA ORLA MARÍTIMA
Carmen Lucia Raso


Marina, moça bonita, mora na orla marítima com sua família, gosta de se pintar como as moças das revistas.
O seu sonho é morar na grande cidade, sonhava acordada com o sonho de ser notada pela sua beleza e morenice.

Todos os dias esperava seu pai que voltava do alto-mar trazendo barco cheio de peixes pra vender no mercado e fartar o almoço e o jantar, até um dia em que sentada na areia olhando o nada e sonhando seu sonho viu um homem alto, de pele lisa e cabelos bonitos como nunca vira ninguém.

Ele lhe convidou a tirar fotos pois nunca vira menina moça tão linda em sua beleza natural e Marina vislumbrou a fama, ficou famosa e se tornou estrela em alguns segundos.

Marina sentiu tão forte o “tum-tum” do seu coração que não acreditava no que estava acontecendo, pois tanto sonhou e sonhou que isto seria verdade ou estaria sonhando ainda?

O pai da menina chegou sorrindo prá filha. Despejou os peixes no velho isopor e rumaram para casa que era apertada, pequena e toda arrumada. A mãe recebeu a todos com seu sorriso e foi perguntando quem era o moço que não conhecia.

Marina mais que depressa se apressou em dizer que era seu sonho dando certo e que poderiam se entender e ela poderia ganhar bem e poderia ajudar a família e poderia chegar a cidade grande e ficar famosa.
O homem garantiu aos pais que cuidaria da menina, de seu irmão que ia junto, de sua carreira e sempre que pudessem voltariam a visitá-los.

Marina, linda menina, foi aprovada em todos os testes e ficou famosa no campo da moda fazendo desfiles e tirando fotos pelo Brasil e pelo mundo.

Estudou, cuidou dos irmãos e dos pais e seguiu em frente e era admirada e querida por toda a gente.
Ficou formosa, famosa, talentosa e maravilhosa.

Festa de aniversário da Rosa Vermelha - Jorge da Paixão





Festa de aniversário da Rosa Vermelha
Jorge da Paixão

O jardim estava todo enfeitado e perfumado para comemorar no dia da primavera o aniversário da Rosa Vermelha.

Os comes e bebes estavam sendo agilizados sendo a Abelha responsável pelos doces e salgados , o Besouro pelas bebidas, o Lagarto pela decoração e o Camaleão pela segurança. A orquestra formada de músicos profissionais, tais com: O sabiá, o Canário Amarelo, o Rouxinol, o Bem-te-vi, o Cardeal e o  Grilo no contrabaixo. Todos na expectativa aguardando a presença dos cantores Uirapuru e a Cigarra para animação da festa.

O Anfitrião todo animado recepcionando a todos com um beijinho cortês era o Beija-flor.

Na noite badalada no jardim começaram a chegar os convidados elegantemente trajados : A rosa Amarela, a Rosa Branca, a Rosa cor de Rosa, a Dália, a Violeta, o Cravo todo metido a conquistador, o jasmim meio afobado porque ele é apaixonado pela Rosa Vermelha e ela ainda não sabe !

 Chegou também o Vaga-lume com uma  tatuagem nas costas de braço dado com a Formiga cumprimentando todo mundo com o seu pisca-pisca. Até o poeta foi convidado mas, quando chegou a festa já tinha acabado !

Meia noite em ponto começou a festa, todos dançavam animados ao ritmo da  orquestra Laviolense com a harmonia da dupla dos cantores que cantavam assim: 

Minha saracura, minha zabelê, toda de manhã estou sonhando com você, se você duvida vou sonhar prá você ver, se você duvida vou sonhar prá você ver...
A noite estava muito linda com o brilho das estrelas enfeitando o luar de esperanças e uma brisa suave envolvendo o ambiente com o aroma romântico do perfume das flores foi quando o Jasmim se aproximou da Rosa Vermelha e sussurrou no seu ouvido: Eu ti amo!

O melhor presente de aniversário que ela recebeu foi essa declaração de amor!