BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Saudade da saudade - Suzana da Cunha Lima


Saudade da Saudade
Suzana da Cunha Lima


Saudade

Do que podíamos ter feito e não fizemos

do abraço que negamos,

do perdão que recusamos

das portas que fechamos

das desculpas que não demos

do amor que não vivemos

dos amigos que esquecemos

 

e da coragem que não tivemos

quem sabe...

para ousar o grande salto

e ser feliz...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Olhar Literário - Quem sou? - e Uma guerreira - Suzana da Cunha Lima


OLHAR LITERÁRIO
Suzana da Cunha Lima


Quem Sou?
(Primeiro texto)
Suzana da Cunha Lima

 

Vejo uma senhora que traz consigo uma enorme bagagem de vida. Deve ter trabalhado bastante em atividades profícuas que a fizeram se senti útil e respeitada.


Hoje, só faz o que lhe dá prazer; é o que noto na suavidade de seus traços e na luz de seu olhar.


Mantém-se ativa e curiosa, e apesar de seu rosto mostrar a passagem dos anos, seu sorriso é alegre e ela transmite segurança, auto-estima alta e curiosidade pela vida.


É uma senhora que apenas tem idade, mas encontra-se com a cabeça jovem, vivendo hoje as experiências possíveis.


Pode ter-se casado e ter tido filhos, mas não é simplesmente esposa e mãe.


É uma mulher do mundo que caminha nele aceitando as mudanças, e ela própria transforma o que pode, por onde passa, somente com sua presença.


 
UMA GUERREIRA
(Segundo texto)

Quantos de nós gostaríamos de ter uma história tão forte e ao mesmo tempo tão comovente para narrar?

Mas quem gostaria de estar vivendo na Alemanha nos terríveis anos da guerra, perpretada por um louco sem um mínimo de decência humanitária? Alguém que julgasse lixo ou não humano, qualquer um que não fosse da raça ariana?

Ingrid estava lá e certamente não pediu para estar. Ela simplesmente nasceu lá, mas não se conformou com as barbáries das quais foi testemunha.

Quem hoje vê esta senhora fina, de belo sorriso e olhos luminosos, jamais poderia adivinhar o que ela passou.

Vestiu-se de homem e engajou-se como soldado para salvar dezenas de crianças judias das câmaras de gás.

Foi descoberta, presa e torturada e assim mesmo nunca revelou o esconderijo destas crianças.

Por Acordos Internacionais, foi libertada e veio para o Brasil. Nosso país lhe deu mais do que um abrigo: lhe deu a possibilidade de estudar, é advogada, formar uma família e se dedicar à continuidade de seus planos humanitários, com mais conhecimentos e experiência, num clima de liberdade e respeito.

Aqui ela conseguiu cuidar das 217 crianças que salvou, e até mesmo receber a indenização de guerra para si própria e suas crianças.

Sua figura demonstra isso: apesar da aparente fragilidade de seu rosto marcado pelos anos e de seus cabelos brancos, há nela uma força interior extraordinária, uma chama de coragem que lhe permitiu ultrapassar toda dor e dificuldade, sem perder a ternura.

Sem saber anteriormente sua história, eu já havia percebido que ela era mais do que uma avó ou profissional. È uma mulher que fez a diferença por onde passou.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

BAILE DE MÁSCARAS! - Dinah Ribeiro Amorim



BAILE DE MÁSCARAS! (Conto)
Dinah Ribeiro de Amorim



Tudo pronto para o maior acontecimento do hotel: baile de máscaras. Chega o carnaval.

Salões enfeitados, decoração típica, a melhor orquestra da cidade tocaria as marchas carnavalescas até o amanhecer.

Esperando os convidados, garçons uniformizados movem-se constantemente para os arranjos finais: toalhas nas mesas, cadeiras em ordem, pilhas de pratos, talheres e copos trazidos da cozinha e colocados numa mesa longa, ao canto, para os pratos quentes.

Cuidam para que tudo saia a contento, agrade e faça o sucesso da noite.

Às 23,00h, alguns convidados começam a chegar. Vestidos à caráter, usando máscaras coloridas, não deixam transparecer quem são, procurando suas mesas.

Em cima, nos apartamentos, alguns hóspedes se preparam para essa noite especial.

Cada um é um caso, uma história, um motivo.

Tem o senhor do 113, já velho e solitário, esperando realizar seu último sonho, encontrar a sua colombina, fantasiado de pierrô. Quem sabe daria certo e ainda teria uma companhia, ao envelhecer.

No apartamento 111, um casal se prepara para descer. Ele, ainda jovem, super disfarçado sob uma fantasia de zorro, espera impaciente os arranjos finais de sua companheira, uma jovem morena, bela, alegre e comovida, nunca ele a levara num baile de hotel, vestindo-se apressada com uma fantasia de cigana. A preocupação dele era não ser reconhecido e a dela, realizar um sonho, comparecer com ele em um baile de hotel, um acontecimento social, mesmo que disfarçados.

No 109, uma mulher cinquentona, bonita ainda apesar das plásticas, aparenta menos idade, sob uma maquiage bem feita. Veste-se de dama antiga, toda de preto, colocando uma máscara de purpurina vermelha, enquanto beberica aos poucos uns goles de conhaque, terminando com um chapéu de abas largas e plumas coloridas. Olha-se ao espelho e sente-se esperançosa ao descer. Encontrar um jovem agradável, atlético, na ilusão de mais uma noite divertida.

Apartamento 107. Um jovem frio, de traços determinados, cínico, prepara-se para uma noite proveitosa. Conhecer alguma mulher linda, solitária, rica de preferência, que em troca de algum carinho e atenção, permita-lhe roubar alguma jóia ou dinheiro para pagar a última prestação do novo carro que adquirira. Sua profissão: gigolô, mestre na arte de seduzir. Sua fantasia, ricamente ornamentada, D. Juan. Traduzia bem suas intenções.

No apartamento ao lado, duas amigas também se preparam para o primeiro baile de carnaval à noite, num hotel chique. Trabalharam muito no ano anterior e se achavam merecedoras desse momento. Trocar a vida simples e modesta em que viviam por uma noite, talvez inesquecível, em ambiente social diferente do delas, passando por suas cabecinhas loiras mil pensamentos inocentes e ilusórios, esperançosos e divertidos. Vestem-se de camponesas, mulheres simples de aldeia, com saias vermelhas, blusas brancas, coletes pretos e justos, lindas flores amarelas nos cabelos, lembrando campos floridos das zonas rurais.

Todos se preparam para descer, ao som da orquestra. O baile estava começando.

Marchas carnavalescas, barulhos abafados de cadeiras que se arrastam, pessoas que falam, copos que tilintam, garrafas que se abrem. Em poucos instantes, um salão aparentemente quieto, cria vida, anima-se, enche-se de movimentos, ruídos e luzes.

Os convidados que estão hospedados no hotel, já prontos, dirigem-se ao elevador para descerem ao salão. Por enquanto, sete ao todo, sem contar com um casal muito gordo que aparece de repente, forçando também sua entrada, corados e sorridentes como todo gordo, humildemente pedindo licença e juntando-se aos outros. A gordura deles apertaria um pouco os demais e amassaria as fantasias. Contrariados, encolhem-se todos, deixando-os entrar.

O elevador antigo, já meio desgastado por tantos anos de uso, num hotel de grande nome mas quase falido, sem dinheiro para revisões adequadas, fecha a porta e começa a descer.

Quase no térreo, talvez por excesso de peso, para subitamente, assustando seus passageiros que olham-se espantados.

Que seria? Algum curto-circuito? Queda da energia elétrica? Apertam vários botões, acessam a emergência e nada, ninguém responde.

Alguns começam a tremer, empalidecer, sentir-se mal.

Abafados pelo calor e apertamento, as senhoras mais idosas sentem pequeno desmaio, levantadas rápido pelos mais jovens pela falta de espaço.

Começam a dar socos e pontapés nas portas e paredes do elevador para serem ouvidos até que uma voz grita de fora para terem paciência. Houvera uma queda da luz mas o socorro já estava vindo.

Acalmam-se aos poucos, com o coração e a mente em confusão, medo, arrependimento. Mil pensamentos estranhos passam por suas cabeças. As fantasias, os chapéus, as roupas apertadas, incomodam e as pinturas excessivas começam a escorrer com o calor.

Estranho, nesse momento difícil, a primeira coisa que fazem é tirar as máscaras, como se quisessem, fizessem questão de mostrar o rosto, como eram e quem eram de fato. Para quem? Não se sabe. Talvez para si próprios. Uma necessidade de confissão, de se mostrar realmente, para os companheiros de infortúnio, embora estivesse escuro.

Passam ali algumas horas e, aos poucos, começam a falar em voz baixa, abrindo-se uns com os outros. Falam um pouco sobre suas vidas, suas intenções, seus desejos e ambições. Revelam-se como a um padre, pastor ou confessor, pessoas que se sentem nos momentos finais de vida, sem saberem o que lhes irá acontecer. Sentem-se amigos, unidos pelo trágico acontecimento. Interessam-se por todos...

Cansados de tanto esperar, acomodam-se como podem, vão parando de falar e, alguns, adormecem um pouco. O rapaz frio e cínico é o único que está atento aos sinais de fora, com fisionomia preocupada e confusa, já não tão seguro de si como antes.

Foi o primeiro a descobrir movimentos. A ouvir sons da chegada de socorro. A porta se abre e, felizmente, para um corredor abaixo e não parede. Cutuca os companheiros e avisa-os que estavam livres. Ajuda-os a sair enquanto a luz se acende.

Todos escapam, arrumam-se aliviados, loucos para chegarem aos seus quartos. Despedem-se amistosamente e, lembram-se, que estranha preocupação, estão sem máscara!

Colocam-na rapidamente, como a esconder seus rostos, voltando à realidade de suas vidas, novamente.

Será que seriam os mesmos após essas horas? Alguns sim, mais um desastre difícil a ser vencido. Outros, não, uma tomada de consciência, uma certeza de que não somos nada diante dos perigos da vida, dando valores demais à matéria, às atrações deste mundo, sem ligar aos verdadeiros objetivos dessa nossa vida terrena!

O baile de carnaval continuou até tarde, com batucadas, marchas, cordões, foliões bêbados e atrevidos, mulheres exibicionistas e assanhadas. Mas, para a turma do elevador, pelo menos, nessa noite, acabara-se a folia!

Olhar Literário - Dinah Ribeiro Amorim

O OLHAR LITERÁRIO

Dinah Ribeiro de Amorim


                
Olhar Literário  (1)

É uma senhora idosa, sorridente, de cabelos arrumados, ondulados, brancos e sedosos!
Seu corpo magro e delicado, transmite cuidados e asseio, preocupação em vestir-se.
Seu rosto, ligeiramente enrugado, de olharzinho vivo e penetrante, transmite brandura.
Não aparenta ser estrangeira. Talvez descendente. Talvez descendente de italianos ou portugueses.
Veste-se de maneira apropriada à sua idade e ao local que freqüenta. Uma sala de aula.
 Tem idéias modernas, procura acompanhar a época em que vive. Não só para agradar filhos e netos mas para sentir-se bem consigo mesma, realizada, feliz, participante.
Já passou por muitas coisas na vida. Já vivenciou problemas, tristezas, trabalhou muito.
Sente-se mais feliz agora, com missão cumprida, filhos criados, casados, viúva recente, dedica-se finalmente a fazer aquilo que gosta: escrever!

                                                     

 Olhar Literário (2)



NOVO OLHAR LITERÁRIO SOBRE A MESMA PESSOA, CONHECENDO MELHOR SUA VIDA!


Escrever sobre esta bela senhora, olhando-a e imaginando sua vida, é fácil, sem conhecê-la realmente.
Escrever sobre esta brava mulher, Ingrid Lunderbung, de origem alemã, que participou da segunda guerra mundial, sofreu os horrores causados pelo nazismo e, usando de uma estratégia muito inteligente, no meio dos soldados alemães, vestindo-se de homem, ficando no meio deles, conseguindo esconder crianças judias e salvando-as da câmara de gás, é difícil! Angustiante imaginar os desafios, os medos, os perigos que sofreu! Quase impossível e incompreensível olhar sua fisionomia alegre, de grande força íntima, saber que está viva, no Brasil, após ter sido descoberta, torturada e presa. Conseguiu salvar 217 crianças judias, com indenização para todas, através de sua profissão de advogada dos direitos internacionais. Trabalho que realizou mais tarde, em nosso país.
Só mesmo uma pessoa muito corajosa, de grande fé no amor, na justiça divina e na liberdade, conseguiria realizar semelhante proeza.
Que Deus a ajude a terminar seus dias em paz, sem grandes dores, a vencer esta doença terminal também porque seus feitos brilhantes nesta vida já salvaram sua alma, no Céu!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

BAILE DE MÁSCARAS - Carmen Lucia Raso

                 

BAILE DE MÁSCARAS
Carmen Lucia Raso


Era uma noite de verão, minhas amigas passaram em casa, fazendo de tudo para que eu deixasse o conforto do meu sofá e o filme ao qual assistia. - Vamos embora! Levanta daí! Diziam.

-Trouxemos um vestido de melindrosa, pra você sair como nós, brilhantes e faceiras!

Eu não estava mesmo afim de sair, pois naquele sábado todos os filhos resolveram viajar, seria feriado na 3ª-feira e resolvi descansar. Mas qual o quê. Acabou o meu sossego e começou a folia, com aquelas três seiscentonas buzinando na minha cabeça. Lá fui eu!

Tomei um banho rápido já estavam com meu vestido em punho, a outra me fazendo sentar para ajeitar uma maquiagem pesada. A outra ia prendendo meus cabelos num coque desarrumado.

Depois de muitas risadas e preparativos rumamos ao Clube da cidade, com as máscaras que nós mesmas fizemos com a ajuda de um artista italiano que apareceu prla nossa cidade.

Ao entrar no salão ouvi uma marchinha que me remeteu aos anos 60, éramos adolescentes e adorávamos ir a qualquer festa do Clube. Cumprimentamos alguns amigos e conhecidos e rumamos para uma mesa reservada pelas amigas.

Mal sentamos pararam em frente a nossa mesa nosso grupo de colégio, agora grisalhos, uns com as esposas ou maridos, outros sozinhos.

Alguém pegou em minha mão e me arrastou pelo meio do salão. Fui tentando identificar pela voz, pelo porte, quem seria? Quando se virou e me abraçou, consegui identificar aquele olhar, não podia acreditar. Seria verdade quem eu estava pensando?

Ele, que a tantos anos não via, pois assim que completou o 3º ano do Colegial, com o falecimento de seu pai, mudou com sua família para a capital e nunca mais soube do Max, meu 1º namorado. Seria ele mesmo?

Foi lindo e bom demais, dançamos e conversamos a noite toda, sentia-me como uma adolescente e ele também. Sentíamos uma alegria e uma energia indescritível.

Lá pelas tantas, já quase amanhecendo, me levou para casa e renasceu aí uma paixão, um amor, sem máscaras. A Melindrosa e o Pierrô, casal que até hoje estão juntos.

BAILE DE MÁSCARAS SURPREENDENTE - Carmen Lucia Raso



 BAILE DE MÁSCARAS SURPREENDENTE
 Carmen Lucia raso

Parada diante do espelho, Lili não acreditava ser ela mesma. As roupas bordadas com canutilhos, pedrarias e strass, coloriam aquele vestido verde esmeralda que mandara fazer na ocasião de seus dez anos de casamento. Pedira à costureira uma reforma no modelo e para a bordadeira que bordasse exatamente como idealizara.

-“Está  lindo! E a máscara?” Lembrou de quando esteve em Veneza com seu irmão, logo após sua separação, havia uns dois anos, trouxe-a adivinhando que um dia a usaria e a colocou sob o chapéu de abas pouco largas cheia de babados.

O espelho refletia exatamente o que ela havia imaginado: Alguém incógnita que chamaria a atenção pela sua beleza e auto-confiança.

Respirou fundo, pegou a bolsinha, deu meia volta, espirrou em si um “Dolce e Gabbana” e saiu.

Dentro do seu carro a caminho do baile que seus primos gêmeos iriam realizar naquela noite, pensava como se sentia sozinha depois que ela e Carlos resolveram se separar. Nem filhos tinham, trabalhava muito como juíza, ocupando todo o seu tempo.

A caminho do bairro dos jardins, foi pegando atalhos entre seus pensamentos para fugir do trânsito da 6ª-feira á noite da cidade de São Paulo.

A rua para se chegar á casa dos primos estava tão movimentada evidenciando o grande número de convidados, pois seus primos eram bem relacionados e como donos de várias casas noturnas famosas  na cidade não poderia ser diferente. Conseguira chegar ao  portão principal onde os valets estacionavam os carros dos convidados.

Se aproximando da entrada observava que o grande gramado  e a piscina iluminada refletiam o bom gosto por onde se passava.

Pessoas bem arrumadas, os homens de fraque exibiam-se para os outros e para si mesmos.

As mulheres, com seus vestidos longos, mostravam variados tipos de máscaras. Algumas como ela vestiam máscaras de Veneza, outras apenas cobriam o contorno dos olhos e outras usavam pequenos chapéus com camadas de tule, cobrindo todo o rosto.

Foi andando pelo jardim procurando por sua família e logo avistou os gêmeos, com seus 39 anos, corpos atléticos, junto a seus pais e suas lindas mulheres.
-Que bom, estávamos à sua espera! Disse um dos primos, assim que ela se identificou.
-Meu Deus, eu não te reconheci, que linda que você está Lili! Disse o tio.
E por mais alguns minutos trocaram elogios e cumprimentos.

Havia ao fundo do jardim, uma banda que tocava  todos os tipos de música e no meio do gramado foi erguida uma tenda iluminada que servia como pista de dança. Flores brancas de grande variedade decorava toda a casa.

Passando por eles um homem de aproximadamente 50 anos, grisalho, alto, muito elegante, se aproximou. Abraçou os aniversariantes e foi apresentado aos demais, sem receber muitos detalhes sobre quem eram as mulheres, pois estas teriam de ficar incógnitas até o final da festa.

Lili prestava muita atenção naquele homem tão charmoso e ele também, conversando com todos, olhava para ela num misto de encantamento e curiosidade.

A  certa altura, os primos e a família resolveram circular e então Luis convidou-a  a andar pela festa, tomando um drinque ou se servindo de algum petisco. Levou-a a dançar e conversaram sobre trabalho, família viagens e descobriram muitas coisas em comum, inclusive que estiveram em Viena na mesma época e que estiveram lá em função da separação de cada um.

Sentiam uma forte atração um pelo outro, pois se olhavam no fundo dos olhos e a emoção tomava conta dos dois.

Luis insistia em saber seu nome e ela rindo, sussurrou:- “Todos os meus amigos me chamam de Lili  e você eu deixo. Pode me chamar de Lili.”

Atrás da máscara e dentro dela Lili pensava o porquê Luis não a largava se nem ao menos sabia como ela era, feia, bonita, loira ou morena. A única coisa que ele sabia é que ela fazia parte daquela família.

Ao final daquela festa maravilhosa, combinaram se encontrar, passaram seus telefones e não pode levá-la pois estava de carro. Saíram um atrás do outro e ela percebeu que ele a seguia. –“Será que está me seguindo?” Lili pensava e Luis estava achando engraçado, pois ela estava fazendo o mesmo caminho que ele.

Ao mesmo tempo que se divertia com esta idéia Lili foi diminuindo a velocidade do carro e deixou que ele passasse à sua frente, qual a surpresa, ele entrou na mesma garagem do seu prédio.

Lili estacionou em sua vaga e observou que Luis ocupava a vaga do apartamento do andar de cima do seu. –“Então é ele o novo morador?” Acabara de se mudar e nunca haviam se encontrado.

Lili não tirou máscara , nem chapéu, deixou para o dia do encontro a curiosidade que Luis estava em conhecer sua identidade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Desencontros - Hirtis Lazarin


Desencontros
Hirtis Lazarin

Ela estava irreconhecível. O brilho dos olhos atrevidos desapareceu e o sorriso maroto também. Uma flor no galho demora alguns dias pra mudar de cor, murchar e despencar no chão. Com Luíza foi tudo muito rápido, a mudança aconteceu de hoje pra amanhã como dizia vovó Vírginia. Luíza afastou-se de tudo e de todos. Não tolerava indagações que a deixavam ainda mais constrangida e arisca. Seu rendimento escolar despencou vertiginosamente. Os professores percebiam-na ausente, olhar parado e perdido.

Andava por onde o pensamento de Luíza? Era o que todos gostariam de saber. Os pais recorreram a uma psicóloga que fracassou. Um "check up" mostrou que a saúde física da garota estava perfeita. Apesar da grande preocupação, a família resolveu dar um tempo, o tempo que ela, no seu silêncio, pedia.

A turma da escola decidiu organizar um baile de máscaras com o propósito de arrecadar fundos para a formatura do final do ano. Todos estavam empenhados nesse trabalho e Luíza também. Sua mãe trouxe-lhe da cidade grande uma fantasia exuberante, a mais bonita que encontrou.

Durante a festa, Luíza permaneceu sentada o tempo todo. Nem a alegria dos colegas nem a alegria da músca conseguiram arrancá-la daquele torpor. A máscara protegia seu rosto molhado pelas lágrimas que não conseguia reprimr.

Num momento qualquer, Luíza levantou-se bruscamente, sua cadeira saltou longe e foi parar no meio do salão. Assim como uma girafa alonga o pescoço o mais que pode pra alcançar um fruto bem no alto da árvore, Luíza esticava o seu pescoço, virava a cabeça pra todos os lados e procurava algo...

Feito um robot tenta caminhar cuidadosamente entre o os foliões; esquivando-se de uns, atropelando outros, parece seguir uma trilha já marcada no chão; está tão determinada quanto uma abelha que ao sentir o perfume da flor preferida, encontra-a num piscar de olhos e sem nenhum esforço escondidinha entre galhos e muitas outras plantas. Luíza chega ao bar do salão e estanca os passos bem atrás de um jovem mascarado que espera ser atendido. Ali era o ponto final do seu trajeto. Chegou bem pertinho até a ponta do seu nariz tocar-lhe nas vestes; inspirou o ar que o envolvia com tamanha intensidade que o seu arfar fez com que ele se voltasse para trás. Luíza não tinha dúvida. Era ele, Abraçou-o tão apertado quanto suas forças permitiram; puxou-lhe o rosto junto do seu e o beijou com vontade...com determinação...e com prazer. O rapaz com dificuldade conseguiu se desvencilhar daqueles braços, tirou a máscara e dois assustados e arregalados apareceram. Teria sido confundido ou estaria diante de uma desvairada?

Luíza arrancou sua máscara também. Um sentimento de magia os envolveu. André não pensou duas vezes. Juntou seu corpo ao dela com sofridão. Uma explosão de sentimentos guardados.

Retiraram-se para um cantinho mais tranquilo onde puderam se entender. André e Luía estudavam na mesma escola e mantinham um namoro secreto. Nesse tempo, o pai de André fora transferido e a família mudou-se para a capital de outro Estado. Os dois mantinham contato diário por emails Aaté o momento em que André recebeu um email mostrando fotos de Luíza abraçada a outro rapaz. Apaixonado, mas inseguro e cheio de ciúmes, acreditou nas fotos, não deu explicações e passou a ignorar os emails que recebia.

A inveja de alguém tinha provocado aquele grande equívoco. As fotos que André trazia guardadas no bolso eram de Luíza abraçando seu primo Gustavo numa festa de aniversário. Tudo ficou esclarecido. E uma promessa de confiança selou aquelemomento,

O sofrimento causado pela separação se diluiu naquele perfume único e exclusivo que só André exalava.



Atividade sugerida: construir uma trama onde a personagem descobre algo durante um baile de máscaras. Essa descoberta poderá mudar sua vida.