BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pedro Bandeira - entrevistas. Contação de histórias no SESC Santo Andre



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SESC SANTO ANDRÉ HOMENAGEIA PEDRO BANDEIRA




Escritor de livros infanto-juvenis ganha exposição, contação de história, apresentações e oficinas




O Sesc Santo André organiza, a partir desta quinta-feira (23/09), uma série de atividades em homenagem ao escritor de livros infanto-juvenis Pedro Bandeira. Até 30 de janeiro, o local recebe a exposição interativa e lúdica “Pedro Bandeira está pra brincadeira”, inspirada em sua produção literária. Até o fim de outubro acontecem ainda atividades como contações de histórias, oficinas e workshops, apresentações teatrais e encontros com educadores.
Exposição - Baseada em sua autobiografia “Lembrancinhas pinçadas lááá do fundo”, a proposta pretende contextualizar o autor e sua obra no panorama da literatura brasileira, incentivando as crianças à curiosidade pela leitura, apresentando os muitos livros de Pedro Bandeira e de outros autores clássicos, de forma lúdica e inusitada.
A exposição toma como ponto de partida as memórias da infância do escritor, que ocorreram num tempo em que não havia aparelhos eletrônicos como televisão, videogame ou computador e que valiam as brincadeiras inventadas, os brinquedos construídos e, principalmente, as incríveis histórias e aventuras que eram lidas em livros debaixo da árvore de seu quintal.
Confira a programação completa de setembro e outubro:
PALESTRAS
Bate-papo e tarde de autógrafos com Pedro Bandeira.
Dia 22 de setembro, quarta, às 16h.
Local: Área de Convivência.
“Brincadeiras e o brincar” com Renata Meireles, pesquisadora e autora do livro
Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil.
Dia 30 de setembro, quinta, às 20h.
Local: Teatro.
“Panorama da Literatura Infanto-juvenil” – mesa redonda com Marisa Lajolo
(escritora e pesquisadora), Márcia Tomsic (professora de literatura) e Cleide
Papes (professora de letras).
Dia 26 de outubro, terça, às 20h.
Local: Teatro
CONTAÇÕES DE HISTÓRIA E INTERVENÇÕES - REALEJO POÉTICOO Realejo Poético é uma intervenção original que estabelece contato com as pessoas por meio do lirismo, da poesia e do encanto do teatro de animação, permeados por uma música doce, suave, embala lembranças e desperta emoções. Trata-se de uma intervenção itinerante na qual um bonequinho – chamado carinhosamente de “Poeta” - sorteia poesias para o público ao som de música ao vivo. Criado pela Cia. Patética em maio de 2003 com a intenção de resgatar a beleza da escrita e da oralidade que as poesias nos proporcionam, aprofundando as pesquisas e trabalhos da Cia. no contato com o público por meio do Teatro de Animação.
Dia 22 de setembro, quarta, das 14h às 17h30.
Dia 12 de outubro, terça, das 14h às 17h30.
Local: Diversos espaços da Unidade


O MISTÉRIO DAS PRINCESINHASIntervenção artística baseada no livro de Pedro Bandeira “O fantástico mistério de Feiurinha”. Realizada por três atrizes fantasiadas de Branca de Neve, Bela Adormecida e Chapeuzinho Vermelho. O livro conta história das principais personagens dos contos de fadas que vivem outra realidade 25 anos após “serem felizes para sempre”: todas grávidas e com filhos, reclamam de seus maridos príncipes, menos Chapeuzinho que não se casou. Nesta história elas têm uma importante tarefa a cumprir: tentar descobrir qual é o conto de fada de Feiurinha, que ninguém lembra mais porque não foi escrito, pois assim, elas também correm o mesmo risco de serem esquecidas pelas crianças que não lêem mais histórias infantis.

Dia 22 de setembro, quarta, das 14h às 17h30.
De 2 a 30 de outubro, sábados e feriado, das 14h às 17h30.
De 5 a 26 de novembro, sábados e domingo, das 14h às 17h30.
Local: Diversos espaços da Unidade


REALEJO

Realejo “à moda antiga” com música de época e periquito amestrado (cadastrado no Ibama), que oferece ou marca um bilhete da sorte personalizado com trechos de livros e poesias do Pedro Bandeira.
Dias 25 e 26 de setembro, sábado e domingo, das 14h30 às 17h30.
De 10 a 24 de outubro, domingos das 14h30 às 17h30.
De 2 a 28 de novembro, domingos das 14h30 às 17h30.
Local Diversos espaços da Unidade


LÍLIAN MARCHETTI E A CIA SANTA PALAVRA

Tomando emprestados alguns elementos da Commedia Dell’arte, a Cia Santa Palavra preserva a autenticidade dos espetáculos criados a partir do improviso, utilizando-se de vários recursos, mostrando como é possível a união de diversas artes, numa explosão de emoção e riso. Temperado com humor ingênuo e absurdo do palhaço, o Grupo resgata uma época em que os artistas viajavam pelo mundo apresentando peças populares e alegrando o público por onde passavam. Por meio de suas histórias bem-humoradas e seus personagens quase sempre atrapalhados, Pedro Bandeira vai descortinando um universo cheio de fragilidades e conquistas. Os personagens de sua literatura, feita para crianças, sempre superam o seu medo e carregam um antiherói em sua essência, servindo como estímulo para a nossa própria superação. Sempre leves, mas com muita profundidade, contam-nos histórias que nos fazem rir e refletir. O repertório mescla as histórias rimadas onde o autor reconta brilhantemente fábulas de Esopo e da nossa cultura popular por meio das aventuras de, também Pedro, Malasartes formando assim um Buquê de Bandeira.
Dia 22 de setembro, quarta-feira, às 14h e 15h
Dia 16 de outubro, sábado, às 15h
Dia 23 de outubro, sábado, às 15h - Coraçãozinho de Chumbo - Cia Santa Palavra
Dia 30 de outubro, sábado, às 15h - a Nova Roupa do Rei - Cia Santa Palavra
Local: Área de Convivência


CIA. CONTO EM CANTOS

Imagine um moleque danado que só... seu nome: Pedro! Três histórias em que os personagens centrais chamam-se Pedro. Um deles é esse tal de Malasartes que apronta e gosta de fazer artes, inspirada no livro "Malasaventuras: Safadezas do Malasartes" de Pedro Bandeira. O segundo, não sabemos bem se é o Pedro Segundo, é a história de um rei sabichão, inspirada no livro "A Roupa Nova do Rei" de Pedro Bandeira e o terceiro é a história de “causos” de um menino que gostava de fazer travessuras e virou escritor... é ele mesmo: Pedro Bandeira, inspirado no livro "Lembrancinhas Pinçadas Lááá do Fundo" de Pedro Bandeira.
Dias 29 e 30 de setembro, quarta e quinta, às 8h, 9h, 10h, 14h, 15h, 16h.
De 6 a 28 de outubro, quartas e quintas, às 8h, 9h, 10h, 14h, 15h, 16h.
Local Área de Convivência


NOSSO GRUPO DE TEATROA atriz Paula Knoll, do Nosso Grupo de Teatro, apresenta contos narrados de maneira lúdica, dando vida, personalidade e sonoridade a objetos cotidianos. As histórias de Pedro Bandeira, especialmente produzidas para a exposição, contarão com dramaturgia e músicas próprias, seguindo um repertório variado baseado em suas memórias, releitura de contos clássicos e fábulas, atualidades como ecologia e cidadania e toda a gama de temas e personagens criados pelo autor. Introdução à obra de Pedro Bandeira, por meio de contação de histórias com músicas especialmente produzidas O Reizinho Da Estrada - Trocando As Bolas - Lembrancinhas Cantadas.

Dias 23 e 24 de setembro, quinta e sexta às 9h, 10h, 14h, 15h e 16h30
Dias 25 e 26 de setembro, de 2 a 30 de outubro, sábados e domingos às 9h30, 10h30 e 13h
Uma ideia Solta No Ar – É Proibido Miar - O Poeta e o Cavaleiro.
Dias 25 de setembro e 02 de outubro, sábados às 15h
Local Área de Convivência


GINGA & PROSA

Lígia Borges, contadora, acompanhada pelo músico Rômulo Albuquerque apresenta um repertório especialmente criado para a exposição, partindo de três recortes: histórias baseadas na vida; histórias recriadas e histórias originais de Pedro Bandeira.
Dia 28 de setembro, terça 8h, 9h, 10h, 14h, 15h, 16h.
De 1 a 29 de outubro, terças e sextas às 8h, 9h, 10h, 14h, 15h e 16h.
Local Área de Convivência


Serviço – A exposição “Pedro Bandeira está pra brincadeira” estará na área de convivência de 23 de setembro a 30 de janeiro. A visitação acontece de terça a sexta, das 8h às 18h e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. A entrada é franca.
O Sesc Santo André fica localizado na rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar. Telefone para informações: 4469-1200.

É possível sim - Hirtis Lazarin



É possível, sim!

 Santo Antonio da Cruz é um povoado que fica enterrado entre morros, lá no sertão de Goiás.  Pra se chegar lá, saindo da capital do Estado, são dias de viagem, numa estradinha de terra batida, bem distante de qualquer outra cidade.  Tem poucos habitantes, agricultores na sua grande maioria e, sem possibilidade de crescimento, pois uma única  fábrica emprega moradores.  É uma fábrica de fertilizantes e agrotóxicos, vendidos aos próprios moradores e às regiões vizinhas.  A produção é pequena.
 A vida ali é bem simples, televisão há em poucas residências, celular nem pensar, não há captação de sinais, festas só as promovidas pelo pároco da igreja pra comemorar o santo padroeiro e a festa de final de ano, oferecida pelo prefeito, como se estivesse prestando grande colaboração aos cidadãos.  E mesmo com tão pouco, os cidadãos se sentem felizes e agradecidos.  É um povo fervoroso, temente a Deus.
 Ah! Prefeito toda cidade tem, por pequena que seja.  É o cargo mais importante e que confere àquele que o ocupa uma grande importância também.  Leôncio de Mendonça, como gosta de ser chamado, é o prefeito e o dono da única fábrica da cidade.  Os funcionários da prefeitura e os assessores são todos da família "Mendonça".  A administração de Santo Antonio da Cruz, portanto, está nas mãos da família "Mendonça".  O prédio da prefeitura mais parece a segunda opção de moradia deles.
 Delegado não há.  O índice de criminalidade é zero.  Todos se conhecem e gente nova nunca chega lá.  Só de vez em quando, aparecem alguns parentes.
 O vigário da cidade Dom Eugênio, já bem velhinho, aposentado, foi embora do lugar.  Houve choro e emoção na despedida.  Ele participou da vida dessa gente humilde por mais de vinte anos.
 Chegou, então, o monsenhor Otavinho para substituí-lo e administrar os cultos religiosos.  Ainda bem jovem, foi chegando de mansinho, como quem só quer cumprir suas obrigações religiosas.  Mas deu pra perceber logo que era muito ativo e inteligente.
 Aos poucos, sondando daqui, sondando dali, conversando com oc moradores como quem não quer nada, foi aprendendo e descobrindo como tudo funcionava em Santo Antonio da Cruz.  A família "Mendonça" eram os únicos que raramente frequentavam a missa aos domingos, obrigação de todo católico; e nem outras cerimônias religiosas.  Pouquissimas vezes algum deles era visto na igreja.
 No sermão da missa de domingo, igreja lotada, padre Otávio começou, aos pouquinhos, a introduzir junto dos fatos bíblicos, fatos que acontecem nos dias atuais, estabelecendo um paralelo
entre eles.  Falava de política, direitos e deveres dos cidadãos, salário justo, progresso.  Um pouco de tudo.
 Aos sábados, no salão paroquial, começou a promover reuniões com os jovens.  Os jovens traziam à discussão os problemas e as dificuldades mais frequentes dos cidadãos.  Soluções eram discutidas, analisadas e apreciadas.  Aos poucos, o padre foi conquistando a confiança dos moradores e o número de pessoas nessas reuniões foi aumentando.  Um bom sinal.  Nem tudo estava perdido.  Mais gente participando, mais idéias, mais alternativas, soluções mais rápidas.  O objetivo do padre era orientar aquele povo justo e humilde a lutar pelos seus direitos, almejar uma vida melhor, usufruir um pouquinho das coisas boas que o progresso proporciona.
 A semente foi plantada.  Germinou.  Não foi fácil, nem de uma hora pra outra, mas a planta cresceu, floresceu e os primeiros frutos começaram a ser colhidos.
 A primeira conquista chegou: aumento de salário dos operários da fábrica, com direito a férias, décimo terceiro salário e carteira registrada.  A produção aumentou e a venda dos produtos também.  Patrão e empregados mais felizes.
 Mais casas compraram t.v. e mais informação chegou a mais gente.
 A escola foi reformada pelos próprios moradores, num mutirão em final de semana.  O curso que era de quatro anos foi ampliado pra oito anos.  Novos professores foram chamados.
 Tudo isso levou tempo, exigiu muito esforço. sacrifício e muita luta, pois a princípio a família "Mendonça" oferecia grande resistência às mudanças que estavam acontecendo, pois pouco a pouco perdia o domínio que tinham sobre a cidade.
 Agora, a população já se organiza pra promover a primeira eleição de verdade, pois até então havia candidato único, passando de um mandato a outro sem que houvesse qualquer objeção.  Sem exagerar, podemos dizer que o cargo era hereditário.
 Já apareceram até candidatos dispostos a concorrer ao cargo de prefeito, pois todos estão mais seguros e confiantes.
 O mais importante de tudo isso é que o povo de Santo Antonio da Cruz está aprendendo a caminhar sozinho e vislumbra novas conquistas.
 Podemos dizer que o povo de Santo Antonio da Cruz tem esperanças e sonhos.
 O Brasil precisa de muitos, muitos "Otávios".


(atividade sugerida: texto narrativo infanto-juvenil, inspirados nos textos "Um homem de consciência" (Monteiro Lobato)  e  "O homem que espalhou o deserto" (Loyola)


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma menina diferente das outras meninas - Hirtis Lazarin

              
Lilica -Uma menina diferente das outras meninas
Hirtis Lazarin



"LILICA"





Lilica é o nome da menina que vocês vão conhecer agora. Não é a "Lilica Repelica", não. Ela é filha de um casal que tem mais duas crianças: o Leo com dez anos e a Leninha com oito. Formam uma família muito legal e moram na fazenda "Vivenda Feliz".

Quando Lilica nasceu, foi uma festa! Todos aguardavam a sua chegada com muita ansiedade.

No primeiro banho, a mamãe Tereza percebeu um detalhe diferente na barriguinha do recém chegado bebê. Havia uma pinta grande acima do seu umbigo com formato de estrela, uma estrela muito bem desenhada. Dona Tereza chamou a vovó pra ver aquele sinal. Seria Lilica uma criança diferente das outras? Ou não, aquele sinal seria como outro qualquer?

O tempo foi passando... as crianças foram crescendo e Lilica, agora com seis anos, fica cada vez mais graciosa, comunicativa e amiguinha de todas as crianças da fazenda. Ela é a "queridinha" de todos. Na fazenda moram muitas crianças filhas dos colonos, adultos que cuidam das plantações e de todos os trabalhos que vão surgindo por lá.

Lilica tem a pele morena clara, os cabelos compridos pretos e brilhantes que mais parecem uma noie escura com muitas estrelinhas piscando e salpicando o céu; seus olhos são grandes e pretos feito duas jabuticabas pretinhas no pé.

É a fã número um da "Hello Kit". Tudo seu é cor-de-rosa: os lacinhos que prendem e enfeitam seu cabelo, os aneis e pulseirinhas, e até as paredes do seu quarto são forradas de papel rosa comflorzinhas espalhadas. É um encanto!

Lilica é apaixonada pelos animaizinhos. Tem uma poodle, a Cherry, branquinha como flocos de algodão. São inseparáveis. Cherry entende tudo que a menina fala e é tão esperta e danada quanto Lilica.

Lilica é a criança mais destemida do "pedaço". Não tem medo de nada. Nem adianta quando alguma criança quer assustá-la. Ela não dá nem bola... Todos vão à escola num micro-ônibus que passa na fazenda pra pegá-las. Escondido dos pais, Lilica vai a pé todos os dias. Sabe por quê? Porque no caminho vai encontrando animaizinhos e muitos insetos; brinca e conversa com todos eles. Até parece que ela conhece a linguagem dos animais. Já encontrou um sapo a beira da lagoa. Esqueceu da vida. Ficou ali brincando distraída por muito tempo. O sapo gostou das brincadeiras, pulava na água e saía...Pulava e saía... E Lilica fingia que ia pular também, até que de repente ela se lembrou da vida. Saiu correndo em disparada. Chegou atrasada às aulas. Levou bronca da professora.

Outro dia, encontrou um passarinho caído debaixo de uma árvore lá no pomar. Era um bem-te-vi, pois tinha as penas do peito bem amarelinhas. Ele piava um pio triste. Sua asinha direita estava ferida. Levou-o para casa, deu-lhe água e grãozinhos de arroz cru. Com muito cuidado e carinho alisava suas penas, pensando num modo de fazer-lhe um curativo. De repente, como num passe de mágica, a avezinha parou com aquele pio triste, bateu as asas e saiu voando feliz e curado. Desapareceu por entre o arvoredo do pomar, mas Lilica continuou ouvindo por um certo tempo o pássaro cantando: "bem-te-vi...bem-te-vi".

A princípio, Lilica ficou apreensiva perguntando a si mesma o que teria acontecido. Algum milagre? Não contou pra ninguém e com o tempo nem mais se lembrava daquilo. Criança esquece logo as coisas.

Dona Naná é a cozinheira muito querida na fazenda: uma senhora calma, amorosa e de fala mansa. Todos adoram os quitutes deliciosos que ela sabe preparar. Já faz parte da família. Trabalha com essa família há mais de vinte anos e não tem mais ninguém. oda tarde, na hora do lanche, lá vem Dona Naná com uma surpresa de lamber os dedos; canjica, doce-de-leite, pé-de-moleque, arroz doce, bolo, cda bolo recheado! Uma gostosura só!

domingo, 26 de setembro de 2010

Primavera - Ivonéte Miranda



PRIMAVERA

Ivonéte Miranda



O dia amanheceu lindo
A primavera chegou
Com suas flores, suas cores
E um suave perfume no ar

São das flores da primavera
Que estão enfeitando o nosso jardim
As pessoas sorrindo, passando
E os pássaros cantando

A natureza fica mais bela
Neste clima de festa
Tudo é um prazer
E dá mais vontade de viver

 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

UMA NOITE DE TERROR - Carmen Lúcia Raso



UMA NOITE DE TERROR
Carmen Lúcia Raso



Depois do jantar, na fazenda, onde toda a família se reúne aos finais de semana, alguns brincam, outros jogam bilhar ou baralho, assistem televisão ou ficam a toa numa rede pela varanda.

Era o momento que mais gostavamos, meus primos mais velhos e alguns tios reuníamos em volta do fogão à lenha, puxávamos os bancos e cadeiras para esperar o chá de erva cidreira que vovó preparava aos montes enquanto ouvíamos as histórias de terror que ela, tio Romano e tia Isa, a mais velha da família contavam para nós.

Morríamos de medo, mas ouvíamos todos juntos, sentados pertinho um do outro, como se aquele calor humano mais o do próprio fogão aliviassem nossa “paura” e nossos arrepios.

Tio Romano contava que por aquelas bandas, quando mocinho, ia namorar ou ia à uma festa, de carroça ou montado ao seu cavalo, mas que numa madrugada vinha sossegado pensando no seu amor (que era a tia a qual se casou), quando um homem de terno, uma roupa meio antiga, um chapelão engraçado dizendo que estava à procura da moça que ia se casar com ele e que nunca apareceu, fugiu com outro. Tio Romano disse que ele parecia assombração pois quando foi responder , viu que o homem tinha sumido, do nada desapareceu. E nós nos olhávamos com os olhos bem arregalados, mas esperando mais algumas histórias.

Tia Isa, então continuou; - Pois é, quando eu era ainda uma criança, meus pais e eu voltavamos de um casamento, o nosso cavalo que puxava a charrete empinou as orelhas, diminuiu o seu trote e não obedecia mais ao comando de meu pai. Minha mãe me abraçou para me proteger. Era uma noite fria, de lua cheia como hoje, o mato era fechado, só havia a passagem mesmo para as carroças e animais. Ninguém se atrevia passar naquelas estradinhas sem estar no lombo de um animal. Quando de repente, passou na nossa frente uma “Mula sem cabeça”. O nosso cavalo relinchou, empinou, se debatendo pra não seguir em frente, até que aquela visão desapareceu em instantes. Aí pudemos, depois de se acalmar, voltarmos para nossa casa, sãos e salvos. Me lembro, que dormi muitas noites entre os meus pais, de tanto medo que sentia - disse tia Isa.

E muitas histórias foram ainda sendo contadas.

Ninguém se mexia do lugar e vovó percebendo o quanto estávamos paralisados e apavorados, serviu logo uma xícara de chá a cada um de nós e pediu avisássemos aos demais que o chá estava pronto.

Quando saíamos da cozinha, ouvimos um barulho de correntes se arrastando pelo chão e vovó falou para que não tivéssemos medo, isto não era normal acontecer , mas às vezes acontecia, pois ali viveram muitos escravos que foram açoitados e mortos, quem sabe alguns ainda não tivessem encontrado a luz.

Até hoje, passados alguns anos, nos perguntamos se aquele barulho de correntes aterrorizante aconteceu mesmo ou alguém que simulou pra nos assustar ainda mais.

Este é um segredo que ficou naquele dia e que nunca saberemos dizer!

LILICA E A CEGONHA - Carmen Lúcia Raso




LILICA E A CEGONHA

Carmen Lúcia Raso


No silêncio de seu vôo, a cegonha Dona Mater dizia:- Ora, ora, estamos chegando ao local de entrega, será mesmo neste lugar?

Agora, pousou com muito carinho no galho de uma árvore e procura a casa onde tem de entregar os recém-nascidos, na região onde Lilica mora, pois foi dali que partiram os pedidos.

-Olha pessoal, é Dona Mater que está pousada naquela árvore, não é? E parece que tem dois embrulhos presos às suas asas! Lilica, seus irmãos e vovó Carolina observavam da varanda, aquela grande ave branca de bico pontudo, pernas longas e claras como a própria ave.

Na ponta de seu bico segurava um tecido branco, que parecia segurar os nenês. O céu ao fundo, azulado, com algumas nuvens, não chegava a se confundir com aquela cena tão maravilhosa.

Ai! Exclamava Lilica, será que desta vez a Dona Mater vai descer por aqui em nossa casa?

E seu irmão respondeu:

-Só se for por engano, menina. Você não ouviu o papai e a mamãe dizerem outro dia que iam ficar só com nós três, pois preferem nos criar muito bem, dando condições pra que a gente possa ser educado e ter muita saúde e eles tenham tempo de nos cuidar?

Dona Mater, do alto falou: com sua voz delicada.

-Ei família da Lilica, onde fica a casa de Dona Candinha e Seu Rubens? É que eles encomendaram dois meninos e sei que moram por aqui, pois tenho de entregá-los logo, antes que as crianças acordem!

-Ah Dona Cegonha, é aqui perto!

-Espere aí que vamos levá-la até eles. Siga-nos que chegaremos num instante! E Lilica e seus irmãos, cortando caminho pelo chão chegaram rapidamente à casa dos futuros pais dos nenês e Dona Mater, atravessando pelo ar chegou junto co eles.

Quando entraram todos na casa encontraram faixas que dizia: “Sejam bem-vindos, Samuel e Daniel, amamos vocês”. Lilica e seus irmãos ajudaram Dona Candinha a amparar, limpar e troca-los, deixando-os enrolados, bem quentinhos.

Dona Candinha alimentou-os em seu peito quente e carinhoso, fazendo com que se sentissem confortáveis e queridos.

Emocionada, a cegonha despediu-se deixando ali estas duas crianças que vieram do céu por entre suas asas grandes e delicadas para que cumprissem sua missão junto à esta família tão querida. Então as abençoou e saiu depressa, pois havia muitas encomendas a serem entregues naquele mesmo dia. Voou alto mesclando-se às nuvens da mesma cor e sumiu.

Lilica, seus irmãos e os pais dos nenês olhavam através das grandes janelas daquela casa, fazendo sinal num misto de encantamento, gratidão e despedida.

UMA TARDE COM A FAMÍLIA - Carmen Lúcia Raso




UMA TARDE COM A FAMÍLIA
Carmen Lúcia Raso

Como todos os sábados à tarde, a família de Lilica, seus primos e tios vem à sua casa na fazenda para fazer uma visita, tomar um “ar fresco”, brincar, conversar e comparecerem pessoalmente, como diz a vovó Carolina.

Assim, que o priminho de 6 anos, como Lilica, desce do carro, dá um grito bem alto e ela responde da mesma forma e ficam brincando de gritar bem alto para ouvir o eco que ecoa.

Sua mãe abraça sua irmã, tia Hilda, que diz: -Vamos planejar antecipadamente o feriado de 7 de setembro, pois assim tudo dará certo em nossa viagem à praia com nossas famílias, ou você tem outra alternativa? As crianças por perto ouviram as duas conversando e todos foram unânimes, gritando: -Oba, vamos para a praia!

-Vamos andando até o curral para que todos vejam os bezerros e novilhas que nasceram esta semana, aproveitamos e trazemos o leite fresquinho, tirado das vacas.

-Oh, tia , disse o primo mais velho, não é só no Amanhecer do dia que se tira o leite das vacas?

-Não, disse o Sr. Carlos, pai de Lilica, tiramos duas vezes ao dia, somente quando os bezerros são muito novos é que tiramos uma vez ao dia, pois os bichinhos têm de se alimentar também para ficarem bem fortes.

Havia ali um quartinho onde uma placa pendurada na porta dizia: É expressamente proibida a entrada sem permissão e a prima mais velha da Lilica perguntou: Por que esta placa, tio Carlos?

Lilica mais que depressa contou que ali haviam algumas geladeiras para resfriar o leite, que ia para a Cooperativa todos os dias e que só entrava quem tivesse permissão e usasse luvas e roupas especiais para que não estragasse o leite.

Ah, entendi! Respondeu a prima

Para uma surpresa inesperada chegou a vovó Carolina avisando que a mesa do café já estava posta.

De volta à casa passaram pelo pomar e levaram algumas frutas.

Sentaram-se à mesa, farta de pães, doces, biscoitos, geléias, manteiga e frutas. Os dois pequenos pediram à vovó que cortasse uma maçã em duas metades iguais e comeram assim com muito gosto.

Todos ainda se deliciaram com todos aqueles quitutes, conversaram muito, brincaram e foi mais um sábado que passaram em família.

E à noite, depois de todos terem ido embora, Lilica tinha a certeza absoluta que era muito feliz. Agradecia ao Papai do Céu e como fazia sempre, fechava os olhos, via o seu anjo da guarda com grandes asas brancas e conforme contava as suas penas ia dormindo, dormindo .

- Boa noite, Lilica! Disse o anjinho.

 
(Este texto foi criado propositalmente com expressões de pleonasmos)

CHAPEUZINHO VERMELHO NOS DIAS DE HOJE - Carmen Lúcia Raso



CHAPEUZINHO VERMELHO NOS DIAS DE HOJE

Carmen Lúcia Raso


A menina saiu de sua casa pela porta dos fundos, atravessou o quintal lá chegou:

- Bom dia! Como vai vovozinha? Te trouxe muitos pães e doces para o seu café da manhã, tudo diet e light, pois a mamãe disse que a senhora tem de se cuidar, não é?

- Sabe vovó, eu ganhei um cachorro, que o papai disse, vai ficar muito grande e então ele veio comigo e está aqui no bolso do meu casaco cor de mexerica. Eis que estava ali um lindo filhotinho.

A vovó sugeriu que seu nome fosse Lobo, pois há muito tempo atrás, na história do “Chapeuzinho Vermelho”, o lobo comeu a vovozinha, e ainda acrescentou - Graças a Deus , você não gosta de vermelho nem precisou atravessar a floresta e nem tão pouco fugir de um lobo.

Rindo as duas sentaram-se à mesa do café e ao lado ficava a TV sobre um armário e então como de costume, ligaram-na e sabem o que estava passando? O Programa da Ana Maria Braga, executando a receita de uma deliciosa torta. Como sempre faziam, copiaram a receita e vovó prometeu à menina, prepará-la para o jantar.

Ao terminarem o seu café, com aquela alegria e amor que as unia, a menina despediu-se da vovó prometendo voltar à noite para buscá-la e poderem saborear a nova receita, em família.

Saiu rapidinho, voltou à sua casa onde a mamãe já a esperava para levá-la à aula de música.

LILICA OUVE O RÁDIO



LILICA OUVE O RÁDIO
Carmen Lúcia Raso

Lilica ouvia o rádio que ganhara da vovó Carolina, em seu último aniversário. Era um radinho que tocava no celular. Ela queria muito este aparelho para poder levar aonde fosse, tinha até fone de ouvido. Era o máximo.

Ouvia as canções que saiam dele com tanta alegria e atenção que rapidinho aprendia a cantá-las. Comia, caminhava , conversava com ele ao seu ouvido. Ao deitar-se estava lá a Lilica com ele ao ouvido até adormecer.

Um dia sonhou que estava cantando no palco da “Festa de Peão”,a festa igualzinha aquela que seu pai levava toda a família, na cidade onde moravam, com rodeio e tudo o que existe nestas festas.

Lilica, vestida de roupa “country”, com bota, chapéu, camisa xadrez, cantava e ao final de cada música todos aplaudiam , assobiavam e pediam Bis.

Ela cantava e tocava guitarra e seu irmão o Zezinho tocava bateria e a Aninha, sua irmã tocava guitarra também além de fazer segunda voz. O saxofone e o baixo eram tocados pelo papai e mamãe de Lilica e formavam uma linda e sonora banda. As luzes acesas sobre eles piscavam formando um mega espetáculo.

Lilica cantava, tocava, pulava e dançava com tanta graça e todas as pessoas a amavam.

-Viva Lilica! HuHu! Mais, queremos mais Lilica!

Até que ela terminava o show e então todos desciam do palco, caminhavam entre o público dando muitos autógrafos. Todos diziam:-”Tão pequenina, mas que vozerão, que afinada, que linda! E ela agradecia sempre com aquele lindo sorriso.

Quando, de repente acordou no meio da noite com seu radinho ao ouvido tocando uma música que nunca tinha ouvido e era tão linda a música que ela ficou como que encantada escutando .

O locutor, do outro lado do rádio com sua voz macia disse: -Esta vai para os que me ouvem, que amam cantar e que sonham um dia se tornar um grande Estrela da Música Popular Brasileira. Boa noite! Agora são 2 horas, continuem a ter bons sonhos e sonhem muito até que consigam chegar a realizá-los.

Lilica então, fechou os olhinhos, se pôs a dormir e novamente a sonhar o mesmo sonho.

LILICA E OS DETALHES MINUCIOSOS(PLEONASMO) - Carmen Lúcia Raso



LILICA E OS DETALHES MINUCIOSOS(PLEONASMO)

O LOBO AMA O BOLO (POLÍNDROMO)
Carmen Lúcia Raso


- Venha Lilica, vamos ajudar a vovó Carolina a fazer os biscoitinhos!

Era Dona Benê, a cozinheira da fazenda, que todos amavam.

Vovó Carolina, com a tigela e todos os ingredientes em cima da mesa para fazer os biscoitos, dava à Dona Benê com “Detalhes Minuciosos”, as medidas e pesos da farinha, nata, açúcar e mais algumas coisas.

Lilica ficava admirada com a facilidade com que a cozinheira misturava aqueles ingredientes que viravam uma massa uniforme. Aí chegava a hora que ela mais gostava: a vovó esticava a massa e ela e Dona Benê cortavam os biscoitos com vários modelinhos de forminhas. Tinha estrelinha, meia-lua, rodinha, florzinha. Iam direto para a assadeira e forno quente. Em minutos enchiam vária latas de gostosos quitutes, pois o forno era de lenha e muito quentinho,

Como dizia a vovó, para se fazer qualquer receita dar certo, deve-se usar “Detalhes minuciosos”

Ainda havia tempo para a hora do lanche e resolveram bater um bolo de cenoura com calda de chocolate. Quando ainda no forno, o bolo exalava aquele cheiro gostoso, Lilica disse:

-Vovó ainda bem que você não é a vovozinha da Chapeuzinho Vermelho, pois a senhora sabe que o “Lobo ama o bolo” e se aparecesse por aqui comeria o bolo e não você.

E as três puseram-se a rir felizes da vida!

LILICA E O SACI - Carmen Lúcia Raso



LILICA E O SACI

Carmen Lucia Raso



De repente alguém gritou da porta da casa de Lilica

- Vamos patrão, ta pegando fogo no pasto lá atrás do morro da Capela!

Saíram todos de dentro da casa, o Sr. Carlos, pai de Lilica saiu correndo na frente não esperando por ninguém, e lá foi o Tião atrás do patrão.

Bateram um sino, que era o aviso de alerta aos que ali moravam, pois o fogo estava se alastrando. O sino soava tão forte que até os vizinhos vieram socorrer.

De longe se via o vermelho das chamas e a fumaça pelo ar.

Lilica, lá fora com sua mãe, Dona Carolina e seus irmãos Zezinho e Aninha cuidavam ao longe com o olhar preocupado e cuidadoso para aquela situação..

De repente Lilica diz:

-Mamãe, olha lá! Tem alguém bem pretinho daquele lado, com um gorro vermelho e está pulando feito um Saci!

Por incrível que pareça, só a Lilica via aquele moleque maroto fazendo rodopios no ar, formando um redemoinho contrário ao que atiçava o vento. Por um instante, como num passe de mágica, o fogo foi se apagando, acalmando e cessou por completo.

Quando todos voltaram do pasto, com alegria cansada, o Sr. Carlos agradeceu a todos e pediu à mulher que providenciasse um suco e quitutes de Dona Benê, a velha e querida cozinheira da família.

Lilica, mais do que depressa falou:

- Papai, tem que chamar aquele menino pretinho, de gorro vermelho, pois foi ele quem fez ventar do lado contrário do fogo e com seus puloos ajudou a apagar o incêndio.

Todos se entreolharam espantados, ao mesmo tempo que chegava perto deles o menino pretinho, de gorro vermelho, pulando com uma perna só, segurando um cachimbo na mão. Quando estava pertinho da Lilica, ela disse:

- Mamãe, dá suco com biscoitos prô Sacizinho, pois ele merece e é nosso amigo também.

A HISTÓRIA DE LILICA - Carmen Lucia Raso



A HISTÓRIA DE LILICA
Carmen Lucia Raso


Oh vida boa!


Era Lilica, linda garotinha de quase 7 anos, faltavam só três meses pra aniversariar. Ficava deitada na grama, embaixo da mangueira Gertrudes, a mais velha da fazenda que enfeitava a frente da enorme casa onde morava com seus pais e irmãos.


Era domingo, como sempre levantava cedinho, tomava um gostoso café da manhã com sua família e saía para brincar.


Como era sapeca Lilica corria pela grama, colhia flores do lindo jardim, chamava os carneirinhos pelos nomes como se fossem amigos íntimos e era acompanhada por seus oito cachorros. Tinha cachorro grande, pequeno, médio, preto, marrom, branco e até malhado.


Na verdade, Lilica era seu apelido, seu nome mesmo era Rafaela, Rafaelinha e finalmente Lilica.


Gostava muito de brincar com seus irmãos, o Zezinho com doze anos e Aninha que tinha dez. O que ela gostava mesmo era andar a cavalo com eles. Pediam ao Antonio para arrear os animais pois era acostumado a lidar com eles e sabia como ninguém como selar um. Era o seu trabalho por lá.


Cada um tinha o seu, o da Lilica era uma linda égua Quarto de Milha, ganhou de seu pai quando fez cinco anos. Era dourada, seu nome era Lady, pois seu porte, como dizia seu pai, era mesmo a de um “Puro Sangue”.


Naquela fazenda tudo era uma festa, pois todos eram muito felizes , principalmente quando se sentavam àquela mesa tão grande que cabia toda a família, Lilica e seus irmãos, seus pais, a vovó Catarina,  e Dona Benê que ajudava a preparar os deliciosos quitutes para eles e quem chegasse.


Era tão bom, que Lilica ao se deitar agradecia a Deus pela sua família, sua casa e pelos biscoitos gostosos que ela a ajudava a vovó e Dona Benê a preparar.


Huuuummmmmmmmmm! Boa noite!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Branca de Neve e a Gata Borralheira - Dinah Ribeiro Amorim



BRANCA DE NEVE E A GATA BORRALHEIRA, CINDERELA, MUITOS ANOS DEPOIS!
Dinah Ribeiro Amorim


Como já sabemos Branca de Neve, que vivia com os anões, foi adormecida por uma bruxa e despertada muito tempo depois por um príncipe que a beijou e a ressuscitou para a vida levando-a em seu cavalo branco...

Cinderela que vivia maltratada por uma madrasta, outra bruxa com duas filhas maldosas e invejosas, também foi salva de sua má vida por uma fada madrinha, um anjo bom, que a apresentou a um príncipe, conquistando-o com seu sapatinho de cristal e virando uma princesa...

Pois é, as duas estórias terminam com: E foram felizes para sempre...

Na verdade nessa estória, a vida delas continua tornando-se amigas uma da outra, reinando e morando em reinos vizinhos.

Casaram-se com seus príncipes, tiveram filhos, visitando-se continuamente e fazendo-os brincarem uns com os outros.

Continuavam lindas. As crianças também nasceram lindos e saudáveis. Viviam felizes nessa vida depois de tanto sofrimento que tiveram!

Mas como em toda estória bonita sempre aparece um “mas”, a bruxa que perseguiu Branca de Neve não morreu no penhasco. Reviveu de novo, com mais revolta e raiva da enteada buscando um meio de se vingar novamente. Não se conformava com a felicidade das duas, ainda mais porque ela ficou aleijada de uma perna com a queda que levou.

Sabendo por espiões que as duas famílias se encontravam, contratou um cocheiro para que se oferecesse a trabalhar na casa de Cinderela e, quando seus filhos saíssem para visitar os de Branca de Neve, ele iria junto, ficaria no castelo, tentaria se aproximar da filha mais velha dela, que era a mais querida, e a forçaria a ir até a floresta, aonde a bruxa a esperava com um veneno para adormecê-la também!

O cocheiro que era pobre e muito ambicioso aceitou um bom dinheiro para fazer o serviço. Colocou muitas moedas no bolso.

Na tarde combinada a carruagem pronta para o passeio, as crianças animadas sobem correndo e vão até o castelo de Branca de Neve. Os filhos dela já os esperavam para um gostoso lanche.

O cocheiro de nome Tomás, fez de tudo para rodear a moça em questão, atraí-la para fora do jardim, separá-la dos outros dizendo que havia um barulho estranho lá fora!

Tanto fez, tanto insistiu que a moça concordou em acompanhá-lo e verificar o “tal barulho”!

Mais que depressa pegou um lenço tapou-lhe a boca, segurou-a fortemente e levou-a para a carruagem!

A pobre moça nem gritar podia e, muito assustada caiu desmaiada no banco traseiro!

Para Tomás foi muito fácil e logo se pôs a correr pela estrada ao encontro da bruxa.

Mas como em toda estória ruim aparece algo de bom , o que Tomás não sabia era que na floresta existia também um “anjo bom”, protetor dos fracos e oprimidos que roubava as carruagens da estrada para doar aos pobres: Robin Hood e seus companheiros.

Robin Hood ao ver aquela carruagem rica faz parar o cocheiro e obriga-o a dar as moedas do seu bolso. Olhando para dentro da janela avista a linda moça desmaiada e amordaçada. Desconfiando de alguma malvadeza, liberta-a e obriga Tomás a transportá-la de volta ao seu castelo, levando-o prisioneiro depois.

Mais uma vez o destino protegeu Branca de Neve e Cinderela livrando-as do mal, juntamente com suas famílias. Sempre foram muito boas e puras e, com certeza, têm merecimento: o aparecimento de um anjo protetor!

A bruxa da história continuou envelhecendo e planejando novas armadilhas, nunca tendo êxito!

História da Cigarra e da Formiga nos dias de hoje - Dinah Ribeiro Amorim



HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA NOS DIAS DE HOJE!
Dinah Ribeiro Amorim



Era uma vez dois amigos: Raul e Felipe.



Vizinhos, cresceram juntos, tornando-se companheiros de brincadeiras, de escola, de estudos, enfim, à medida que se desenvolviam, mais amigos se tornavam.

Raul, o mais sério, era muito inteligente, aplicado, vivia estudando e conhecendo coisas novas. Gostava de ensinar e transmitir tudo ao amigo.



Felipe de personalidade diferente mais folgado, engraçado, muito simpático, não ligava muito para trabalho e estudos, ouvindo Raul comentar suas descobertas, mais para agradar ao amigo... Gostava mesmo é de dançar, cantar e tocar!



O tempo foi passando os jovens crescendo, e como os interesses eram diferentes a amizade esfriou. Uma vez ou outra se encontravam quando Raul tinha algum tempo livre e resolvia sair para dançar ou ouvir música num barzinho próximo aonde Felipe tocava.



É claro que o destino dos dois foi diferente!



Enquanto Felipe tocava e cantava na noite para alegria de muitos sem preocupação com o dia de amanhã sem acumular bens sem formar uma família fixa, Raul formou-se cientista graduado com louvor, dedicou sua vida a estudos e pesquisas recebendo honrarias e méritos até no exterior. Casou-se com uma moça como ele, teve três filhos que lhe deram grandes alegrias na vida.



Pode-se dizer que neste mundo Raul foi um vencedor: teve sucesso, família, fama, dinheiro, tudo o que sempre sonhou, e Felipe tocando e cantando nunca chegou a ter tudo isso, mas era feliz na sua vida simples. Nunca se queixava.



Como tudo que nasce nesta vida, os dois envelheceram e na hora da doença, da dor e da proximidade da morte, quis o destino que os dois se encontrassem novamente.



Felipe sentiu-se mal num show e foi levado às pressas para um hospital, ataque cardíaco. Os médicos e enfermeiros não sabiam seu endereço nem a quem avisar, mas num de seus raros momentos de lucidez Felipe dá o nome de Raul e pede para chamá-lo.



O velho amigo assim que é avisado lembra-se com carinho do Felipe de sua infância, de como se divertiam e riam juntos, de como eram fiéis um ao outro. Sente uma saudade e uma vontade enorme de vê-lo, ajudá-lo, fazer algo por ele!



Atende prontamente ao chamado, desfaz todos os seus compromissos profissionais, sociais, familiares e corre para se despedir do amigo que às vezes o procurava, mas que ele sempre muito muito ocupado não o atendia!



Como se arrepende disso agora!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Cigarra e a Formiga - Cida Bianchini

EXERCICIO (RELÂMPAGO) EM SALA.

“Reescrever a fábula da cigarra e a formiga com palavras mais modernas, contando a história de maneira mais comovente”.




Era verão. As formigas trabalhavam sem parar subindo e descendo nas árvores da praça da República, para colher as folhas e armazená-las em seus celeiros, na certeza de um inverno tranqüilo. Numa das árvores uma cigarra, modernamente vestida, pensava em cada intervalo do seu canto:

- Pobres formigas, trabalham sem descanso! –Desperdiçam a vida tão linda, deixam de curtir os raios de sol no seu poente...

-Não contemplam a beleza da lua... Eu é que vivo bem...

Canto, canto, canto! Não abro mão deste verão maravilhoso! Nem nunca abrirei! – Eu é que sou feliz, pois sei viver bem a vida...

O inverno chegou e a cigarra, sem reservas, já não tinha o que comer.

Fraca, faminta, foi bater à casa de dona formiga:

- Por favor, dona formiga, estou prestes a morrer, socorre-me antes que eu não resista mais...

Quando a formiga rainha ia bater a porta na cara da cigarra, a formiguinha

caçula implorou:

- Mamãe, por favor, acolha a dona cigarra, estou tão triste, quem sabe seu canto cura a minha depressão...





domingo, 12 de setembro de 2010

Dona Naná a cozinheira pleonástica 0 Hirtis Lazarin



Dona Naná a cozinheira pleonástica
Hirtis Lazarin

Dona Naná a cozinheira da fazenda, sabendo que Lilica adora comer bolo recheado, chama-a na cozinha:

--Lilica venha cá. Vou preparar, para o lanche da tarde, um bolo diferente, uma "criação nova". Eu nunca fiz outro igual antes. Vou misturar os ingredientes sem "planejamento antecipado". E é "expressamente proibido" espiar" até o "acabamento final". Vai ser uma"surpresa inesperada" para todos.

Lilica adorou a ideia e, com aquela carinha safada que só ela tem, saiu rindo baixinho:

"Tadinha da Naná. Ela andou lendo uns livros meus e agora deu pra falar difícil. Bem, ela pensa que está falando difícil, mas na verdade, está falando a mesma coisa usando palavras diferentes.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O pequeno príncipe - Saint Exupéry




Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry

Filho do conde e condessa de Foscolombe (29 de junho de 1900, Lyon - 31 de julho de 1944, Mar Mediterrâneo) foi um escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial.
Faleceu durante uma missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy. Em 3 de novembro, em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha. Seu corpo jamais foi encontrado.
Suas obras foram caracterizadas por alguns elementos em comum, como a aviação, a guerra. Também escreveu artigos para várias revistas e jornais da França e outros países, sobre muitos assuntos, como a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França.
No entanto, deve-se dar uma atenção a este último, O pequeno príncipe (O Principezinho, em Portugal) (1943), romance de maior sucesso de Saint-Exupéry. Foi escrito durante o exílio nos Estados Unidos, quando fez visitas ao Recife. E para muitos era difícil imaginar que um livro assim pudesse ter sido escrito por um homem como ele.
O pequeno príncipe é uma obra aparentemente simples, mas, apenas aparentemente. É profunda e contém todo o pensamento e a "filosofia" de Saint-Exupéry. Apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geômetra, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O pequeno príncipe vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, uma formosa flor de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranqüilidade do mundo do pequeno príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu descobrir o segredo do que é realmente importante na vida.
É uma obra que nos mostra uma profunda mudança de valores, que ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam à solidão. Nós nos entregamos a nossas preocupações diárias, nos tornamos adultos de forma definitiva e esquecemos a criança que fomos.
Principais Obras
O aviador (1926);
Correio do Sul (1928);
Vôo Noturno (1931);
Terra de Homens (1939);
Piloto de Guerra (1942);
O Pequeno Príncipe (br) - O Principezinho (pt) (1943).
Cidadela (1948)-
Cartas ao Pequeno Príncipe
(Fonte Wikipédia)



O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

O Pequeno Príncipe foi escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry um ano antes de sua morte, em 1944. Piloto de avião durante a Segunda Grande Guerra, o autor se fez o narrador da história, que começa com uma aventura vivida no deserto depois de uma pane no meio do Saara. Certa manhã, é acordado pelo Pequeno Príncipe, que lhe pede: "Desenha-me um carneiro"? É aí que começa o relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade. O principezinho havia deixado seu pequeno planeta, onde vivia apenas com uma rosa vaidosa e orgulhosa. Em suas andanças pela Galáxia, conheceu uma série de personagens inusitados – talvez não tão inusitados para as crianças!

Um rei pensava que todos eram seus súditos, apesar de não haver ninguém por perto. Um homem de negócios se dizia muito sério e ocupado, mas não tinha tempo para sonhar. Um bêbado bebia para esquecer a vergonha que sentia por beber. Um geógrafo se dizia sábio mas não sabia nada da geografia do seu próprio país. Assim, cada personagem mostra o quanto as “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão valor ao que merece. Isso tudo pode ser traduzido por uma frase da raposa, personagem que ensina ao menino de cabelos dourados o segredo do amor: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

Antoine de Saint-Exupéry via os adultos como pessoas incapazes de entender o sentido da vida, pois haviam deixado de ser a criança que um dia foram. Entendia que é difícil para os adultos (os quais considerava seres estranhos) compreender toda a sabedoria de uma criança.


Desta fábula foram feitos filmes, desenhos animados, além de adaptações. Muitos adultos até hoje se emocionam ao lembrar do livro. Talvez porque tenham se tornado “gente grande” sem esquecer de que um dia foram crianças.

"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"
"O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte".
"O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção."
"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante."
" Não exijas de ninguém senão aquilo que realmente pode dar."
"Em um mundo que se fez deserto, temos sede de encontrar companheiros."
" Nunca estamos contentes onde estamos."
" Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."
"Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar."
" Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."
" Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas. Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa."
" Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
" Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
" O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas."

" Só os caminhos invisíveis do amor libertam os homens.
" O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."
"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla."

"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas." (Antoine de Saint-Exupéry)


ACASO
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso. "
(Antoine de Saint-Exupéry)

"A civilização é um bem invisível porque inscreve seu nome nas coisas",

E suas últimas palavras antes de embarcar na missão final e fatal: "Se voltar, o que será preciso dizer aos homens?"

Ele escreveria que "durante séculos e séculos a minha civilização contemplou Deus através dos homens. O homem era criado à imagem de Deus. Respeitava-se Deus no homem. Esse reflexo de Deus conferia uma dignidade inalienável ao homem", para concluir que "as relações do homem com Deus serviam de fundamento evidente aos deveres do de cada homem consigo próprio ou para com os outros".


"Havia, em algum lugar, um parque cheio de pinheiros e tílias, e uma velha casa que eu amava. Pouco importava que ela estivesse distante ou próxima, que não pudesse cercar de calor o meu corpo, nem me abrigar; reduzida apenas a um sonho, bastava que ela existisse para que a minha noite fosse cheia de sua presença. Eu não era mais um corpo de homem perdido no areal. Eu me orientava. Era o menino daquela casa, cheio da lembrança de seus perfumes, cheio da fragrância dos seus vestíbulos, cheio das vozes que a haviam animado."  (Antoine de Saint-Exupéry)


extraído de: http://www.paralerepensar.com.br/exupery.htm