BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

quarta-feira, 30 de março de 2011

A viagem - Daisy Daghlian



A viagem
Daisy Daghlian


Marina estava feliz com seu namoro de mais de ano. Um namoro que começou quase sem querer dentro de uma confusa loja de departamentos num shopping paulista. Naquele mesmo dia foram ao cinema, jantaram juntos e marcaram outros tantos encontros deste então. Coincidentemente eram da mesma cidade e frequentemente iam à São Paulo. Ela era dona de um escritório contábil, ele gerente de uma empresa de informática no centro da Atibaia

A moça estava eufórica esperando Pedro, iam viajar no feriado prolongado. Seu rosto moreno bem tratado estava sorridente. Parada em frente ao Teatro Lê Paradis ao lado de seu escritório, onde marcaram de se encontrar, Marina conferiu a mala ao seu lado e a frasqueira marrom onde levava sua maquiagem. Viajaria para qualquer lugar do mundo, mas nunca sem seus cosméticos. 

Lá vinha ele, um pouquinho atrasado, mas certamente se desculparia, e ela o perdoaria. Amava Pedro o bastante para pensar em relacionamento mais sério, em filhos talvez.

Ele estacionou calmamente, a beijou com carinho pedindo desculpas pelos quase dez minutos de atraso,  e depositou sua bagagem no porta malas. Depois, num ato de cavalheirismo costumeiro, abriu a porta do passageiro e a ajudou sentar e afivelar o cinto. No banco de trás uma caixa de presente com laços dourados chamou sua atenção, mas tentou não demonstrar curiosidade preferindo aguardar, pois com certeza o presente era para ela. 

Na estrada movimentada o rádio falava de amor em letras cantadas por Roberto Carlos. São Sebastião foi a primeira praia que visitaram juntos quando tinham apenas dois meses de namoro, e somente agora, um ano depois,  estariam voltando  à convite dos amigos Renato e Celia, que lá moravam. 


A casa acolhedora e moderna tinha uma varanda larga voltada para o mar. Os dormitórios no andar superior ofereciam uma vista panarâmica do lugar. Renato estudou com Pedro na faculdade, fizeram intercambio juntos na Carolina do Norte, e nunca se sepraram. 

Não passava das dez da manhã quando chegaram à casa, e trataram de aproveitar o dia indo à praia antes do delicioso almoço preparado pela Dona Chica. À tarde um passeio de barco pela baía fez Pedro se espantar com o crescimento da cidade. Aproveitaram para pescar em auto mar, mas somente Marina e Celia trouxeram pescados. Os homens, tinham tanto a conversar que não se dedicaram à pescaria. Voltaram ao entardecer. Enquanto Renato guardava as tralhas, Celia entrou para tratar dos peixes. Marina então sentou-se na pedra do pontal para apreciar o inesquecivel por-do-sol daquele lugar. 

O horizonte ia aos poucos engolindo o sol, que se avermelhava como se dissesse adeus. A paisagem era deslumbrante. Num súbito Pedro chega, sorrateiramente, ao lado de Marina. Tinha aquela caixa de presente nas mãos. Ela sorriu como se nunca a tivesse visto antes. Curiosa perguntou o que era. E ele disse que ela saberia se abrisse a caixa. Os dois se abraçaram entre risos de romantismo. Marina puxou o laço devagar como se aquilo a ajudasse absorver o momento. Dentro da caixa, uma outra caixa bem pequena  elegantemente embrulhada. Ele então a ajudou soltar o papel que  envolvia o presente, e juntos a abriram . O conteúdo a surpreendeu e a fez soltar um pequeno grito de alegria. Um lindo  par de alianças estava ali diante dela dizendo tudo que Pedro gostaria de dizer, e o que ela gostaria de ouvir. O rapaz  aproximou  a boca de seu ouvido dizendo baixinho: Vamos casar ?

 Inflamada pela emoção do momento Marina o beijou apaixonadamente como resposta ao seu pedido. 

O baile de máscaras - Daisy Daghlian




O baile de máscaras
 Daisy Daghlian

Cheguei ao baile as 11 horas como havia combinado com a turma. Estava eufórica, minha fantasia de papagaio  me deixou irreconhecível. Entrei no salão e fiquei admirada com as luzes que brilhavam, máscaras incríveis nas paredes, pierrots, colombinas e outras tantas. Instrumentos musicais, completavam o quadro com muita cor e brilho.

A música ecoava vibrante e alegre, ao som das velhas marchinhas, todos brincavam pulavam e dançavam jogando confete e serpentina uns nos outros.

Fui dançando e entrando já contagiada pelo clima, procurando descobrir os amigos naquele emaranhado de máscaras e fantasias umas mais estapafúrdias que as outras.

Não reconheci ninguém. Dancei com uma coruja, um marinheiro, um leão, estava me divertindo muito e  ao mesmo tempo me sentia só. Com a música às alturas não dava nem para trocar algumas palavras com o companheiro ou companheira, sabe-se lá com quem eu estava dançando. Senti sede. Fui até o bar pedi um refrigerante, não dava para tomar cerveja  com o canudinho devido ao meu bico,  a fantasia era muito desconfortável, estava suando em bicas, felizmente não dava para ninguém ver.  Que idéia a minha, estava incógnita mesmo e ninguém ia se interessar por mim. Comecei a ficar grilada. Rodei meu anel umas dez vezes. Puxa vida esqueci de tira-lo.

Como iria encontrar o Marquinhos, a Mara ou a Thaís no meio daquela balbúrdia  toda.

O jeito era continuar dançando e cantando com quem viesse ao meu encontro e aproveitar aquela festa da melhor maneira possível.

Foi o que fiz. Dancei com um Dom Juan gordinho e suado, um pirata que pareceu ser mulher, um fantasma que dava gargalhadas irritantes, entrei num cordão que foi me deixando zonza e, continuava eu comigo mesma, estava começando a ficar injuriada. 

Já eram 3 horas da madrugada, achei uma mesa com cadeiras vazias, não tive dúvidas, me joguei numa cadeira e lá fiquei um tempão descansando e me lamentando, fechei os olhos, creio que até cochilei um pouco, quando reabri os olhos, vi que tinha companhia. Sentados e me observando estavam um elefante, uma abelha e um palhaço.  A abelha, que mais parecia um zangão,levantou-se e veio me abanar com um leque de penas de pavão, foi engraçado e refrescante, disfarçando a voz agradeci, ela resmungou alguma coisa inteligível para não ser reconhecida, mas já havia percebido a mesma me seguindo pelo salão. O elefante pegou na mão do palhaço que pegou na mão da abelha que pegou na minha mão e fomos dançar todos juntos. Foi divertido.

O mais estranho é que eu estava sendo atraída por aquela abelha gentil, a mão dela, apesar das luvas, eram grandes e calorosas, pareciam mãos de homem, não eram as do Marquinhos ou do Júlio, meus amigos mais chegados.

 O palhaço largou a mão da abelha e foi dançar com o elefante. A abelha me abraçou e ficamos dançando o resto da noite como se estivéssemos ouvindo uma canção romântica e não aquela batucada ensurdecedora.

Cinco horas.  O baile quase terminando. Havia combinado com a turma, tiraríamos as máscaras perto do chafariz no jardim. O pessoal foi chegando, éramos dez , com a abelha que não me soltava onze. O fantasma tirou a máscara, só podia ser o Gugu, O elefante era, vejam só o Marquinhos, o palhaço a Marilda, o leão o Reinaldo, e assim fomos nos despindo das fantasias, quando tirei a minha ninguém acreditou que era eu mesma, Priscila.

 Rodeamos a abelha, Sérgio, nosso ex professor  de história,  apareceu causando impacto em todos, principalmente em mim,  que além de acha-lo inteligente e culto tinha uma certa queda por ele.  

Rimos muito, aos poucos todos foram voltando ao baile. Ficamos os dois, olhos nos olhos, sentindo um carinho imenso um pelo outro. A abelha, agora Sérgio, pegou novamente na minha mão e juntos sentimos que este era o início de um grande amor. 

Milagres acontecem - Suzana Lima



Milagres acontecem 

Suzana Lima



André era um típico sedutor: voz macia, sorriso envolvente, sempre bem vestido e sempre sabia o que dizer na hora certa.  Conforme a mulher que desejasse seduzir podia ser do tipo protetor ou  meio machão ou ainda sensível e delicado, quase carente. Outras vezes, extrovertido, bem humorado e conhecedor das coisas.  Um verdadeiro camaleão.


Já deixara muitos corações estraçalhados para trás, porque, como todo grande sedutor estava mais interessado na conquista e não na posse. 


Não que não lhe dessem conselhos e avisos, porque até tinha bons amigos e uma mãe severa, que não concordava com suas atitudes predadoras.


Mas era entrar por um ouvido e sair pelo outro, embora não fosse mau caráter e na verdade, não fazia falsas promessas, nem tencionava enganar moças desavisadas. 


“Elas acreditam no que querem acreditar – dizia – não prometi nada, apenas que teríamos bons momentos juntos e foi o que realmente tivemos...”


Porém, como diz o ditado, um dia “ o feitiço se volta contra o feiticeiro”. 


Foi quando ele conheceu Maria Rita, uma parente longe de sua mãe, quase prima, que tinha vindo visitar uns tios na capital.  Era moça do interior, criada com todo o rigor por pais conservadores e o máximo que já tinha visto da vida, era apenas sua cidadezinha natal, que não chegava a 100 mil habitantes.


Boa estudante, tinha-se formado no Curso Normal, o único existente em sua terra e era uma devoradora de livros.  Muito bonita e vivaz, chamava a atenção onde quer que passasse.  Sabia a  reação que causava, com seus belos cabelos negros, os olhos muito azuis e um porte de rainha. E ela tinha ambições, que não revelara ainda para seus pais, porque no pretexto de visitar os tios e tirar umas férias, queria investigar que tipo de Faculdade poderia cursar.  Era consciente que em sua terra não havia nenhuma grande perspectiva profissional ou pessoal.   Ainda mais, o que se esperava lá de uma moça é que se casasse com um bom rapaz do lugar, tivesse seus filhos e cuidasse de sua casa, nada mais.  Isto nem lhe passava pela cabeça, embora esta fosse a expectativa geral em relação ao papel da mulher, da sociedade de então, lá pelos anos 50.


Pode-se imaginar o que aconteceu quando eles se encontraram.  André achou que ela ia cair direitinho em sua lábia, ainda mais porque ela estava hospedada  na mesma rua onde ele morava com sua mãe e duas irmãs. E, embora primos distantes, eram parentes e parentes, já se sabe, tem o acesso facilitado para qualquer programa que surja e para qualquer cafezinho de boas vindas. 


Mas o grande sedutor reparou logo que o caminho não ia ser nada fácil.


  Embora calorosa e alegre, Maria Rita não se deixou envolver pelo elegante galanteador. 


Ou foram os avisos dos tios ou de sua própria mãe e irmãs, ou foi fruto da observação dela mesma, o resultado é que Maria Rita proseava com Artur, mas não lhe dava maiores aberturas para nenhum avanço amoroso, apesar de todos os bombons, flores e bilhetes galantes que lhe mandava e de todos os seus olhares e suspiros. Nada estava dando certo e, pior, ele, agora,  não se interessava mais por nenhuma outra mulher. 


E aconteceu o que ele sempre quis evitar. Acabou se apaixonando perdidamente pela linda priminha, que tanto sucesso estava fazendo no meio de seus amigos e até com um admirador a tiracolo, mas que não lhe concedia nada mais do que amizade. 


Até que, revoltado com aquela situação, resolveu encostá-la na parede.   Foi à casa dos tios, no final da tarde, quando sabia que a encontraria.  Ela estava lendo um livro, balançando-se na rede.  


- Oi, Ritinha, queria conversar contigo, só nos dois.


- Pois assente-se e fique à vontade, primo. Tia Clara está passando um café e acabou de assar um bolo de fubá. 


- Não vim para o lanche, Ritinha.  Eu só queria saber porque você se faz de desentendida quando falo de amor ou namoro, não comenta meus presentes e está aceitando a corte de Raul. O que ele tem que eu não tenho?


Maria Rita sentou-se e olhou-o firme:


- Modéstia, primo.  Ele não se julga nenhum príncipe e respeita meus sonhos e projetos, sabe ouvir e é um rapaz muito culto. 
- E eu não? 


- André, acho que você não sabe nada de mim, nunca me escutou verdadeiramente, só queria era me abraçar e beijar, além de outras coisinhas, como se eu fosse um mocinha tola do interior, que deveria cair aos pés do rapaz bonitão da cidade grande. Você poderia me dizer, por exemplo,  o que eu quero na vida?


André ficou meio atordoado, confuso e respondeu o que lhe veio na cabeça:


- Ora, casar e ter filhos, como toda mulher quer. E um marido que a ame e respeite.


- Só isso?


- Mas isso já é muita coisa, Maria Rita.


- Não para mim, André.  Quero me formar e ter uma profissão. Quero trabalhar e ter meu próprio sustento. Depois disso, vou pensar em casamento e filhos. Portanto, nada que você esteja querendo agora.  Pelo visto, você gosta mesmo é de namorar, seduzir a mulherada, não é? Tudo bem, mas para mim não serve não. André olhou-a estupefato. - Uma profissão, trabalho? E qual seria? Você já não é professora? A escola do bairro está precisando até de uma. 


- Eu sou professora porque não tinha outro curso lá na minha terra, André.


  Mas quero mesmo é ser médica. – ela falava isso calmamente, olhando-o com aqueles olhos azuis de endoidecer qualquer um – depois sorriu, encostando levemente sua mão na dele. – Ora, esquece isso e vamos lá dentro comer aquele bolo que já estou com água na boca de sentir o cheiro.


Ele ficou lá, estatelado, olhando-a sair da rede num leve balançar de quadris e entrar na casa.


Mas não entrou, foi-se embora. Chegou em casa e arrumou uma valise com algumas roupas dizendo para a mãe. 


- Vou passar uns quinze dias fora, mãe. Não me pergunte a razão.


Só voltou dez anos depois.  Não conseguiu esquecer Maria Rita, a despeito de ter procurado seus olhos azuis em toda mulher que encontrou e seduziu.  Um dia cansou-se da vida vazia e sem objetivos que estava levando.  Formou-se e trabalhou alguns anos em ONGs cuidando da saúde de populações ribeirinhas.


 Fez muitos projetos e se tornou conhecido naquele meio, até que resolveu voltar. Estava com saudades da família e cansado de estar só.  Quase não reconheceu seu bairro. Novas avenidas e edifícios, muitos carros, ônibus e movimento. Mas sua rua ainda era a mesma, reparou aliviado.


A mãe já velhinha, recebeu-o feliz. – Veio de vez, meu filho? Perguntou, esperançado.

- Acho que sim, mãe – respondeu ele abraçando-a.

Esta história não termina aqui.  Uns meses depois ele foi levado para um hospital, após um acidente de carro.  E quem o atendeu? Maria Rita, dez anos mais velha e ainda mais bonita.


Ela não o reconheceu imediatamente.  Ele estava com barba, já meio grisalho e com aquele ar resignado dos homens quando sofrem e se entregam à sua sorte, buscando alívio no trabalho ou se dedicando a obras sociais.  Mas ele sentiu instantaneamente a presença de sua Maria Rita naquela linda mulher de jaleco branco que o olhava preocupada.


- Ah, já acordou? Que bom... Foi uma pancada feia mas você não quebrou nada. Estava andando distraído, não é?


Ele a olhou extremamente emocionado: - Maria Rita... Já vi que conseguiu o que queria... – suspirou meio cansado, mas totalmente encantado com aquele encontro tão inesperado. - Ela se espantou com aquela voz e olhou-o mais atentamente:


- É você, André? – perguntou – e seus olhos se encheram de lágrimas.  Afagou seu cabelo, quase todo coberto por uma bandagem e disse baixinho algo que foi música para os ouvidos dele. – Que saudade, André... Você se foi sem se despedir, sem dizer nada...Foi ai que descobri quanto o amava.  Não sabe como o procurei.


- Com todo amor que eu lhe tinha, ainda  não estava pronto para você, minha querida. Mas agora estou e não quero mais perder tempo, sabe? Quando eu saio daqui?


- Agora você é meu prisioneiro, André. – disse ela sorrindo com aquele sorriso luminoso que ele jamais havia esquecido.


- O prisioneiro mais feliz do mundo, Ritinha. 



UMA HISTÓRIA REAL! - Dinah Ribeiro de Amorim



UMA HISTÓRIA REAL!

Dinah Ribeiro de Amorim


  Vindo de uma infância pobre, sofrida, com pais alcoólatras, João cresceu num ambiente triste e sem esperanças....

  Teve muitas vezes que dormir na rua, para não presenciar cenas de brigas, bebedeiras e ciúmes dentro de casa. Apanhava injustamente, quando tentava defender a mãe.

  Sua escola foi a rua, os moleques e mendigos do bairro, não tendo ânimo e motivação para estudos!

  Logo entrou no caminho das drogas e do álcool, que o levou ao roubo e à marginalização, passando também algum tempo na cadeia!

  Quando saiu, jovem ainda, não encontrava  um rumo para sua vida, tentando o suicídio, num ato de desespero!

  Foi quando conheceu uma jovem, Francisca, dentro de uma clínica para onde foi encaminhado. Seu serviço era voluntário!

  Essa moça, crente em Deus, compadeceu-se de João e de sua má sorte, convidando-o a visitar uma Igreja que freqüentava, em nome de Jesus! Só Ele poderia reconstruir sua história de vida.

  O rapaz, negou-se, a princípio, achando que o que menos queria, no momento, era ouvir falar em Deus!

  Gostava de Francisca, sua presença fazia-lhe bem mas, quando começava com pregações de Igreja, mudava logo de assunto...

  Foi tanto empenho dessa moça em salvá-lo, tanta dedicação, tanto amor, coisa que João nunca havia tido na vida, seu coração era fechado por rancores e mágoas, que, um dia, já restabelecido fisicamente, resolveu acompanhá-la a um culto.

  Ao ouvir a palavra de Deus, citações do Evangelho de Jesus, suas promessas de cura e salvação, algo despertou nele! Uma luzinha de esperança nasceu em sua alma! O pensamento de que nem tudo estava perdido!

  Rompeu em lágrimas, sentindo alívio e paz após isso!

  Recordou toda a vida que tivera até então, pedindo perdão a Deus dos males que havia feito a si mesmo e aos outros. Fez uma coisa difícil de se fazer, perdoou seus pais e os que lhe causaram mal!

  Claro que a vida de João não mudou tão rapidamente. Sua conversão foi lenta e persistente, recebendo o apoio e compreensão de Francisca e outros irmãos na Fé.

  Atualmente, é um homem honrado, honesto, trabalhador, querendo voltar aos estudos.

  Ele e Francisca estão noivos, esperando a compra de uma casa, para o casamento e filhos!

  Sua vida mudou através do amor de Deus, da Fé que passou a sentir, do livramento dos vícios da droga e do álcool, da paciência de uma moça chamada Francisca, que confiou nele como ser humano! Ou, quem sabe, estava mesmo destinado a mudar de vida para a obra de Deus!

"CINCO MINUTOS”, ATRAVÉS DE MINHA IMAGINAÇÃO - Dinah Ribeiro Amorim


"CINCO MINUTOS”, ATRAVÉS DE MINHA IMAGINAÇÃO... (exercício)
 Dinah Ribeiro de Amorim

 
    “Pois é, querida prima, andei até as 21,00 horas e, nada, nem vulto, nem sombra da mulher misteriosa.
     Seu perfume de sândalo ainda me chegava às narinas, deve ter ficado impregnado em minhas roupas!
     Com o coração esperançoso, andei mais algumas quadras pelo Rocio e, avistei ao longe, jogado no chão, um papelzinho dobrado, caprichosamente dobrado, na cor rosa. Pensei logo: deve ser um bilhete deixado cair!
     Era mesmo, e por ela. O mesmo perfume de sândalo. Desdobrei-o apressado e, comovido achei o endereço com nome de rua e número: Rua das Hortências, 128. Aonde seria, perguntei a mim mesmo? Só poderia  me ser destinado.
     Andei mais um pouco e parei num empório, cujo dono, um português, ainda não havia fechado.
     Perguntei sobre a Rua das Hortências e ele me afirmou que ficava a uns dez metros dali, seguindo em frente e dobrando à direita.
     Segui a orientação que me dera e parei defronte  um sobrado, com grande escadaria na entrada. Possuía uma campainha que logo apertei. Veio atender-me uma empregada, de avental engomado, muito branco, perguntando o que eu queria.
     E agora? Pergunto por quem? O que deveria fazer, querida prima?
     Perguntei por uma senhora vestida de sedas, com um chapeuzinho de palha e rendas, perfume de sândalo... Mostrei-lhe o bilhete... Ah! Falava italiano...
     A moça empalideceu, assustou-se, disse-me haver um engano.
     Realmente, havia tido uma patroa com minha descrição mas, havia falecido há alguns meses, sofrido um acidente de ônibus, quando voltava para casa. Era viúva, a coitada e, sem filhos, restando somente ela, agora, na casa, que seria vendida.
     Entonteci de repente! Senti que as forças me faltavam! Segurei-me ao portão fortemente, com medo de cair! Devo ter ficado muito branco porque a moça, preocupada, ofereceu-me um copo d’água.
     Prima! Como fiquei assustado! E triste, também! Tanto entusiasmo por uma estranha que não era real, fantasma ainda por cima...
    Voltei para casa muito cansado, chocado e, misteriosamente, com o perfume de sândalo  no ar!
    E tem gente que não acredita nessas coisas...

terça-feira, 29 de março de 2011

Ver e não crer - Hirtis Lazarin



Ver e não Crer
Hirtis Lazarin


A família de Juliana teve que deixar a casa no bairro Paraíso, onde moravam desde o nascimento da menina. O aluguel estava caro demais por conta da especulação imobiliária que atingiu todo o país. Conseguiram uma casa num valor acessível e se transferiram para o Jabaquara.

Juliana foi a que mais sentiu a mudança: deixou a casa onde crescera, a escola, a turma e o namorado. Mas o que fazer? Circunstâncias da vida.

No começo sentia-se um peixe fora d'água no colégio novo, pois é sabido que os adolescentes costumam hostilizar gente nova no pedaço. Mas seu jeitinho simples, atencioso e comunicativo facilitou-lhe a vida.

Aos poucos foi se ajustando e ganhando simpatia. Não foi tão difícil achegar-se a duas garotas da sua classe, Chris e Letícia, tão diferentes no estilo e tão companheiras em tudo; não se largavam por nada, era até bonito de se ver.

Chris é estilosa, antenada na moda, unhas compridas e sempre pintadas, cabelo loiro mexado; Letícia, por sua vez, descolada e displicente, não aposenta as calcas de moleton, largas e confortáveis e o tênis já gasto, mas inseparável. Adora jogar futebol com os meninos e é craque na defesa, não deixa bola nenhuma passar.

As três se juntaram na amizade, nas confidências e nos segredinhos.

Era segunda-feira e Juliana chegou à escola amuada, ausente, olhos fundos de quem não dormiu nada e chorou muito.

Confidenciou às amigas que não sabia o que estava acontecendo com seu namorado Pedro. Durante toda semana ele não atendeu suas ligações, deixara vários recados na caixa postal e nenhum foi retornado, mandara emails e nada; no sábado, sem avisá-lo, foi até sua casa. Tinha certeza que ele estava lá e não quis nem vê-la.

A semana toda foi assim e Juliana definhava na sua tristeza, era a imagem da Madona chorando a ausência do Menino Jesus arrancado de seus braços.

Chris e Letícia eram garotas de atitude e iam correr atrás do prejuízo. Mexeram e remexeram na mochila de Juliana e encontraram o que queriam: o endereço de Pedro.

No sábado seguinte, de manhã, estavam as duas em frente ao número 442, na rua Aymorés, endereço do tal Pedro. O rapaz ainda estava dormindo, foi pego de surpresa e não teve tempo pra fugir.

Na cara dura, foi chamado de covarde e moleque; Juliana merecia ao menos uma explicação pelo seu afastamento, uma menina de ouro não merecia passar por aquela humilhação.

Pedro ouviu calado gatos e bugalhos, ouviu o que queria e o que não queria; não ousou nem esboçou qualquer reação, porque viu que as duas garotas eram fogo.

Quando deixaram o rapaz abrir a boca, ele contou que estivera duas vezes nos portões do colégio pra fazer surpresa a Juliana e, nas duas vezes, viu sua namorada acompanhada de um rapaz alto, forte, boa pinta; pareciam tão íntimos, felizes, rindo com facilidade. Sentiu-se traído e louco de ciúmes. Decidiu afastar-se dela, apesar do amor intenso que o queimava por dentro. Estava fazendo de tudo para esquecê-la.

À medida que Pedro ia contando, Letícia e Chris se entreolhavam com ar malandro, riso apertado entre os lábios que, num dado momento, explodiu numa gargalhada debochada.

__O garoto é nosso amigo. E jamais haveria qualquer interesse entre eles, além de uma amizade verdadeira. O Paolo é gay assumido e aceito numa boa pelo grupo.

Pedro morreu de vergonha. Não queria nem podia acreditar na tolice que fizera. E o arrrpendimento, então? O quanto era infantil...

Como dizem os mais velhos, "há males que vem pro bem" e são as lições da vida que nos trazem amadurecimento.

Os três tomaram o primeiro ônibus, Pedro desceu perto da casa de Juliana.

Não havia tempo a perder...Mil perdões, mil provas de amor, se necessário fosse...

Juliana era a sua princesa, uma jóia valiosa e ele sabia como era difícil viver sem ela.



(Texto criado a partir da leitura de duas gravuras)


Criação: Hirtis

domingo, 13 de março de 2011

O Acampamento (lenda urbana) - DaisyDaghlian




O Acampamento
DaisyDaghlian

 
No feriado da páscoa, fomos acampar em Campos do Jordão. Como era de praxe minhas irmãs Carol, Juliana e eu ficamos no mesmo alojamento que fica ao lado do lago. Pedro, Rogério e Gustavo, meus primos, ficaram no alojamento perto da mata.

Este tipo de viagem era sempre delicioso, tínhamos muitas atividades durante o dia, nadávamos, escalávamos montanhas, mil brincadeiras inventadas pelos monitores.

À noite, após o jantar, sentávamos ao redor da fogueira, tocávamos violão cantávamos, e conversávamos muito entre piadas, brincadeiras e muitas risadas.

Certa noite, Carol inventou de fazer a brincadeira do copo.Fomos para o alojamento dos meninos, e preparamos a mesa com o copo e os papéis com as letras. Ríamos muito, ninguém estava levando aquilo à sério. Pusemos o dedo em cima do copo. No começo eu empurrei o copo, deliberadamente.

Para com isso Tati, vamos fazer da maneira correta, gritaram todos. Antes de retornarmos à brincadeira, Gustavo, que adorava inventar histórias, começou a contar que naquele lugar onde estávamos, um casal em lua de mel havia sido morto e, que toda sexta feira à meia noite eles voltavam à procura do assassino. Que ele já havia presenciado a aparição, era assustador, choravam muito, gemiam e sacudiam quem estivesse por perto para saber quem praticara o delito, queriam vingança.

Já com medo, colocamos o dedo no copo, ele girou e girou, sem que ninguém empurrasse começou a formar as palavras, um vento gélido percorreu o aposento.

Sou o médico assassino, vim aqui para roubar a alma e o coração de vocês, escreveu Rogério, que estava anotando as letras, fui eu que assassinei aquele casal em lua de mel, queria o coração deles, assim como mataram meu filho e levaram seu coração. Morri de tristeza e desgosto.

Ficamos estarrecidos e paralisados. O copo continuava a se mover, ao mesmo tempo, uma faca que flutuava no espaço dava golpes no ar, livros, roupas e cds começaram a cair fazendo muito barulho. As venezianas das janelas se abriram e batiam contra a parede fazendo um barulho ensurdecedor. A luz apagou.

Levantamos quase ao mesmo tempo, tentamos abrir a porta, parecia emperrada, forçamos bastante e saímos numa correria desembalada, em pânico. Penetramos na mata, escura como breu. As árvores frondosas pareciam fantasmas no meio da bruma. Nesta hora, o sino do refeitório tocou, 12 badaladas. Como por encanto um coral de mulheres com velas nas mãos surgiu cantando uma melodia muito alegre e convidativa, como a indicar o caminho que devíamos seguir, não tínhamos outra opção, acompanhamos a música e caímos dentro do lago. Pedro e Rogério começaram a nadar nós os seguimos, estávamos longe dos nossos chalés. Horas depois, foi o que pareceu, chegamos. Tiritando de frio, apavorados, famintos e muito nervosos. Os monitores correram para nos ajudar, o acampamento estava em rebuliço. Estavam à nossa procura a horas. Com a voz entrecortada e soluçante, contei o acontecido.

Manchete do Notícias Populares:

Médico Assassino confessa ter arrancado os corações do casal em lua de mel

terça-feira, 8 de março de 2011

Dois irmãos - Daisy Daghlian

Dois Irmãos

Daisy Daghlian



Hermes, irmão de Apolo, foi um garoto inventivo e travesso. Criou a Lira, a flauta e com suas sandálias aladas podia percorrer distancias e lugares inimagináveis.

Na adolescência foi nomeado por seu pai Zeus, mensageiro.

Com esta incumbência percorria o mundo como porta voz de um deus poderoso, vingativo, as vezes magnânimo.
Numa das viagens, teve que levar um documento a Pã, ficou impressionado ao encontra-lo. Era metade homem e metade bode, um fauno. Mais surpreso ficou ao ver em suas mãos uma flauta bem parecida com a que ele tinha inventado.

Trocaram algumas confidências. Descobriram ser meio irmãos.

Hermes confessou ao irmão que andava meio revoltado, cansado de suas viagens e mais ainda ter que levar notícias de vingança aos inimigos e benesses aos amigos de Zeus.

Pã por sua vez, não agüentava mais cuidar dos bosques, perseguir as ninfas que fugiam dele por ser um fauno. Queria mesmo era fazer música. Hermes queria o mesmo.

Com duas flautas e talvez uma lira a música seria muito pobre, precisavam de mais instrumentos resolveram cria-los.

Como tinham obrigações a cumprir e, temiam a ira vingativa de Apolo, decidiram cumprir suas tarefas durante a semana e nos fins de semana construiriam seus novos instrumentos

Trabalharam arduamente.

No sábado seguinte, Hermes chegou ao bosque muito cedo, acordou o irmão. Os dois caminharam um pouco ouvindo o som das folhas caindo, dos passarinhos cantando, do riacho murmurando, feras urrando.

Inspirados em tantos sons, pegaram uma tora pequena e dois galhos menores, bateram na tora, saiu um som meio rouco, puseram uma pele de animal, bateram de novo, o som melhorou muito, estava criado o tambor. O tempo acabara.

No fim de semana seguinte, Hermes trouxe um casco grande de tartaruga, Pã um galho bem cortado de árvore, puseram tripas de carneiro como cordas, tentaram tirar algum som, mas nada saia. Viraram o instrumento de um lado para outro, trocaram as cordas de lugar e, nada. Pã tirou um pedaço de sua roupa, colocou em cima do casco virado e achou que tinha conseguido fazer uma caixa acústica. Mesmo assim não tiraram nenhum som.

Pediram ajuda ao poderoso Zeus. Este andava meio bravo com os filhos que estavam se desviando do caminho traçado por ele, mas gostou da criatividade deles e jogando raios elétricos no objeto conseguiu dar voz a primeira guitarra do mundo.

A música passou a fazer parte dos sons do mundo.


sábado, 5 de março de 2011

ESTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA! - Dinah Ribeiro Amorim


ESTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA!

Dinah Ribeiro de Amorim


A Mitologia está sempre presente na vida dos povos. Influencia a Arte, a Religião, os Costumes, desde o homem primitivo.

Quando a Arte era Rupestre, os homens colocavam em seus desenhos: crenças e o que desejavam para suas vidas, nas paredes das cavernas.

Com os egípcios, nasceram as primeiras lendas mitológicas, crenças variadas em poderes mágicos e oferendas a deuses. Até o Rio Nilo, que fertilizava as terras com suas enchentes, também era considerado um deus! Trazia-lhes bênçãos e fartura!

Na Mesopotâmia; com os Etruscos e, finalmente com os Gregos, que influenciaram todo o mundo conhecido que viria depois, surgiu a verdadeira Mitologia, sempre ligada à Religião e incentivando a Arte, a Literatura, a Arquitetura, a vida e os costumes dos povos!

Os Romanos, dominadores e majestosos em tudo que faziam, copiaram e imitaram o que puderam dos Gregos, criando novos deuses, dando-lhes nomes próprios!

Dentre os povos da Mesopotâmia, os Babilônios eram completamente ligados aos seus costumes religiosos, à sua Mitologia.

A Arte era também dedicada à Religião, à construção de túmulos e, quando um Rei morria, era enterrado com tudo o que lhe pertencia: seus bens, suas jóias, suas armas, seus guardas. Sua mulher, quando morria, também era enterrada junto a ele, com seus pertences: jóias, amas, criadas, tocadores de música prediletos. Com certeza, eles deveriam receber algum sonífero, para adormecerem e serem enterrados vivos.

Foi o caso da Rainha Shub-ad, que foi enterrada junto ao seu marido, o Rei Arbage, da Babilônia, levando com ela jóias, objetos pessoais, guardas, músicos, escravas e cocheiros.

Uma de suas escravas, Núbia, era apaixonada por Raí, um dos cocheiros e eles, não queriam morrer mas, temiam desobedecer aos costumes, à Religião.

Desesperados, dirigiram-se à pitonisa Eriméia, que os auxiliaria com alguma sugestão. Núbia descobriu que estava grávida e seu amor pela vida aumentou!

Eriméia, consultada, levou horas meditando com seus oráculos, até descobrirem que uma nova vida, um novo nascimento, justificaria a fuga deles da morte certa. O filho os salvaria do sepultamento e morte. Encantados com a notícia, Núbia e Raí não tomaram o sonífero, conseguindo fugir antes que o enterro fosse feito, depois da contagem.

Tiveram seu filho bem longe, ocultados por amigos que viviam com outras crenças...

Que horror! Esses costumes bárbaros que existiam nas religiões do Passado!

Acho que melhoramos “em muita coisa” a nossa vida nesse planeta...Será?

CONTO BASEADO NA LENDA: A IDADE DO OURO - Dinah Ribeiro Amorim

CONTO BASEADO NA LENDA: A IDADE DO OURO! DA MITOLOGIA GREGA

Dinah Ribeiro de Amorim


Contavam os antigos gregos a lenda: “no início, o povo era pacato e feliz”...

Viviam com o que tinham, tiravam de suas terras tudo o que precisavam para comer e beber, sem necessidade de trabalho!



Não tinham malícia, andavam nus.

A vida deles era um eterno “paraíso” e o local em que viviam, eterna “primavera”.

Não sofriam tragédias nem conflitos, não precisavam lutar para viver; não precisavam de nada. Amavam-se, procriavam, alimentavam-se, descansavam. Seriam felizes para sempre, com seus prazeres e suas festas!

Mas, como sempre... Há um “mas” na história do homem! Até nas lendas...

Eram governados por um deus que escondia seus verdadeiros sentimentos. Cansado de tanto sossego, de tanta calma, de tanta Paz, revelou-se violento e ávido de poder. Seu nome, Caimi!

Ficou sabendo que, além da fronteira de seu país, viviam outros povos, donos de muita riqueza e ouro nos seus solos.

Cheio de inveja e cobiça, Caimi incentivou seus homens a guerrear, lutar, matar e conquistar as riquezas dos vizinhos.

Acabou-se a Paz daquela região pacífica. Os maridos deixaram suas esposas, os pais seus filhos, as mães ficaram sem os filhos maiores. Era o início do mal trazido pelas guerras!

Vieram tragédias, doenças, pobreza, contaminação do solo, mortes cruéis e conflitos! Precisavam agora lutar para sobreviver; plantar para comer; esconder-se para se protegerem e evitar represálias.

Foi o início do sofrimento no mundo!

O Senhor do Universo, o Deus dos deuses, havia lhes dado tudo de bom mas, a ganância e a inveja, sentimentos causados por um “deus do mal”, que os comandava, acabou-se a tranqüilidade do povo, persistindo até os dias de hoje, em muitos lugares!