BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CONTO COLETIVO - AINDA DÁ TEMPO DE AMAR !





Olá integrantes do ICAL!

Abaixo temos a introdução de um conto de amor, para o qual convidamos você a continuá-lo com um texto curto, guiando as personagens para a sequência dos fatos. Nao  termine a historia, apenas crie a sequencia para esta cena. 

Depois de você, outro leitor poderá enviar mais um trecho, e mais outro, e outro ... até que nossa história termine. Os textos aprovados para sequência da história, serão imediatamente postados para que se dê o correto caminho da trama. 

O título Ainda dá tempo de amar, é provisório, mas ele também dá ideia do objetivo da história.

Mande o e-mail com o seguinte assunto: CONTO PARA INTERAGIR "Ainda dá tempo de amar". Não esqueça de enviar seus dados que serão postados, afinal você passará a ser co-autor: nome completo  ou apelido, e-mail,  cidade e estado onde mora, seus endereços na web, e uma breve biografia literária (algumas linhas apenas). 

Vambora?

Espero seu texto para: anamaruggi@gmail.com









Olá integrantes do ICAL!

Abaixo temos a introdução de um conto de amor, para o qual convidamos você a continuá-lo com um texto curto, guiando as personagens para a sequência dos fatos. Nao  termine a historia, apenas crie a sequencia para esta cena. 

Depois de você, outro leitor poderá enviar mais um trecho, e mais outro, e outro ... até que nossa história termine. Os textos aprovados para sequência da história, serão imediatamente postados para que se dê o correto caminho da trama. 

O título Ainda dá tempo de amar, é provisório, mas ele também dá ideia do objetivo da história.

Mande o e-mail com o seguinte assunto: CONTO PARA INTERAGIR "Ainda dá tempo de amar". Não esqueça de enviar seus dados que serão postados, afinal você passará a ser co-autor: nome completo  ou apelido, e-mail,  cidade e estado onde mora, seus endereços na web, e uma breve biografia literária (algumas linhas apenas). 

Vambora?

Espero seu texto para: anamaruggi@gmail.com



Descrição: http://4.bp.blogspot.com/-2YsLGWI6b_M/TWPxVEFEFhI/AAAAAAAAC2Y/M3GGK7ZvkhM/s1600/images+%252816%2529.jpg



Uma brisa fresca e ligeira tocou os cabelos castanhos da menina enquanto compenetrada  lia uma história de amor – Que gostoso! – pensou ela.

Era Julho e as férias a levaram para a distante cidade de Lapinha no estado de Minas. Sua tia  a convidara para ajudá-la com o complicado computador que adquirira há quase seis meses e até então  jazia empoeirado no quartinho de coisas da antiga casa da fazenda – Esse negócio é muito complicado de lidar com ele! – dizia Dona Hermínia para Angela quando a levou para sua cidade.

A garota tinha habilidade com a web e com a manutenção  de seu próprio computador, portanto foi muito fácil a montagem do equipamento. Aproveitou sua estada e pode dar algumas dicas para a tia solteira que sonhava com um namorado virtual – Sabe a filha da Dona Augusta, aquela meio vesguinha que veio aqui ontem à tarde? Pois então ela está casada com um marido ótimo, menina. E eles se conheceram sabe onde? Na INTERNET. Isso mesmo, eles se conheceram numa  sala de bate-papo, eu até anotei na minha cadernetinha de assuntos importantes. Eles namoraram quase um ano, trocaram fotos e correspondências, e somente depois ele veio conhecer a família dela, nem ela conhecia o noivo. E se casaram aqui, precisava ver a festa, uma coisa de louco, acho que a cidade inteira estava nela. Eu mesma fui convidada. Ela estava tão linda, parecia até que o pequeno defeito na vista tinha sido reparado. O amor faz coisas incríveis! -  contava radiante para a sobrinha.

Angela aproveitou para dar alguns conselhos sobre namorar pessoas que não se vê, sobre o perigo em fornecer dados pessoais para estranhos, e marcar encontros em lugares ermos. A tia ouviu atenta mas balancou a cabeca negativamente, dizendo que era solteira de tanta cautela que teve na vida - Agora chega! – disse sorrindo.


Era uma quinta feira preguiçosa já com o sol se pondo atrás da mangueira e a menina no caramanchão com os olhos enfiados nas últimas páginas de seu livro, quando Dona Herminia gritou lá de dentroAngela vem aqui um pouquiiinho!.

Ah não, não agora que a história está no fim – pensou respondendo: Espera um pouco. Vou já já.

Ângela mesmo contrariada por ter sido interrompida em sua leitura,  correu ao encontro de sua tia para ver o que estava causando aquela gritaria toda!


Ficou aliviada ao constatar que se tratava de uma resposta de um internauta português, convidando-a para se corresponderem . Mandava-lhe algumas informações sobre ele, morava numa cidade histórica: Évora, tombada como patrimônio cultural; era um escritor muito interessado em conhecer o Brasil, país que ainda não visitara mas que já amava muito, através de tudo que lia à respeito. Ele dizia que achava os brasileiros muito alegres, musicais, simpáticos, e brincalhões! Trabalhava mesmo como funcionário público, mas nas horas de folga, escrevia histórias num computador.


Sua Tia não cabia em si de tão entusiamada e queria responder logo, por isso, precisava de sua orientação.
 (trecho fornecido por Dinah Ribeiro Amorim).


SEGUNDA PARTE

Mesmo gostando do perfil do candidato, Ângela desconfiava, lá por dentro, que aquilo não tinha muito futuro. Imagine... a tia sonhadora, morando no Brasil, numa cidadezinha perdida de Minas e o outro, já experiente na Internet, um oceano a separá-los. Mas não queria estragar o prazer dela.. Era bom vê-la animada, olhos brilhantes, como se um príncipe encantado estivesse ali mesmo, batendo à sua porta.

- Bom, vamos lá, tia Hermínia. Ele contou um pouco como é a vida dele lá. Agora é sua vez. Que tal escrever um pouco como é sua vidinha aqui? Garanto que ele não sabe nada do Brasil, a não ser o que lê, vê e escuta pela mídia. E isso quer dizer Carnaval, samba, alegria, talvez mulheres lindas na praia, de biquini. Vamos fazer ele cair em sua realidade, para ver se o interesse dele é genuíno.

 - Mas minha vida aqui é muito sem graça, querida. Ele vai me achar uma roceira boba, afinal, ele vive numa cidade que é patrimônio cultural, é escritor...

-Tia, não vale a pena iniciar uma correspondência com mentiras. Sua vida aqui pode lhe parecer tola, mas para quem mora noutro país, com outra cultura, é muito mais interessante do que pensa.

Lembra aquele livro Minha vida de menina, de Helena Morley, uma escritora mineira, um sucesso enorme no mundo? Até um filme fizeram baseado no livro. Então, era uma espécie de diário de uma meninota, narrando seu quotidiano muito simples, seus sonhos, em Diamantina, final do século 19. Que grandes coisas poderiam estar acontecendo por lá? Imagine... .Então, tia, conte para ele como são as festas juninas aqui, por exemplo, da delícia que é um pão de queijo, dos doces de dona Evinha, da procissão  do Santíssimo... Garanto que ele vai se encantar. (trecho criado por Suzana Lima) 

Ângela olhava curiosa para sua Tia Hermínia. Nunca a vira tão corada e excitada... Aprendeu com uma rapidez espantosa como comunicar-se e responder  mensagens.

  Contou para ele com detalhes que era de uma cidade pequena, Lapinha, em Minas Gerais, um grande estado brasileiro, na região centro-oeste. Morava em uma fazenda deixada pelos pais, com pequena criação de gado.Sua vida era um pouco solitária, só possuía uma sobrinha de São Paulo, passando férias com ela, no momento.Estava adorando o computador e querendo relacionar-se com muitas pessoas. Era um bom modo de passar momentos interessantes...

  Francisco, o tal português de Évora, começou a mandar recados todos os dias, querendo saber muitas coisas sobre o Brasil, sobre Lapinha, como ela vivia. Contava também um pouco sobre ele, seu trabalho e a bela cidade em que vivia.

  Tia Hermínia respondia-lhe com prazer. Nunca sua cidade parecera tão encantadora, com seus parques floridos, pequeno coreto com música aos domingos, suas igrejas muito antigas, datavam do Brasil-colônia, seus habitantes calmos e simples.Não havia muito progresso nem ostentação, como nas cidades grandes.Agora é que estavam pensando em instalar um cinema, no centro.

  Ficou também muito curiosa sobre Évora. Por que era considerada tombada? Patrimônio cultural de Portugal?Foi logo procurar sua localização no mapa.

  Aos poucos, estabeleceu-se uma convivência diária entre eles, uma conversa amistosa e interessante pela Internet.

  O momento mais feliz do dia, para Tia Hermínia, era quando chegavam as mensagens do seu amigo português, deixando Ângela menos preocupada com sua solidão e a ausência da sobrinha pois, as férias estavam terminando.. (contribuição de Dinah Ribeiro Amorim)

Hermínia pôs se a pensar na grandeza da vida, e sua mente a levava para todos os mais belos lugares do mundo, que ficavam ali mesmo na vizinhança de sua casa, na redondeza de Lapinha. Tanta beleza havia na cidade, nas calçadas de pedras desencontradas, nas paredes caiadas, nas telhas francesas, nas festas, nas pessoas amistosas, nos sorrisos, na plantação que se via desde a rua de terra batida. Nas tábuas amontoadas que formavam a ponte. Tantas delícias para saborear, comidas típicas, galinhada caipira, peixe fresco empanado, doces inventados, frutas guardadas em compotas, pães redondos com ervas finas. Beijos roubados, camuflados, escondidos, disfarçados, todos apaixonados. Tantos sonhos já amornaram a cabeça de Hermínia nas noites solitárias em sua cama de lençóis alvos. Tanto tinha para contar para aquele admirador distante que desejava conhecê-la. Hermínia pensou em dizer que já se casou muitas vezes, pelo uma vez por ano, nas festas juninas, mas temia que ele não entendesse a brincadeira. Temia que ele não brincasse.   

Angela interrompeu seus pensamentos lembrando-a de contar sobre seu jardim tão bonito que ela mesma fez desde a primeira pá de terra. Hermínia assentiu com a cabeça, e começou a digitar:

  "Como vai meu amigo? Eu aqui moro numa cidade pacata cheia de beleza e frescor, que bem merecia também ser Patrimônio de toda a Humanidade" - e continuou - " Aqui sobra terra, e comida, sorriso e saúde. O tempo não passa embora estejamos sempre ocupados. Tenho quintal que virou jardim de flores perfumadas, todas plantadas por minhas mãos. Minha casa tem dezenas de redes espalhadas para qualquer um descansar. Aqui faz muito calor, mas não incomoda, pois a cidade está num vale de águas e mata.  Gosto da vida quando ela é boa, e da minha gosto muito. Minha sobrinha Angela veio passar ferias aqui em casa e  me ensina usar esta novidade tecnológica, porém vejo que você é expert no uso do equipamento.".  

 Nesse instante um luz pisacante avisava de arquivo enviado pelo MSN. Hermínia gritou:   

 - Vem cá Angelita, o que é isso aqui que pisca sem parar? Será que já quebrei o negócio? Vem logo minha filha. - Angela chegou às pressas mas com o livro ainda aberto na frente dos olhos. 

- "Calma aí Tia, é só um arquivo que ele mandou. Clica no arquivo que vai abrir"  -  E estampou-se diante dos olhos de Hermínia um rosto másculo de pele morena brilhosa, cabelos levemente grisalhos molhados que ainda escorriam, olhos serenos quase convidativos, sorriso pequeno, corpo úmido de quem acabara de sair de um mergulho na piscina que aparecia ao fundo. A sunga estreita moldava o corpo do homem que parecia querer demonstrar prazer de viver. Ele não era bonito, mas parecia fluir sentimentos. Hermínia ficou estática admirando o amigo, até que a voz da sobrinha a trouxe de volta 

- "O que achou dele Tia?" - A Tia não sabia se tinha que "achar" alguma coisa, mas permaneceu de olhos vincados na fotografia que ocupava toda sua tela. 

- "Volta lá o MSN Tia, ele deve estar perguntando alguma coisa sobre a foto".

 E havia muitas perguntas, algumas pareciam vir de alguém confiante da conquista, outras de um homem carente. Hermínia então respondeu que recebera o arquivo, e que o lugar onde foi tirada a foto era muito bonito, que havia uma piscina de águas bem azuis com o sol refletindo nelas e que dava uma boa sensação de paz, e ao fundo dela uma mangueira espalhava a copa quase que atrapalhando o banho de sol. Sobre o homem, ela disse que parecia saudável, tinha olhar sereno e sorriso triste. 

- É você? - perguntou ela? (contribuição de Suzana da Cunha Lima)

A expectativa de novo contato de repente é quebrada pelo curto circuito ocorrido na central de energia elétrica, deixando a cidade num blecaute total.
Aquela noite foi terrível para Hermínia que delirava à luz de vela numa incontrolável ansiedade.

Era preciso saber mais sobre aquele homem que  tocara tão profundamente seus sentimentos.

Noite de insônia...Perguntas sem respostas...Restavam apenas as hipóteses.

Enquanto o coração se enchia de sonhos, os pensamentos ferviam em sua cabeça como chaleira em ebulição, numa mistura de preocupação entre as observações de Ângela quanto ao perigo da internet e o semblante da foto tão expressivo, acompanhada é claro, pela sensualidade da pequena sunga.

Pesava-lhe o fardo em viver numa cidade desprovida de homens da sua idade. Ser bela não era atributo para ser feliz. Era preciso ser amada -  pensava  ela. A exemplo de sua amiga estava disposta a correr risco, buscando na internet a sonhada felicidade.

A energia elétrica voltou com os primeiros raios de sol.  Ansiosa, andava de um lado para outro, esperando a sobrinha acordar, já que ela pouco sabia manusear o computador.

Ângela acabou sendo o cupido da tia, embora tão criança...

O bate papo com o internauta português, tomou  uma dimensão tão grande, que o rapaz já fazia planos para conhecê-la pessoalmente.

Externava o desejo de deitar numa rede dentre as tantas que havia em sua casa, e poder escrever seus contos visualizando o vale beirando a mata.

O romântico cenário descrito por Hermínia, também o levou  a sonhar no outro lado do Oceano. (contribuição de Cida Binachini) 

-Sim, sou eu mesmo, querida Hermínia - disse ele. Onde eu moro a natureza pródiga me convida a levantar e dar um mergulho, me sentindo mais jovem e preparado para escrever durante mais um dia e claro, falar com você.

A mulher revirou os olhos e deu um sorriso maroto que Angela percebeu, mas nada falou.

- Gostaria muito que pudesse fazer o mesmo que eu, pois apesar desta amizade ser virtual, sinto que há um profundo carinho e amizade entre nós. 

Pensou em dizer ainda como era linda a sua província, que sua família morava há muito naquela região, que haviam muitas festas religiosas, que se comia muito bem ali, principalmente pratos regionais feitos com peixes e frutos do mar fresquinhos. Que os pães e broas eram assados em fornos de pedras, apesar da tecnologia dos novos fornos e que os doces de ovos e leite de cabras foram desenvolvidos e aprimorados ali, naquela região, para agradar o paladar dos países vizinhos. Pensou ainda em dizer-lhe que o mar ali era muito especial e que como viúvo e sem filhos, pois todos haviam crescido e se mudado para outros lugares da Europa afim de trabalhar e cuidar de sua vida, tinha tempo de sobra para admirar a natureza, pesquisar e conversar na web.

Quando se deu conta, seus pensamentos, em fração de segundos, haviam sidos registrados no teclado virtual.  

Como num piscar de olhos Hermínia desandou a escrever-lhe sobre o seu lindo mundo e isto foi algo impensado, mas como que um clic no coração e na razão dos dois amigos virtuais, fatos, acontecimentos de suas vidas e de suas cidades foram sendo revelados, num sentimento de descoberta, de alegria, de pura adolescência.. (contribuição de Carmen Lucia Raso)


- Essa foto tirei esta numa pequena quinta que tenho aqui perto de Évora. O que lhe pareceu?

- Sobre o lugar ou sobre sua figura? - perguntou ela, já meio entediada com aquelas mensagens que exigiam resposta rápida, diferente de e.mail, onde se podia pensar um pouco mais nas respostas.

- Sobre o que quiser comentar, minha amiga. Quis lhe mostrar como sou e onde fico quando preciso refletir ou descansar. Esta quinta é meu refúgio.

- Bem, sobre o lugar já comentei. Quanto a você, uma foto, às vezes não quer dizer nada, às vezes diz muita coisa. 

Ângela espiou o que a tia estava escrevendo, por trás do seu ombro e ficou meio injuriada com a fotografia daquele homem em trajes tão sumários. 

 - Tia, foi muito deselegante ele lhe mandar uma foto, assim tão despido. Nem te conhece ainda... Olhe, ele já respondeu, dá uma dura nele tia, onde já se viu ficar assim se exibindo?

Hermínia achou graça na bronca da sobrinha, mas também não tinha apreciado aquele gesto tão vulgar. Mas antes que escrevesse alguma coisa, percebeu outra mensagem dele.

- O que quer dizer sobre uma foto  dizer muito ou não dizer nada? Não entendi Hermínia.

Ah, agora ele vai ver, pensou Hermínia. Posso ser roceira, mas não sou boba nem inculta.

- Achei seus olhos tristes, embora sua linguagem corporal estivesse  sugerindo que estava numa hora de lazer, saindo molhado da piscina.  Há ambivalência aí.  Não me parece que esteja bem consigo mesmo, senão não me enviaria uma foto tua assim quase despido.  Com que finalidade queria me mostrar que tem um corpo bem feito? Não se sente seguro na sua profissão ou não valorizas a cidade onde vive e as oportunidades de conhecimentos que são oferecidas? Afinal, como já disse, gosta de ler e de escrever. Com certeza, a busca de conhecimento e cultura é uma qualidade que aprecio bem mais do que dotes físicos. Acho que devíamos nos conhecer de outra maneira: o que pensamos, com que sonhamos e o que desejamos para nossa vida. Se busca algo diferente na Internet, não vamos perder tempo, não é? 

Durante certo tempo não houve mensagens. - Hermínia chamou a sobrinha outra vez:

- Ângela o que aconteceu? Pararam as mensagens. O que fiz de errado? Estava desorientada e aborrecida como se tivesse perdido a última oportunidade de sua vida.

Ângela olhou para o que a tia tinha escrito e aprovou:

- Jóia, tia.  É isso aí, tem muito malandro  na Internet. Quer saber? É capaz desta foto nem ser dele. Tenho a impressão que este portuga é baixo e magrinho, usa óculos fundo de garrafa e é cheio de complexos. E garanto que não deve ter nenhuma quinta. Vamos partir para outra.  

- Então, que faço? Desligo sem nenhuma despedida? Hermínia estava desolada.

- Que despedida, tia... Não está vendo que ele já sacou que você é uma pessoa direita? E que é bem esperta, tem excelente português e não está atrás de sacanagem... Ah, desculpe a expressão, tia. E olhe, ele não vai mais lhe mandar mensagens nem e.mails, com certeza. Vamos mudar de programa. Há um onde se faz uma triagem e se seleciona o perfil desejado. É mais seguro. (contribuição de Suzana da Cunha Lima)


TERCEIRA PARTE

Mas os emails iam chegando às dezenas, sem parar eles lotavam a caixa postal de Herminia. Nem todos vinham  de Évora. Aliás, a maioria já não era de lá. E foi assim que a tia de Angela percebeu a grandiosidade daquele cenário virtual. Havia homens do mundo inteiro tentando falar com ela,  queriam saber da "sonhadora" habitante da brasileira Lapinha. Ela chegou a pensar " como podia haver solitário no mundo, se existia a internet?".

Aventurou a abrir cada mensagem, e deliciar-se com tantos candidatos. Não queria esquecer o português, não. Mas precisa saber até onde a levava aquele horizonte tão fantástico. 

Uma nova e excitante brisa soprou os ouvidos de Hermínia quando abriu a mensagem de Lupercio, um fazendeiro brasileiro do Mato Grosso. Ele registrou que era solteiro, embora já tivesse passado dos cinquenta anos, mas que tinha muita vitalidade e a cabeça encharcada de bons sonhos. Disse não ter hábito de usar a internet, e pediu antecipadas desculpas por qualquer erro até na digitação. 

Tinha um formato sério e respeitoso de falar, usava letras maiúsculas e minúsculas, pontuava e acentuava com correção, não fazia uso de girias ou linguagem internáutica, como a que Angela a havia ensinado usar. Os textos de Lupercio pareciam estar em uma carta manuscrita que chavaga pelas mãos do carteiro Juca. Todas as frases pareciam vir de uma boca sorridente. Hermínia tentou imaginá-lo e então ela  pediu que ele  lhe mandasse uma foto. Ele respondeu, demonstrando contrariedade,  que isso não seria possível, pois ainda não aprendera a fazê-lo. Mas assegurou-lhe que era um homem bonito, de poucos namoros, de cabelos grisalhos, e riu ao dizer que todos os dentes eram naturais. Hermínia riu disso também. Ele continuou dizendo que nasceu na fazenda que era de seu avô, depois de seu pai, e agora dele. Que viajava às vezes,  mas o trabalho o obrigava a permanecer em suas terras. Que o lugar era um recanto especial do Mato Grasso, bem perto de Bonito, e quis saber se ela conhecia  a região...

Hermínia achou estranho Lupercio não saber enviar foto, já que parecia bem despachado pela conversa no e.mail. Ora, ela também pouco entendia de computador, porém, com as lições de Ângela, já estava se saindo muito bem naquela correspondência pela Internet. Por que ele não fazia o mesmo, já que praticamente todos os correspondentes gostavam de mandar foto e também de receber? E também não entendeu a razão da contrariedade dele, já que lhe assegurava ser um homem bonito e com bastante vitalidade. Em todo caso resolveu responder.

- Caro Lupercio. Não conheço Mato Grosso, mas já ouvi falar bastante de Bonito, do Pantanal e das belezas aí existentes. É o maior ecossistema do planeta, a terra das águas cristalinas, uma natureza soberba. Onde moro é bastante diferente, mas igualmente belo. Aqui é bem montanhoso, estamos no sopé da Serra do Cipó. Temos dois rios separados por duas montanhas e uma grande represa e nossa região é rica em cachoeiras, fadada ao turismo. Mas ainda não temos infraestrutura para isso, estamos começando. Nosso atual prefeito é muito voltado para o ecoturismo e está focado em planejar o turismo de tal modo que não agrida a natureza.

Enquanto isso vamos levando nossa vidinha, que é muito boa e saudável. Sou professora aposentada, como lhe disse, mas trabalho na escola local como coordenadora pedagógica. Não gosto de ficar parada e é uma ocupação muito prazerosa, conheço quase todo mundo e muitas das crianças são filhas de ex-alunos meus.

Ah, antes que me esqueça, minha sobrinha que entende muito de computador, diz que é muito fácil enviar imagens, fotos, desenhos, o que se quiser, pelo computador. Eu estou aprendendo com ela. Quem sabe até lá eu aprendo direitinho e você também e poderemos trocar fotos?

Bem Lupércio, fale um pouquinho de seu trabalho. Qual é a atividade principal de sua fazenda? É perto de alguma cidade conhecida? Você costuma viajar para os grandes centros? Tem algum objetivo maior na vida que ainda não conquistou? Escreva um pouquinho sobre você, seus planos e sonhos...Aguardo notícias, um grande abraço, Hermínia.

 Depois deste e.mail tão longo, Hermínia foi preparar um chá e chamou Ângela que ainda estava às voltas com seu livro. 

- Venha tomar um chá, menina. Hoje eu fiz um bolo de laranja que está um desacato de tão bom. Está esfriando, é bom você sair desta rede e entrar em casa.

Ângela veio correndo, estava com fome e começando a ficar com frio. Quando estava entrando no alpendre da casa, notou um senhor bem apessoado tocando a campainha lá no portão.

- Tia, gritou para a cozinha. Tem uma pessoa lá na frente!

- Mande entrar, Ângela. – disse Hermínia, e esticou o pescoço para a janela para ver quem era.

E quando olhou, seu coração começou a bater muito depressa, tirou rápido o avental, ajeitou os cabelos quando passou no espelho da entrada e foi abrir a porta para o visitante.

Ângela se espantou ao olhar a tia ruborizada e ao mesmo tempo faceira, enquanto fazia aquele senhor alto e grisalho, de botas e chapéu, entrar na sala. (contribuição de Suzana Lima)

Ângela olhava boquiaberta para aquela cena inusitada. Nunca soubera de caso algum de sua tia, nem namorado, nem candidato, nem nenhum apaixonado ou admirador antigo. E agora, lá estava Hermínia conduzindo aquele senhor bem apanhado para a sala de visitas, visivelmente encantada.

- Ângela, pediu Hermínia – traga uma bandeja com o café e o bolo para o senhor Carlos. Ele é velho conhecido, sabe, e há mais de 25 anos que não nos víamos, veja só. Nem sei como ele me encontrou aqui, nesta lonjura.  Nós nos conhecemos quando eu ainda morava em Belo Horizonte.

- Muito prazer - disse Ângela, cumprimentando o Carlos - Eu sou  sobrinha e estou passando as férias aqui.

- Muito bonita sua sobrinha, Herminia. – disse o senhor sorrindo bem à vontade. -  Por que não vamos tomar este café lá na copa? Assim não precisa ninguém arrumar bandeja.  A gente  senta lá na mesa da cozinha, como sempre fazíamos, lembra-se? E com certeza o bolo deve ser aquela receita maravilhosa da mãe de Hermínia, não tem outro  mais gostoso em toda  Minas Gerais.

- Vamos então, concordou Hermínia.  E aí você vai me explicar de que modo me achou aqui.

Sentaram-se à mesa e a prosa foi fluindo, regada a café quentinho e bolo de laranja.

- Olhe Hermínia, disse Carlos – depois que nos separamos, logo depois de nossa formatura, fiquei tão triste que resolvi sair de Belo Horizonte.  Sempre gostei do campo e fui trabalhar para um tio numa fazenda enorme que ele tinha no Mato Grosso com agricultura e pecuária. Fiquei como braço direito dele, coordenando tudo, o trabalho dos peões, os suprimentos, enfim, a rotina da fazenda. Até ele morrer e me deixar como herdeiro, já que era já viúvo e não tinha filhos.  Acabei casando por lá, e tenho um rapaz de 20 anos que está se formando em agronomia em Viçosa, louco para trabalhar comigo na fazenda. 

- Você é casado, então? – perguntou Hermínia meio desconsolada.

- Sou viúvo, minha mulher morreu de parto e nem a criança se salvou. Foi uma época muito difícil em minha vida, nem gosto de pensar nisso - Carlos engasgou um pouco, entristecido com a lembrança, mas logo retomou a conversa.

- Não casou depois? - perguntou Ângela, já interessada na vida amorosa daquele senhor que bem podia ser um pretendente para a tia.

- Não – respondeu Carlos, com um sorriso matreiro – Casar é coisa séria e por lá só tem umas bugrinhas que não servem para ser esposa da gente.  Tive umas namoradas em Belo Horizonte, mas nenhuma se dispôs a viver comigo na fazenda.  Aí, alguém me falou de Hermínia, um colega de colégio, que me encontrei, casualmente, numa feira de gado em Barretos.

- Quem era, Carlos? – perguntou Hermínia curiosa.

- O Robertão, aquele cara gordo e engraçado que só vivia fazendo piada.

- O Robertão? Espantou-se Hermínia – Ele sempre disse que queria ser dentista. O que estava fazendo numa feira de gado?

- Trabalhando para o sogro, que é grande criador de gado. Sabe como é a vida.

- Ah, - lembrou-se Hermínia – Eu o encontrei  uma vez que fui a Belo Horizonte, tem dois anos, para o casamento de Martinha, minha sobrinha mais velha.  Ele é aparentado com o noivo dela. Que coisa, hein? Foi o Robertão que te deu notícias minhas, então?

- Foi sim,  e fiquei muito animado.  Ele me deu seu  endereço mas só pude vir agora, tinha muitas coisas para ajeitar antes: a morte de meu tio, o inventário, meu filho na Faculdade, enfim, tantas providências que um dia eu larguei tudo e resolvi chegar assim, de improviso.  A gente fica preso a estas coisinhas da vida e esquece de viver. (contribuição de Suzana Lima)

  Quando Carlos, seu antigo amigo, fazendeiro em Mato Grosso, foi-se embora, Tia Hermínia, contente, pôs-se a pensar no rumo novo que sua vida estava tomando. Graças à vinda de sua sobrinha Ângela e a Internet.

  Em Lapinha, vivia calmamente, em paz mas, sem novidades. Uma vida muito insípida.

  De repente, quanta coisa boa estava acontecendo: novos amigos interessados em conversar com ela, a amizade com o português simpático que já queria até conhecê-la e, agora, o antigo colega que veio visitá-la de tão longe, viúvo, parecendo muito interessado em reatar seu relacionamento.

  Realmente, as coisas estavam mudando, acontecendo...

  O rumo das conversas  de Tia Hermínia a estavam obrigando a estudar, pesquisar, o que a agradava muito e tomava bastante seu tempo. Esquecia-se até das tarefas diárias, que realizava às pressas, correndo para o computador.

  Carlos, o fazendeiro, voltava de vez em quando, visitando-a e convidando-a para ir à sua fazenda.

  Achava-o agradável, educado e simpático, não fazendo comparações entre seus novos amigos.

  Estava deixando de ter confusões emocionais. 

  Com Carlos, era uma amizade mais real, verdadeira, possível de se concretizar em algo sério.

  Deixaria as coisas acontecerem... Quem sabe como mudaria o rumo de sua vida? (contribuição de Dinah Ribeiro Amorim)

“Quem sabe como mudaria o rumo de sua vida?”

Estava na hora de Ângela voltar para a casa. Férias compridas, inesquecíveis. Em três meses tinha ensinado a tia a mexer no computador, entrar num site de relacionamentos e garimpar possíveis candidatos ao coração dela, e ainda  por cima, apareceu um pretendente em carne e osso...

Mas seu regresso deixou a tia muito triste, sem pai nem mãe, como dizem. Ajudou a sobrinha a fazer as malas, empacotou os potes de geléia que tinha feito para sua irmã, e pediu ao seu vizinho para levá-las à rodoviária. Na volta, Hermínia veio chorosa, contando para João Alberto como tinham sido maravilhosos os meses passados com a sobrinha.

Para consolá-la um pouco, ele parou numa lanchonete recém-aberta e ofereceu-lhe um café com pamonha fresquinha, especialidade da casa.

- Nem sabia desta casa aqui e que pamonha gostosa, comentou ela, olhando mais atentamente para seu vizinho, como se apenas naquele momento o tivesse visto: um senhor forte, pele tisnada pelo sol, cabelos já grisalhando, um sorriso bonito beirando à ironia.

-  Tem um mês mais ou menos, Hermínia, mas você não parecia interessada em mais nada, a não ser nas conversas virtuais. Os amigos reais foram ignorados.  – provocou ele enquanto sorvia o café quentinho, deliciado.

- Não, não, não ignoro meus amigos – respondeu ela meio intrigada -. Mas como você sabe das conversas virtuais, João Alberto?

- Eu lhe via grudada no computador quando ia para o centro e nem uma vez você levantou os olhos para olhar quem passava em frente na rua.

João Alberto estava a provocá-la com seu jeito direto e franco. Mas era uma provocação de sedução, pelo menos Hermínia sentiu assim. Olhou-o pensativo, avaliando se sua percepção estava correta:

- Tem razão, amigo.  Mas é raro vê-lo dirigir esta pickup, é sempre Tinhão quem usa este carro.  Você não estava fazendo um curso qualquer em B.H?

Ele sorriu:

- Ah, lembrou-se, não é? Não é um curso qualquer. Fui defender minha tese de mestrado.

- Mestrado? Tese? Qual o assunto? – perguntou Hermínia meio espantada pela sua ignorância e já subitamente interessada. No seu entender, João Alberto era um dos muitos fazendeiros rústicos do lugar, sem nenhuma tinta cultural.

- Um outro olhar para os substitutos viáveis dos agrotóxicos – respondeu ele soltando as palavras devagar. -  Sou agrônomo, caso não saiba.

- Agrônomo? Nossa, João Alberto, me desculpe.  A gente tem se visto tão pouco, não é?

- Quase nada, cara amiga. Mas pretendo reparar esta falha logo. Vamos esquecer por algum tempo estas conversinhas  de computador que não levam a nada? Estou lhe convidando para ir comigo, agora, no sábado, na Casa de Dorotéia: vai ter um conjunto muito bom tocando lá. Você gostava de dançar, pelo que me lembro.


 - Hermínia olhou-o meio surpresa, seus olhos azuis brilhando como duas contas.  Não sabia como estava encantadora diante de seu vizinho;
- Como você se lembrou disso, João Alberto? Tem mais de três anos que não saio para dançar.
- Três anos! O tempo corre mesmo...admirou-se ele. - Naquela época você ia muito a Belo Horizonte, sua mãe estava doente. Quantas vezes eu lhe levei à rodoviária? Você ficou muito abalada com a doença dela e depois, com o falecimento.
- Foram tempos duros mesmo. Acho que não fui boa vizinha e você sempre  tão prestativo... Recorda a última vez que vim chorando o tempo todo, quando cheguei aqui depois do enterro?  Ah, João Alberto, você me deu um apoio enorme, mas eu parecia alheia a tudo, morri um pouco por dentro também. – suspirou Hermínia.
- Foi mesmo, menina.  Você não queria saber de nada, trancou-se em si mesma e depois de umas semanas resolveu fazer um jardim, assim do nada! Foi como uma compulsão, uma maneira de jogar no trabalho pesado todo seu sofrimento. – ele falava pensativo, como a consolar, sua mão pousando na dela, distraído, enquanto lembrava daquela época difícil.
- Tem razão – concordou Hermínia, estremecendo ao toque leve da mão dele - Joguei toda minha energia nas flores, esqueci meus planos, projetos, tudo enfim. Eu estava fora de mim, mas hoje, após quase quatro anos, posso recordar de tudo com tranqüilidade. A dor se esgotou, ficou a saudade, uma boa saudade. – sorriu para ele, faceira. -  E você sempre ao meu lado, insistindo que eu saísse de minha concha, me convidando para sair, rever os amigos... e eu não queria nada, acho que fiquei muito chata naqueles tempos.
- Com certeza, d.Hermínia, ficou mesmo. – retrucou  João Alberto, feliz porque vê-la animada outra vez. - Quantos rapazes queriam sair com você naquele tempo e você dispensava todos... A mim também. Apesar do tempo que passamos juntos na fazenda de meu tio, lembra? Chegamos até a engatar um namoro, mas logo sua mãe adoeceu e você perdeu o contato com seu mundo aqui. Mas eu não desisti de você não, apesar de todos os foras que me deu... – ele tomou um gole de café, rindo  -  Eu queria tanto fazer reviver sua risada gostosa, ver seus olhos brilharem outra vez...

- Que bom que não desistiu,  João Alberto. – respondeu ela, faceira. – eu me refugiei primeiro no meu jardim e depois no computador, nestes últimos tempos.  Visitei o mundo nesta ilha da Fantasia que se chama Internet. Não percebi como aqui mesmo, nesta pequena terra onde moramos, a gente pode encontrar a felicidade.

Ele segurou-lhe as mãos, olhou-a docemente e falou:
- Já encontrou e não vamos mais perder tempo não, Hermínia. Você conheceu outras realidades por via virtual. Mas esse mundo não é o mundo real, o nosso mundo.  E  se parar para olhar para mim, vai ver que sou de carne e osso, a conheço bem e a amo. Sempre amei.  Não vou deixar você escapar de mim outra vez, ah, não vou mesmo...
E inclinou-se para ela, tomou-lhe o rosto entre as mãos e a beijou lentamente, num beijo que parecia que não ia acabar mais.
Hermínia arrepiou-se e corou, sentindo pela primeira vez o mundo latejar dentro de seu coração, um mundo feliz onde não havia lugar mais para tristeza.  Algum tempo depois Ângela recebeu um e.mail dela:

- Minha querida menina, veja como é a vida...  Eu procurei em tantos lugares, até em Portugal, lembra? E achei o meu companheiro  aqui mesmo, em minha cidade.  Aliás, ele que me achou, pois somos vizinhos há muito tempo.  Mas foi muito bom você ter me ensinado a mexer no computador, abrindo um mundo novo e maravilhoso para mim. Sempre vou lhe ser grata e espero ansiosa as próximas férias para você voltar para cá e conhecer o novo tio que arrumei para você.

Beijos saudosos de sua tia Hermínia. (contribuição de Suzana da Cunha Lima)

FIM



Este foi um exercício de escrever coletivo que divertir e fez crescer as imagens em cada uma. Parabéns garotas!

E A FADA SININHO SE APAIXONA...- Dinah Ribeiro Amorim





E A FADA SININHO SE APAIXONA...
Por:Dinah Ribeiro de Amorim

Quantas recordações gostosas nos trazem a infância: brincadeiras, vizinhos amigos, filmes infantis, principalmente os de Walt Disney!

Que emoção sentimos na primeira vez que assistimos “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Alice no País da Maravilhas”, “Cinderela”... Vibramos com a vitória do Bem! A salvação da moça inocente e injustiçada e a morte ou queda da bruxa, pertencente ao Mal!

De todas as estórias da minha infância, a que mais gostei foi a de Peter Pan e sua auxiliar: A Fada Sininho! Que gracinha! Tão pequenininha! Tão dourada! Tão sentimental!

Tão esperta! Até quando ficava brava, com ciúmes de Wendy, vendo Peter Pan apaixonado pela menina, era muito engraçadinha! Recolhia-se num canto, sacudia, enraivecida, o seu pozinho brilhante, cheio de estrelinhas faiscantes, batia as asinhas e ficava em silêncio, sem dar seus vôos saltitantes! 

Foi num desses momentos que a  Fada Sininho, mesmo espalhando todo o seu pó mágico pelo caminho, com muita braveza pois, estava com raiva, atingiu vários seres misteriosos da floresta, coisas que só as fadas conseguem...

Mesmo bravas, seu poder mágico só faz o bem, tornando sadios, alegres e felizes os que estão ao redor...

Rirri, um duende misterioso, às vezes verde, às vezes , azul, passava pelo local, nesse momento; sentiu-se atraído pela fadazinha triste, num canto, com pozinho tão maravilhoso...

Aproximou-se dela e tentou conversar mas, ela, nem respondeu, só pensando em Peter Pan e na sua dor!

Rirri tornou-se azul; quem sabe Sininho gostaria mais dele! Que nada! Nem olhou...

Ficou novamente verde... nada! A fadinha, tão encantadora! Permanecia zangada e triste...

Pensou também em usar seus poderes, afinal! Não era um duende?

Desapareceu por uns momentos e voltou a aparecer com uma linda rosa nas mãos!

Nada poderia ser mais mágico, mais maravilhoso do que uma rosa, recém desabrochada...

Sininho olhou a rosa, examinou suas pétalas, isso não saberia fazer nunca; deixou-a ao seu lado, para sentir seu perfume!

O duende, percebendo que a agradara, começa a aparecer e a desaparecer, sempre trazendo uma flor diferente... Resolve tratá-la com muito carinho, levando dias e dias nessa tarefa...

Sininho finge não prestar muita atenção mas, nota a sua presença e a flor que sempre traz!

Percebe que o duende começa a cativá-la e, que a sua presença lhe faz falta!

Aos poucos, torna-se mais alegre, esperando, ansiosa, o seu momento de chegar, sempre rodeada de flores!

Certo dia, Rirri desaparece e não aparece mais!

Sininho, preocupada, percebe, enfim, que está apaixonada por ele e quer procurá-lo, sem saber o “por que” de sua demora?

Voa, esperta, por vários lugares da floresta; pergunta aos animaizinhos verdes, aos azuis, aos outros duendes que encontra... Nada!

Atravessa rios, jardins, montes, grutas, até encontrá-lo, finalmente, quase morto, atingido por um espinho de uma flor muito bonita, nascida num galho, dentro de um buraco no alto da rocha.

Desesperada, sentindo mesmo que Rirri ia morrer, joga todo o seu poder, a sua força, seu pozinho milagroso, esperando salvá-lo.

O Rei do Universo, compadecido também pelo sofrimento e, sensibilizado por um amor tão grande, resolve colaborar com a Fada Sininho, dando muita força aos seus poderes, uma vez que era para o Bem e, num “sopro”, o espinho é arrancado do coração de Rirri e ele renasce para a vida!

A fadinha, de tão feliz, abraça-o fortemente e promete nunca mais deixá-lo partir!

Não precisava de flores! Elas já eram lindas aonde estavam; queria Rirri ao seu lado para, juntos, percorrerem os lugares que só o Mundo Encantado do Desenho e da Imaginação oferece!

Viveram felizes para sempre, na Cidade do Nunca, junto a Peter Pan e sua Turma do Bem!