BLOG NOVO: CONTOS DO ICAL

sexta-feira, 28 de maio de 2010

MARIA FUMAÇA - Isabel Sousa



Maria Fumaça
Isabel Sousa



Foi em uma cidadezinha bem distante que esta figura lendária tomou forma.
Seu nome? Da cidade: Mirandela – da personagem em questão – Maria – vulgo Maria Fumaça.
Vítima de maldição, pois em tempos além de nossa imaginação não se permitia aos seres humanos certos desvios de comportamento. Maria Fumaça tinha um gênio terrível, desde criança punha tudo em alvoroço. Não admitia ser contrariada, ela se achava a rainha daquela cidade sem história.
Destruía flores – sujava a água límpida que escorria pela cachoeira, nela jogava terra – detritos – e, ria quando alguém chorava. O povo dizia que ela soltava fumaça pelo nariz.
Até que um dia o castigo chegou. Maria caiu no rio que cortava aquela cidadezinha agreste.
Ninguém mais a viu. Maldição! Um espírito vingativo a perseguiu e a condenou a vagar por tempo infinito a soltar a fumaça pelas narinas.
Então, todas as noites de lua cheia, Maria perambula pela pacata cidade, e há quem afirme já tê-la visto, é um vulto estranho envolto em fumaça!
O povo diz que as flores aparecem murchas – tristes – apelando para o orvalho da manhã a fim de se revigorarem.
Não sabemos quanto tempo durará tal maldição.
Talvez enquanto o ser humano tiver capacidade de sonhar – inventar – sorrir – contar histórias.
Assim, Maria Fumaça continuará errante nas noites de lua cheia pelos recantos de Mirandela.

A OFICINA DESTA QUINTA FEIRA DIA 27 DE MAIO FOI FOLCLÓRICA!

Nesta quinta feira o tema "Folclore" deu o que falar!

Falamos e lemos um texto sobre o folclore brasileiro. Tomamos conhecimento das características de alguns seres folclóricos.

Abaixo descrevemos algumas dessas entidades folclóricas para  conhecimento geral:

Curupira, o guardião das florestas - Na maioria das versões do mito, o Curupira é um menino pequeno ou um anão, de cabeleira vermelha, que tem os pés invertidos com os calcanhares voltados para trás. Essa imagem está de acordo com o significado de seu nome, que é formado de "curu", uma contração de "curumim", que significa "menino" e "pira" que quer dizer corpo. Daí "curupira" dar a entender algo como "corpo de menino", ou criatura com corpo de menino.



Saci - Há muitas variantes ou versões do personagem. Em algumas, o Saci é considerado um ser brincalhão, enquanto que em outras ele é visto como uma criatura do mal. Sua figura, no entanto, é sempre semelhante: um menino negro, de uma perna só, que fuma cachimbo e usa um gorro vermelho.



Boitatá - O nome "Boitatá" é composto pelos substantivos tupis "mboi", que significa "cobra" e "tatá", que quer dizer fogo. "Boitatá", portanto, equivale a "cobra de fogo". É um dos primeiros mitos indígenas a ser documentado pelo colonizador europeu, no caso o padre José de Anchieta, que em uma de suas cartas fala de um "fantasma", com a forma de "um facho cintilante" que ataca os indígenas e os mata.



Mula sem cabeça - Nas noites de quinta para sexta-feira, uma jovem mulher se transforma na fantástica mula-sem-cabeça, de cujas narinas jorram labaredas incandescentes. Ela está condenada a essa maldição por ter seduzido e se relacionado com um padre, sacerdote católico que fez voto de castidade. Assim a transformação é um castigo pelo pecado cometido por ela.

Negrinho do Pastoreio - A lenda do Negrinho do Pastoreio tem origem cristã e data provavelmente do século 19. Tornou-se popular durante a campanha abolicionista, já que focaliza a crueldade de um senhor de escravos. Simões Lopes Neto (1865-1916), escritor que fixou o folclore e as tradições do Rio Grande do Sul em sua obra, apresenta um minucioso registro escrito da lenda do Negrinho do Pastoreio, no livro "Lendas do Sul".


E a partir daí fomos instigados a criar um texto (conto) sobre um desses personagens acima, porém esse personagem tinha que ter caracteríscticas modernas e tinha que estar numa ação dos dias de hoje. Por exemplo: falando ao celular, fazendo compras num shopping center, dirigindo um automóvel, no metrô adquirindo um bilhete para viajar, tocando uma guitarra etc.

Os textos criados pelos participantes foram brilhantes! Estão todos de parabéns. Em breve eles serão postados neste blog.

Depois foi solicitado um exercício para fazer em casa. Vamos ver o que virá. Estamos curiosos.

Os integrantes da Oficina deverão inventar um personagem folclórico brasileiro, criar suas características e escrever um conto onde seu personagem faça parte e nele faça uso de suas atribuições:
 
Confessamos que estamos todos curiosos para conhecer essas novas entidades!
 
Mas teremos que esperar até o dia 10 de junho para isso, pois no dia 3 de junho não haverá Oficina por causa do feriado.
 
Teremos que esperar...
 
Enquanto esperamos....Você não quer tentar fazer esses exercícios? Depois é só envia-los, devidamente identificado,  com assunto sendo "contos para o blog icaltextos", para contato@ical.org.br que  analisaremos seu texto e quem sabe poderemos postá-lo no blog.

Pequenos sonhos - Isabel Sousa



Pequenos sonhos
Isabel Sousa





O pobre homem todos os dias fazia o mesmo percurso.


Montado em seu burrico com dois recipientes de água pendurados na montaria do animal.


Em seu punho, um rebenque para cutucar o simpático jumento se necessário fosse.


Pingas de suor escorriam-lhe pelo rosto cansado e sempre taciturno. Aquele trajeto virou rotina.


No fundo sentia aviltante tal situação, mas com braço forte seguia em frente.


Sua mulher o esperava com um sorriso amarelo, e pegava os vasilhames despejando-os em recipientes improvisados para enfrentarem aquela seca maldita.


Cansados, um dia combinaram vender seus parcos haveres e com o produto dos mesmos rumaram a São Paulo.


Oh! Terra sonhada, quase idolatrada!


Chegados ao seu destino alugaram um barraco numa encosta. Em baixo o córrego corria tranqüilo e manso...


Não muito longe dali havia uma escola onde as crianças poderiam ir a pé.


Parecia tudo perfeito para recomeçar uma nova vida.


Logo ele arrumou trabalho na construção civil e a mulher de diarista em casa de uma boa família.


Depois do trabalho ele regressava ao seu pequeno lar, e feliz abraçava a companheira e lhe dizia sorrindo:


“Mamana” querida!


Beijava as crianças, conversavam um pouco, não tinham muito assunto. E a comida fumegava sobre a mesa da cozinha.

Rotina?


Seria... Se um dia, uma violenta tempestade não desabasse repentinamente. E foi um daqueles dias em que a Natureza se tornou agressiva e revoltada, parecendo dizer:


Comigo ninguém pode! Às vezes sou linda – maravilhosa – porém, há momentos que me enfureço, lembrando aos homens que há lugares que são só meus, ou alertá-los então, para se precaverem ao usá-los providenciando os necessários cuidados.


Foi em um dia desses que a Natureza se enfureceu que fez desabar a humilde habitação e todas as outras ao seu redor.


Os “heróis” desta história desolados preferiram regressar às suas origens e, lá foram rumo de novo ao sertão.


Resolveram não se obsedar mais e aceitaram aquela vida rotineira e quase vazia, tentando serem felizes com seus pequenos sonhos.

Noivado virtual - Isabel Sousa



Noivado virtual
Isabel Sousa

Em tempos passados escrever cartas era o meio mais comum de comunicação. Essa prática está quase extinta.
 A internet veio a todo o vapor, veloz e espontânea. Porém, através dela nossa alma não se desnuda, é tudo muito mecânico.


Dizia-se que a forma de escrever revelava nosso caráter e personalidade.


Havia até um intercambio chamado:


“A tua letra fala de ti”.


Será que fala mesmo?


Pensando nisso poderemos entender a história que vou contar:


João colocou um anuncio em um Jornal diário que dizia o seguinte:


“Cidadão de 25 anos – bom caráter- mora fora do Brasil, deseja conhecer moça de boa família para um futuro relacionamento amoroso.


“Enviar carta para este Jornal.”


Deste modo seguiu a história.


João recebeu várias cartas, e, pela letra – redação – firmeza na escrita – singela discrição... Decidiu-se pela de Janaína.


Assim começaram uma longa troca de cartas onde ambos expunham no papel todos os seus anseios – sonhos – frustrações – deixando transparecer suas almas.


No fim houve troca de fotos e nada de decepções. Sentiam-se felizes no lusco-fusco da relação.


Até que João decidiu abrir o jogo; e propôs a Janaína escrever uma carta a seu pai pedindo o consentimento do mesmo para um futuro e próximo enlace.


A carta seguiu nestes termos:



Senhor Manuel
Estou apaixonado por sua filha, há muito nos correspondemos, venho pedir sua aprovação para ficar noivo de Janaína.
Como eu moro na Inglaterra e ela no Brasil, não vejo necessidade de maiores despesas, se nos conhecemos através de cartas e nos amamos nada impedirá que nos casemos por procuração.
Que tal a idéia?
O senhor arruma aí uma pessoa idônea para eu enviar a minha procuração.
Após a cerimônia Janaína virá ao meu encontro para uma longa e duradoira lua de mel. Ela irá conhecer os famosos nevoeiros londrinos e toda a Grã Bretanha.
Um grande abraço.


Seu futuro genro,
João

Ora o seu Manuel, na sua simplicidade, um tanto atônito, consultou a filha, que se mostrou encantada com a originalidade e se confessou também apaixonada.


Desta forma seguiram todos os tramites e tudo foi consumado.


Passado tempo João e Janaína vieram ao Brasil reverem parentes e amigos para que todos pudessem constatar que é possível as pessoas se conhecerem escrevendo cartas e mais cartas, lê-las e relê-las...


Até hoje eles acreditam que a escrita mostra quem nós somos.


Será?


segunda-feira, 17 de maio de 2010

DIA NACIONAL DO LIVRO - 29 DE OUTUBRO

29 de Outubro - DIA NACIONAL DO LIVRO



Os livros, penso que são

Como portas encantadas,

Que levam a lindas terras,

Onde moram anões e fadas.

Lugares longe e tão belos

Aonde eu não podia ir,

Mas, agora, com esta porta,

É só ter cuidado e... abrir.

(Adelaide Love)
 
O dia 29 de outubro foi escolhido como Dia Nacional do Livro em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, que ocorreu em 1810. Só a partir de 1808, quando D. João VI fundou a Imprensa Régia, o movimento editorial começou no Brasil. O primeiro livro publicado aqui foi "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, mas nessa época, a imprensa sofria a censura do Imperador. Só na década de 1930 houve um crescimento editorial, após a fundação da Companhia Editora Nacional pelo escritor Monteiro Lobato, em outubro de 1925.

A Origem do Livro

Os textos impressos mais antigos foram orações budistas feitas no Japão por volta do ano 770. Mas desde o século II, a China já sabia fabricar papel, tinta e imprimir usando mármore entalhado. Foi então, na China, que apareceu o primeiro livro, no ano de 868. Na Idade Média, livros feitos à mão eram produzidos por monges que usavam tinta e bico de pena para copiar os textos religiosos em latim.

Um pequeno livro levava meses para ficar pronto, e os monges trabalhavam em um local chamado "Scriptorium".

Quem foi Gutenberg?

O ourives culto e curioso Johannes Gutenberg (1398-1468) nasceu em Mainz, na Alemanha e, é considerado o criador da imprensa em série.Ele criou a prensa tipográfica, onde colocava letras que eram cunhadas em madeira e presas em fôrmas para compor uma página. Essa tecnologia sobreviveu até o século XIX com poucas mudanças. Por volta de 1456, foi publicado o primeiro livro impresso em série: a Bíblia de 42 linhas. Conhecida como "Bíblia de Gutenberg", a obra tinha 642 páginas e 200 exemplares, dos quais existem apenas 48 espalhados pelo mundo hoje em dia. A invenção de Gutenberg marcou a passagem do Mundo Medieval para a Idade Moderna: era de divulgação do conhecimento.

A Importância do Livro

O livro é um meio de comunicação importante no processo de transformação do indivíduo. Ao ler um livro, evoluímos e desenvolvemos a nossa capacidade crítica e criativa. É importante para as crianças ter o hábito da leitura porque com ela, se aprimora a linguagem e a comunicação com o mundo. O livro atrai a criança pela curiosidade, pelo formato, pelo manuseio e pela emoção das histórias. Comparado a outros meios de comunicação, com o livro é possível escolher entre uma história do passado, do presente ou da fantasia. Além disso, podemos ler o que quisermos, quando, onde e no ritmo que escolhermos.
 
 
 
 
 
•Eu penso na vida como sendo um bom livro. Quanto mais você explora, mais começa a fazer sentido. – Harold Kushner



•Não há como abrir um livro sem aprender alguma coisa. – Confúcio


•Não existem livros morais ou imorais. Livros são bem escritos, ou mal escritos. Isso é tudo. – Oscar Wilde


•Escrever um livro é uma aventura. No início, é como um brinquedo, uma diversão; então ele se torna nosso amante, nosso mestre, e, finalmente, um tirano. A última fase é aquela em que você está praticamente dominado pela servidão, você mata o monstro, e o joga para o público. – Winston Churchill


•Uma vez eu planejei escrever um livro de poemas só sobre as coisas que estavam no meu bolso. Mas eu achei que ele ficaria muito longo; a era dos grandes épicos é passado. – Gilbert Chesterton


•Você sabe quando leu um bom livro quando vira a última página e sente-se quase como se tivesse perdido um amigo. – Paul Sweeney


•Uma casa sem livros é como um corpo sem alma. – Monteiro Lobato


•Um livro vem e diz, “Escreva-me”. Meu trabalho é tentar servi-lo com o melhor da minha habilidade, a qual nunca é boa o suficiente, mas tudo que posso fazer é ouvi-lo, fazer o que me diz e colaborar. – Madeleine L’Engle


•É o bom leitor que faz o bom livro; uma boa cabeça não pode ler mal: em todos livros ele encontra trechos que parecem confidências, sem dúvida escritas para seu ouvido. – Ralph Waldo Emerson


•Estou escrevendo um livro. Os números das páginas já estão prontos. – Stephen Wright


•Um escritor é, afinal, apenas metade de seu livro. A outra metade é o leitor; e a partir dele é que o escritor aprende. – P. L. Travers


•Um livro maravilhoso deveria deixá-lo com muitas experiências, e levemente exausto. Você deve viver diversas vidas enquanto o lê. – William Styron


•O livro que você não lê não pode ajudar. – Jim Rohn


•Um livro é a única imortalidade. – Rufus Choate


•Em meio ao silêncio da casa de um escritor está um inválido: o livro sendo trabalhado. – Richard Eder


•Um livro bem feito é um tapete mágico sobre o qual nós somos levados para um mundo que não poderíamos entrar de outra forma. – Caroline Gordon


•Quando você vende um livro para alguém, você não vende alguns quilos de papel com cola ou costuras – você vende uma nova vida. – Christopher Morley


•Um livro deveria servir como um machado para o mar congelado dentro de nós. – Franz Kafka


•O mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem somente uma página. – Santo Agostinho


•Tudo no mundo existe para que termine em um livro. – Stephan Mallarme


•Os iletrados do século XXI não serão aqueles que não conseguem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender, e reaprender. – Alvin Toffler


•Eu não posso viver sem livros. – Thomas Jefferson


•Uma boa biblioteca é um palácio onde os nobres espíritos de todas as nações e gerações se encontram. – Samuel Niger


•Uma biblioteca não é uma luxúria, mas uma das necessidades da vida. – Henry Ward Beecher


•Ao invés de ir à Paris assistir palestras, vá para a biblioteca pública; você não voltará por vinte anos, se realmente deseja aprender. – Leo Tolstoy


•A biblioteca é o templo do aprendizado, e o aprendizado libertou mais pessoas do que todas as guerras da história. – Carl Thomas Rowan


•Eu acho que a saúde de nossa civilização, a profundidade de nosso conhecimento sobre as subjacências de nossa cultura e nossa preocupação com o futuro podem todos serem previstos observando o cuidado que temos com as bibliotecas. – Carl Sagan


•Livros podem muito bem ser a única verdadeira mágica. – Alice Hoffman


•Eu cresci beijando livros e pão. – Salman Rushdie


•“Para que serve um livro,” pensou Alice, “que não tenha figuras ou conversas?”


Alice, em Alice no país das Maravilhas
 
 
 
http://www.mscamp.wordpress.com/

A INVENÇÃO DA ESCRITA -breve Curiosidade

Escrita hieroglífica em pergaminho (Egito Antigo)


A INVENÇÃO DA ESCRITA

 

Na Pré-História o homem buscou se comunicar através de desenhos feitos na paredes das cavernas. Através deste tipo de representação (pintura rupestre), trocavam mensagens, passavam idéias e transmitiam desejos e necessidades. Porém, ainda não era um tipo de escrita, pois não havia organização, nem mesmo padronização das representações gráficas.

Criação da escrita e sua história

Foi somente na antiga Mesopotâmia que a escrita foi elaborada e criada. Por volta de 4000 a.C, os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. Usavam placas de barro, onde cunhavam esta escrita. Muito do que sabemos hoje sobre este período da história, devemos as placas de argila com registros cotidianos, administrativos, econômicos e políticos da época.



Os egípcios antigos também desenvolveram a escrita quase na mesma época que os sumérios. Existiam duas formas de escrita no Antigo Egito: a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida dos faraós, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamada papiro, que era produzida a partir de uma planta de mesmo nome, também era utilizado para escrever.



Já em Roma Antiga, no alfabeto romano havia somente letras maiúsculas. Contudo, na época em que estas começaram a ser escritas nos pergaminhos, com auxílio de hastes de bambu ou penas de patos e outras aves, ocorreu uma modificação em sua forma original e, posteriormente, criou-se um novo estilo de escrita denominado uncial. O novo estilo resistiu até o século VIII e foi utilizado na escritura de Bíblias lindamente escritas.


Na Alta Idade Média, no século VIII, Alcuíno, um monge inglês, elaborou outro estilo de alfabeto atendendo ao pedido do imperador Carlos Magno. Contudo, este novo estilo também possuía letras maiúsculas e minúsculas.
Com o passar do tempo, esta forma de escrita também passou por modificações, tornando-se complexa para leitura. Contudo, no século XV, alguns eruditos italianos, incomodados com este estilo complexo, criaram um novo estilo de escrita.



No ano de 1522, um outro italiano, chamado Lodovico Arrighi, foi o responsável pela publicação do primeiro caderno de caligrafia. Foi ele quem deu origem ao estilo que hoje denominamos itálico.


Com o passar do tempo outros cadernos também foram impressos, tendo seus tipos gravados em chapas de cobre (calcografia). Foi deste processo que se originou a designação de escrita calcográfica.

Você sabia? Existe uma ciência que estuda as escritas antigas, seus símbolos e significado. Esta ciência é chamada de Paleografia.


Placa de Barro com escrita cuneiforme dos sumérios
 
 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIAS


O ato da contação de histórias incentiva as crianças à leitura. Pratique e exerça essa atividade tão gratificante para quem conta e para quem ouve, seja criança ou adulto.

HINO NACIONAL BRASILEIRO - CURIOSIDADES



HINO NACIONAL BRASILEIRO



Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil! Parte II



Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra, mais garrida,

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;

"Nossos bosques têm mais vida",

"Nossa vida" no teu seio "mais amores."

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

- "Paz no futuro e glória no passado."



Mas, se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!



Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva

Atualizado ortograficamente em conformidade com Lei nº 5.765 de 1971, e com
art.3º da Convenção Ortográfica celebrada entre Brasil e Portugal. em 29.12.1943.



Glossário:



Brado: Grito
Clava: Arma, porrete
Colosso: Gigante
Esplêndido: Brilhante
Flâmula: Bandeira
Florão: Jóia
Fúlgidos: Brilhantes
Fulguras: Realças
Garrida: Alegre
Gentil: Amável
Idolatrada: Adorada
Impávido: Corajoso
Lábaro: Bandeira
Límpido: Claro
Ostentas: Mostras com orgulho
Penhor: Garantia
Plácidas: Calmas
Resplandece: Brilha
Verde-louro: Verde-amarelo
Vívido: Brilhante

Veja e ouça o Hino Nacional, acompanhe a letra através da legenda. Este video contem a introdução que não é mais cantada:



ANÁLISE SINTÁTICA DO HINO NACIONAL - PELO PROFESSOR WENDELL
 

 
 
II PARTE DO HINO ANALISADA PELO PROFESSOR WENDELL
 
 

 
 
ABAIXO A INTRODUÇÃO CANTADA QUE HAVIA NO HINO NACIONAL BRASILEIRO:
 

 
 
SÍMBOLOS NACIONAIS ANALISADOS PELO PROFESSOR WENDELL
 

terça-feira, 4 de maio de 2010

MADAME MARIA EVA - CHICO OCOSTA



MADAME MARIA EVA
CHICO OCOSTA


Vários tiros de arma de fogo foram disparados, pei! pei! pei!, era uma madrugada fria, a garoa caia sem parar, a São Paulo de Piratininga estava em pleno inverno de 1970, inclinava-se quem por sorte pudesse ficar um pouco mais na cama. Camelôs e outros desafortunados tinham que se levantar e sair para a luta de mais um dia na busca de alguns vinténs. O dia estava amanhecendo e alguns curiosos sobre o viaduto do chá se debruçavam para ver lá embaixo um grupo de policiais em torno de dois possíveis cadáveres estendidos as margens do rio Anhangabaú.



Antônio Almeida recém chegado da cidade de Jundiaí encontrava-se perdido ao deixar a rodoviária Julio Prestes, depois de andar por mais de meia hora por becos e avenidas se deparou com a tal cena de crimes, o que lhe chamou muita atenção juntamente com outros transeuntes. Policiais falavam via rádio para a central da polícia, dando conta de que um homem baleado e ainda com vida fora levado para a Santa Casa, enquanto uma mulher já estava em óbito. Por isso teriam que permanecer no local até a chegada de alguma autoridade do IML para remoção do corpo. O homem já havia sido identificado, pois se tratava de um pederasta e velho conhecido da polícia, enquanto a mulher bonita de colares vistosos, ainda precisava de alguns detalhes para ser identificada. Eis que dentre todos aqueles curiosos, uma voz surgiu, Senhor Policial! Sou Antonio Almeida, acredito que a reconheci quando um dos senhores levantaram o pano que a cobre. O policial acatou aquela afirmativa, porém com as reservas necessárias, depois o levou para a delegacia, onde ele disse que se tratava de Madame Maria Eva, pessoa bem situada de posses e atuante na vanguarda de alguns cabarés e outras atividades do baixo meretrício de importante região do interior a qual pertencia a cidade de Jundiaí. Antônio Almeida se identificou junto ao delegado como sendo um homem íntegro, e que a conhecia desde quando eram jovens, época em que vez por outra comparecia com seus amigos boêmios para desfrutarem dos prazeres que estes lugares de muita animação proporcionavam. As investigações prosseguiram e depois de alguns meses foram elucidados os motivos que levaram o cafetão Chagas de Cabral cometer os dois crimes.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

OITAVO ENCONTRO DA OFICINA MULTIPLICADORA - 29 DE ABRIL 2010


Desta vez tivemos um número bem maior de participantes!
Falamos de poesia, de sua construção, dos versos, estrofes, rimas e métricas.

Citamos Mario Quintana, Catulo, Vinícius entre outros.

Solicitamos que no encontro do dia 13 de maio (novo endereço: Alameda Jaú 1200 às 14:30horas) os participantes tragam uma poesia de amor.

Nos veremos lá!

Um abraço
ANA MARIA

sábado, 1 de maio de 2010

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - POESIAS: JOSÉ e QUADRILHA


Duas entre as inúmeras famosas poesias do autor.
Ouçam-nas na voz do poeta:




JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?



Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !



Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?





Quadrilha 

 
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

Drummond trabalha de maneira artísticamente magistral a enumeração em seus poemas.
Agora veja e ouça abaixo filme ao vivo de entrevista com o poeta.





NOVA FASE E NOVO ENDEREÇO DA OFICINA DE CRIAÇÃO DE TEXTOS


A OFICINA DE CRIAÇÃO TEXTOS PASSARÁ A ACONTECER ÀS QUINTAS FEIRAS À TARDE DAS 14:30 ÀS 17:00 HORAS EM NOVO ENDEREÇO:

ALAMEDA JAÚ 1200 - BAIRRO JARDINS

VENHA FAZER PARTE DESTE GRUPO CRIATIVO E ILUMINADO!

Mande email para  contato@ical.org.br com seus dados pessoais para inscrição, e aguarde nosso contato com mais detalhes.



O ENCONTRO II - IVONÉTE MIRANDA


O ENCONTRO

Ivonéte Miranda

Fazia tempo que o detetive Marcos investigava a vida de Vitória Fernandes, uma mulher muito rica que chefiava a prostituição da cidade.


Quando o detetive finalmente angariou as provas e a encontrou, ela estava morta às margens do Tamisa.


O trabalho de anos jogado no lixo.


Marcos não agüentou a decepção e desmaiou.


Todas as provas reunidas desapareceram.


No dia seguinte, nas primeiras páginas dos jornais a cena, os dois corpos lado a lado, como se fossem cúmplices.



MÃE - IVONÉTE MIRANDA



MÃE
Ivonéte Miranda

Mãe, uma palavra tão pequena
Que tanto traduz
É carinho, é emoção,
É ter amor no coração



Quando ela vai embora
Com Jesus morar
Para os filhos é uma tristeza
Parece que o mundo vai acabar



Só resta sempre
Fazer uma oração
Para que ela esteja em paz
Porque vê-la, nunca mais ...


O ENCONTRO - IVONÉTE MIRANDA


O ENCONTRO
Ivonéte Miranda

Vitória Fernandes, este era o nome da mulher poderosa e milionária que circulava com desenvoltura até na realeza de Londres.

Marcos Holmes, detetive do Serviço Secreto da Coroa, mesmo antes da longa investigação já desconfiava que a fortuna de Vitória tivesse origem duvidosa.

Foram anos e anos de trabalho até que Marcos descobrisse que Vitória Fernandes era a conhecida Madame Vivi, chefe da rede internacional de prostituição.

Marcos conseguia reunir as provas da identidade secreta de Vitória, mas estas eram desmanteladas pelo grupo de seguranças particulares que ela detinha.

Finalmente um dia, o detetive fechou o quebra cabeças, marcando em seguida o encontro na Ponte da Torre com a Madame, justamente na hora do chá das cinco. Nesta ocasião ele poderia dar a voz de prisão a pleno pulmões.

Marcos contou os minutos durante todo o dia até olhar para o relógio e duvidar que faltasse muito pouco para realizar seu maior intento, a prisão.

O detetive caminhou devagar pela ponte, pensativo, ocupado com sua própria ansiedade, quando ouviu a gritaria, o tumulto. Ele aproximou-se da multidão ao pé da ponte, afastando as pessoas, e viu o corpo de mulher estendido o chão. Não acreditou no que via. Era Vitoria Fernandes, Madame Vivi, o fim frustrante da investigação. A visão ficou turva, as pernas moles ...

Acordou no leito do hospital e estranhou a presença de um policial no quarto, indagando sobre o que havia acontecido.

O homem fardado apenas lhe entregou o jornal contendo a foto dos dois corpos às margens do Tâmisa, o dele e o de Vitória Fernandes, lado a lado, com a manchete :

DETETIVE CORRUPTO MATA DAMA DA ALTA SOCIEDADE LONDRINA.


O DIA D - CIDA BIANCHINI




O DIA D
CIDA BIANCHINI

Claire abre a janela do quarto do hotel e deixa o vento bater em seu rosto, exteriorizando prazer e paz, muita paz...

Do vigésimo andar, o visual da cidade é perfeito. Apesar do longo tempo ausente, tudo parece estar como antes.

Madri é clássica, pensa e delira... Por instantes deixa-se banhar por um saudosismo que não lhe é peculiar.

De origem francesa, mas vivendo há longos anos na África, nunca deixou de amar a Espanha em especial Madri, onde costumava passar férias na companhia da mãe.

Após o banho, prepara-se para o primeiro passeio, dentre muitos ao longo do dia.

Devagar, quase parando, passa pela Avenida arborizada, gozando da beleza, no cair das folhas amarelecidas, típico cenário do outono, além da gostosa sombra naquele dia quente, atípico àquela estação.

Em seguida, visita alguns museus, igrejas, almoça num restaurante francês e degusta o prato com sabor de saudade do amor que, por mais que quisesse não conseguia esquece-lo.

Assim o dia passa numa incrível rapidez, até chegar ao final da maratona de passeios. O último ponto turístico a ser visitado é a Praça Puerta Del Sol, ponto de encontro dos turistas. Depois de ter feito novas amizades, já batendo o cansaço, no declínio da noite, entre coloridas luzes, é atraída ao Bistrô, onde mais uma vez ressoa na caixa da lembrança a voz de sua mãe:

É impossível passar pela Praça Puerta Del Sol e não saborear os deliciosos croissants...

Sobe lentamente os poucos degraus de mármore carrara e depara-se com a clássica cadeira, que parece estar a sua espera. Senta-se. Pernas cruzadas cobertas pelo transparente vestido azul e o branco xale, levemente jogado aos ombros, bem ao estilo francês.

Faz charme, tocando os cabelos com as pontas dos dedos, enquanto esboça leve sorriso à chegada do garçom, que, também sorri, porém com certo espanto ao vê-la.

“La Belle de Jour” , pergunta ele... Merci, merci beaucoup, reponde ela, entendendo como elogio.

O garçom também de origem francesa, parece demonstrar certo nervosismo, ao se aproximar de Claire, para servir o cafezinho, o que lhe causa certa estranheza.

Na verdade ele está mesmo transtornado. Enquanto olha sem cessar a bela jovem, vê passar nitidamente em sua mente,o filme de dez anos atrás.

La Belle de Jour, assim conhecida pela sua beleza, fora manchete nas primeiras páginas dos jornais em todo mundo, acusada de articular um grupo internacional de estelionatários ligados a máfia italiana.

A última vez a ser vista fora no mesmo local em que Claire se encontra agora. Tal fora a astúcia da jovem perseguida pela polícia, ao conseguir uma fuga espetacular não deixando vestígios e até hoje não encontrada.

O que fazer agora, pensa o garçom rapidamente. Devo ser perspicaz a fim de obter informações precisas quanto ao seu roteiro de viagem e informar a polícia para que desta vez a foragida seja finalmente presa.

Com naturalidade a moça informa tudo ingenuamente e despede-se do garçom.

Volta para o hotel, arruma as malas com ansiedade, pois a saudade da família bate forte.

Ao chegar no aeroporto, depois de fazer o check-in, dirige-se à sala de embarque e vê-se cercada por dezenas de policiais. Em seguida é levada à Agencia da Policia Internacional.

A Imprensa aglomerada disputa o melhor ângulo para levar a bombástica notícia. Um dos jornalistas por descuido, deixa transparecer o título da matéria, em letras grandes, certamente para ilustrar novamente a primeira página do seu jornal:

“ Após dez anos de fuga, La Belle de Jour acaba de ser presa...

Enquanto isso a capacitada Polícia Internacional Européia, analisa com seriedade e eficiência, o extraordinário caso que, há alguns anos chocou a Europa. Claire deixa-se fotografar, sem esboçar nenhuma palavra e sem entender o que está acontecendo. No final da madrugada, constata-se que a linda jovem é apenas uma sósia tão perfeita da foragida Belle De Jour, que, a princípio confundiu a própria polícia.

De fato, eram pessoas fisicamente idênticas, mas de personalidades opostas, pois, Claire trabalha como voluntária em uma ONG, na África, cuidando de crianças pobres e abandonadas.

A Polícia e o garçom, pedem desculpas, mas a imprensa agradece pela dimensão da notícia, enfatizando a imagem de Claire.

“Esperávamos falar de La Belle de Jour, e acabamos falando de La Belle du Monde, concluía um outro jornal.

Na inesperada noite de uma psêodo fama, Claire marca sua história enviando beijos para seus ” enfants” carentes.