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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História da Cigarra e da Formiga nos dias de hoje - Dinah Ribeiro Amorim



HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA NOS DIAS DE HOJE!
Dinah Ribeiro Amorim



Era uma vez dois amigos: Raul e Felipe.



Vizinhos, cresceram juntos, tornando-se companheiros de brincadeiras, de escola, de estudos, enfim, à medida que se desenvolviam, mais amigos se tornavam.

Raul, o mais sério, era muito inteligente, aplicado, vivia estudando e conhecendo coisas novas. Gostava de ensinar e transmitir tudo ao amigo.



Felipe de personalidade diferente mais folgado, engraçado, muito simpático, não ligava muito para trabalho e estudos, ouvindo Raul comentar suas descobertas, mais para agradar ao amigo... Gostava mesmo é de dançar, cantar e tocar!



O tempo foi passando os jovens crescendo, e como os interesses eram diferentes a amizade esfriou. Uma vez ou outra se encontravam quando Raul tinha algum tempo livre e resolvia sair para dançar ou ouvir música num barzinho próximo aonde Felipe tocava.



É claro que o destino dos dois foi diferente!



Enquanto Felipe tocava e cantava na noite para alegria de muitos sem preocupação com o dia de amanhã sem acumular bens sem formar uma família fixa, Raul formou-se cientista graduado com louvor, dedicou sua vida a estudos e pesquisas recebendo honrarias e méritos até no exterior. Casou-se com uma moça como ele, teve três filhos que lhe deram grandes alegrias na vida.



Pode-se dizer que neste mundo Raul foi um vencedor: teve sucesso, família, fama, dinheiro, tudo o que sempre sonhou, e Felipe tocando e cantando nunca chegou a ter tudo isso, mas era feliz na sua vida simples. Nunca se queixava.



Como tudo que nasce nesta vida, os dois envelheceram e na hora da doença, da dor e da proximidade da morte, quis o destino que os dois se encontrassem novamente.



Felipe sentiu-se mal num show e foi levado às pressas para um hospital, ataque cardíaco. Os médicos e enfermeiros não sabiam seu endereço nem a quem avisar, mas num de seus raros momentos de lucidez Felipe dá o nome de Raul e pede para chamá-lo.



O velho amigo assim que é avisado lembra-se com carinho do Felipe de sua infância, de como se divertiam e riam juntos, de como eram fiéis um ao outro. Sente uma saudade e uma vontade enorme de vê-lo, ajudá-lo, fazer algo por ele!



Atende prontamente ao chamado, desfaz todos os seus compromissos profissionais, sociais, familiares e corre para se despedir do amigo que às vezes o procurava, mas que ele sempre muito muito ocupado não o atendia!



Como se arrepende disso agora!

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